quinta-feira, 9 de junho de 2011

"The Wall of Champions"


Chegamos ao GP do Canadá. Um dos mais belos circuitos da temporada e que normalmente sempre promove uma das melhores corridas do ano. Porém, quando falamos da corrida em Montreal, há sempre, ano a ano, uma dúvida que persiste. Afinal, por que o muro da entrada da reta dos boxes é chamado de “muro dos campeões”? O que houve lá para que ele tivesse esse nome? Ele é um desafio tão grande assim?

Depois dos acidentes graves em Ímola no ano de 1994, foi feita, logo após o hairpin, uma horrorosa chicane de cones com a finalidade de diminuir a velocidade dos carros nas duas curvas rápidas que antecediam o retão (Ver disputa Senna x Alesi em 1993) que levava à última chicane da pista canadense. Para que com essa alteração a pista não ficasse lenta demais, os organizadores tiraram na entrada da reta dos boxes a grama que separava a pista do muro, fazendo ali uma mini-área de escape para que os pilotos pudessem sair mais velozes desta chicane. Nascia o muro dos campeões, ainda sem nome.

Com outra reforma, em 1996, seriam tiradas as duas curvas de alta velocidade depois do hairpin, juntamente a chicane de cones. Assim, criou-se a maior reta da pista com velocidade final em torno dos 320 km/h. Desde essa mudança virou costumeiro ver os carros chegando muito perto e até, algumas vezes, tocando na parede da entrada da reta. Em outras palavras, ali, em 1996, se criou o monstro.

O tempo passaria. Três anos precisamente. Em 1999 aconteceu a corrida que daria fama e nome ao muro. Depois de uma largada conturbada, o Safety Car entrou na pista para ficar apenas uma volta. Com sua saída na segunda volta, a corrida enfim começaria. Uma volta depois, Ricardo Zonta, campeão do FIA GT em 1998, voltando de três corridas em recuperação após um acidente no Brasil, sairia de traseira com seu B.A.R. e acertaria o muro no início da reta dos boxes. Safety Car de novo.

Mais 12 voltas e Damon Hill, campeão de F1 em 1996, de forma muito parecida com Zonta, escorregaria e tocaria a roda traseira direita de sua Jordan no muro. Corrida encerrada para o inglês também, que conseguiu tirar seu carro da posição perigosa.

Enquanto e depois disso, o líder Michael Schumacher era pressionado à distância por Mika Hakkinen. A diferença não passava dos quatro segundos e Mika começava a ser mais rápido que o alemão. Foi quando, na volta 29, Schummy errou a entrada da chicane que dava acesso à reta dos boxes. A estampada do até ali bi-campeão mundial (1994-95), seria a mais forte dentre as de Zonta e Hill, porém um eficiente serviço de fiscais impediria outra entrada do Safety Car.

Cinco voltas mais tarde seria a vez da segunda B.A.R., a do campeão de 1997, Jacques Villeneuve, menino da terra, ter o acidente mais forte do dia no muro da entrada da reta e finalmente encerrar a lista dos campeões parados naquele 13 de junho de 1999 pela parede tão astuta quanto estática no circuito Gilles Villeneuve.

Ao fim da corrida, ambos culparam a poeira na segunda perna da chicane. Porém estava feito, o local foi imortalizado, "the wall of champions"; graças às contribuições de Zonta, Hill, Schumacher e Villeneuve durante a prova.

O muro ainda está lá. Em 2002 foi afastado da pista e ganhou uma proteção de pneus. Mas nada que o impedisse de fazer outras vítimas em corridas e treinos nos anos seguintes, como se pode ver neste vídeo:

Quem se habilitaria a manter a série nesse ano?

terça-feira, 7 de junho de 2011

Plág... ops, inspiração [3]




Metallica compôs Welcome Home (Sanitarium). Som bonito. Uma das melhores baladinhas da banda em questão, que tem inegável imensa capacidade de fazer belas músicas lentas. Master of Puppets, o CD, foi lançado em 1986, e é uma das melhores amostras de como Heavy Metal pode se tornar uma paixão pessoal (quem disse fui eu).

Eis que em 1998 o Savatage lança o disco The Wake of Magellan. No álbum normal, nenhum problema. O problema se encontrava na versão americana do disco, que continha mais três faixas, entre elas, Stay. Atente ao início das duas canções e tente encontrar alguma semelhança.

sábado, 4 de junho de 2011

OFF: I have a Fisichella's cap.


Muito bem, galerinha! Finalmente hoje recebi o boné que tanto falei a vocês. Um boné dele, Giancarlo Fisichella, oferecido a mim pelo Felipe Motta; que todos vocês devem saber, é repórter de Fórmula 1 da rádio Jovem Pan. Nunca é demais dizer que ganhei o boné porque fiz 18 pontos no quiz de seu programa, o Superpole, no ano passado.

Fui aos estúdios da Jovem Pan no início deste ano para ver como é feito o programa e entrevistá-lo para o blog. Já hoje, fui apenas pegar o boné e trocar uma idéia mais informal; aprender um pouco com quem sabe e vê tudo o que vemos de lá de dentro. Foi bem legal. Por termos uma paixão em comum, a F1, a conversa rola numa fluidez muito bacana (às vezes impedida pelo nervosismo meu, é verdade, mas contornável), hoje foi assim. Felipe é muito gente fina, e de maneira descontraída contava tudo o que eu perguntava. Assuntos diversos sobre seu site, o TotalRace, e, claro, sobre o meio da F1.

Outro dia que jamais vou esquecer!

Enfim, está aí a foto do boné do Fisico dentro do estúdio de onde é irradiado o Fórmula Jovem Pan. Este será o selo de qualidade do blog a partir de hoje! E torçam por mim nesse ano de novo, ainda estou liderando o quiz.

Rumo a outro boné! Kobayashi? Quem sabe...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sheik


E o dinheiro vai ampliando seus domínios sobre o planeta terra. Tudo bem, não se vive sem ele, mas o apetite insaciável que tem Bernie Ecclestone por esses papeis verdinhos é algo a ser estudado, de fato.

Achei elogiável e, ao mesmo tempo, estranha a atitude de FOM e FIA ao adiar uma abertura de campeonato que gira tantos milhões de dólares. Vi positivamente, afinal de contas, a F1, que sempre teve orgulho em se manter alheia a todo e qualquer acontecimento global de grandes proporções (apartheid, copas do mundo...) durante sua existência, tinha finalmente se flexibilizado – forçadamente, é verdade – a uma causa que julgava ser maior do que ela. Uma guerra em eclosão.

Pelo jeito enganamo-nos. O povo do Bahrein continua a ser miserável e comandado por um ditador. Em pleno século XXI, num mundo globalizado, o povo barenita vive sob uma monarquia absolutista.Vive num lugar onde a renda é mal distribuída e vive também o “manjado” (sem intenção de minimizar com a palavra) conflito entre xiitas e sunitas, que inclusive deu o tom das questões militares do início do ano. E a F1, alheia a isso, vai voltar pra lá.

Não quero entrar nos meandros políticos, detesto política, aliás. Mas é impossível ficar de olhos fechados a este tipo de coisa. Segundo notícias veiculadas hoje, a prova do Bahrein dá à F1 um retorno de 40 milhões de dólares. O prazo original estipulado pela FIA para que fosse resolvida a questão militar no país encerrou-se no dia 1º do mês passado. Algo a fez voltar atrás... nem suspeito do que foi.

Será assim: Veremos dia 30 de Outubro um GP do Bahrein com arquibancadas cheias de “VIAIPIS” de todo mundo, pagando caro nas mordomias de um evento esportivo que ficará (se é que já não é desde 2004) descaracterizado, dado panorama. Mas, mais dinheiro entrará nos cofres dos cartolas, que é o que parece ser a prioridade no momento.

Convenhamos também que, esportivamente, o tilkódromo de Sakhir, em 7 GPs, não produziu nada de relevante à história da F1. Outro atenuante.

Sheiks. Eles têm a grana, e ditam um esporte cujos dirigentes parecem pertencer a seu harém. Tudo em nome de inflar as contas bancárias. É preciso rever essas prioridades...

Quanto a nós. Seremos comprados por isso?


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Plág... ops, inspiração [2]




Já viu uma banda plagiando ela mesma? E no mesmo CD ainda? É o que acontece aqui. Terceira e quinta faixas do disco State of Euphoria do Anthrax lançado em 1988. Make me Laugh e Who Cares Wins, respectivamente, têm em suas introduções riffs... que são simplesmente idênticos. Não tira o brilho dessas que são, juntas a Antisocial e Be All, End All, minhas favoritas neste álbum. Mas vem cá, precisava ser tão copy n' paste assim?

domingo, 29 de maio de 2011

O santo imponderável


Indy 500. Há quem diga que só é preciso ver as últimas voltas. A grosso modo, até concordo, porque, por mais que a corrida tenha sido muito boa, as últimas voltas sempre são históricas. Sempre marcadas por dramas de consumo de combustível e por bandeiras amarelas que podem decidir direta ou indiretamente o vencedor. Hoje, rotineiramente, tudo isso... e um plus.

J.R. Hildebrand foi campeão da Indy Lights em 2010. Vinha nesse ano lutando com seu carro nos circuitos mistos. Nenhuma performance de brilho; melhor resultado: 10º no Brasil. Um mero coadjuvante ao olharmos sua posição de largada, um 12º lugar.

Tudo andando pela equipe Panther. Time que, para contratá-lo, deu um pé nos fundilhos do inglês Dan Wheldon, que demonstrava desde sua saída da equipe Chip Ganassi, em 2008, que vivia a parte decrescente da carreira - em que já havia somado uma Indy 500 e um título de temporada, ambos em 2005.

Dan, sem equipe para 2011, ficou a esmo no mercado de pilotos. Reconhecidamente um bom piloto de ovais, por um lado. Mas pelo outro, uma decepção nos circuitos mistos. Sua chance era tentar voltar nas 500 milhas de Indianápolis como “wildcard”, ganhar um dinheirinho e tentar fazer uma boa corrida para quem sabe arranjar um patrocínio que lhe permitisse participar de outras corridas nesse ano. Foi o que aconteceu, Dan, desvalorizado no mercado, encontrou na equipe de seu ex-colega de equipe na Andretti, Bryan Herta, o carro para tentar a sorte na Indy 500. Classificou em quarto, um ótimo posto, dado fato de ser uma equipe de Indy Lights que fora especialmente montada para a ocasião.

Na largada ninguém poderia apostar que esses dois, Wheldon e Hildebrand, poderiam protagonizar o fim de prova mais inacreditável da história da corrida. A três voltas do fim o belga Bertrand Baguette, líder, adentrou o Pit Lane de Indianápolis com falta de etanol. Dario Franchitti, virtual vencedor da prova, teve sua tática derrubada graças à falta de bandeiras amarelas nas 40 últimas voltas. Sendo assim, o escocês se arrastava no circuito economizando combustível e não era páreo para Hildebrand, nem Wheldon (e nem ninguém, já que foi o último dentre os que chegaram na volta do líder). Ambos não precisavam economizar combustível... davam o máximo.

Hildebrand assumia a liderança. Um estreante venceria em Indy pela primeira vez desde o biênio 2000-2001, quando Montoya e Hélio Castroneves conquistaram a prova no primeiro ano de participação. Faltava uma curva para a glória. Nela, lentamente, o carro de outro rookie. Um retardatário, Charlie Kimball, 13º. Talvez confiante demais, Hildebrand tentou superá-lo por fora; lado que em circuitos ovais, depois da metade da prova, normalmente encontra-se cheio de poeira e pedaços de borracha dos pneus desgastados pelos carros. Batata. De maneira inacreditável o líder batia no muro da última curva da corrida que marcava o centésimo ano do autódromo americano.

Wheldon, esquecido e menosprezado por todos, e que salvo engano não havia liderado uma volta a corrida inteira, tirou o último gás de seu carro e passou a linha de tijolos para conquistar sua segunda Indy 500 na carreira. Dois segundos antes de Hildebrand, em destroços, mas ainda assim em segundo lugar. Um ”wildcard“ com estrutura de uma equipe de Indy Lights, que fez papel de figurante durante toda a prova e que havia sido demitido pela equipe de Hildebrand meses antes, venceu uma prova de enredo fantástico. Sem mais... da série "Porque amo automobilismo".

29 de Maio de 2011, um dia épico para o automobilismo mundial.

Monaco Thriller!


*Uma das melhores corridas em Monte Carlo (arrisco a dizer que foi a melhor) que eu já vi. Nada como asa móvel e Kers pra agitar uma corrida que quase sempre foi estática quanto à troca de posições na pista. Numa pista que não tem espaço pra passar, os pilotos provaram, e têm provado nesse ano, que não passavam anteriormente não por comodismo, como diziam alguns; e sim por não ter como mesmo. Os mesmos que ainda criticavam as mudanças técnicas desse ano por pura nostalgia. Caindo no dito popular “águas passadas não movem muinho”. Era legal? Era. Mas passou... Do the Evolution! (Ta, menos apocalíptico do que prega esta bela canção).

Disse ontem de sorte de campeão. Quer maior sorte do que uma bandeira vermelha a cinco voltas do fim para trocar um pneu que estava no bagaço? E mais, escapando de um acidente logo à frente? Pois é. O jeito é esperar 2012, Vettel parece invencível. Mesmo sem as melhores condições para uma vitória, a sorte se encarrega de concede-la ao alemão.

Grande performance de Alonso, em segundo, antecedida por uma grande largada. Azar de Button, que tinha tudo para ganhar a prova e teve que se contentar em ver sua vantagem de pneus ir pelos ares com a bandeira vermelha.

Hamilton. Um capítulo à parte. Entre ultrapassagens e espremidas um sexto lugar que seria justíssimo não fosse o fato de ter deliberadamente arrancado de Pastor Maldonado seus primeiros pontos na Formula 1. Feio demais. Cabia aí uma desclassificação ao inglês. Quanto a seus outros incidentes na prova nada de muito pesado. A batida que tirou Felipe Massa da prova foi mais infelicidade do brasileiro do que culpa de Hamilton. Manobra dura, mas não injusta. Massa também tentou vender caro demais a posição. Uma pena para Felipe, já que Alonso se distancia no mundial e ele não marca ponto algum desde a China.

Fantástica corrida de Kobayashi, Sutil e Maldonado. Uma pena Kobayashi ter levado uma ultrapassagem de Webber tão no fim da prova. De qualquer forma é o melhor resultado do japonês na F1. Ele que só não pontuou em todas as provas até aqui por causa da asa traseira irregular de seu Sauber na Austrália.

(Só um parêntese a respeito da batida que desencadeou a bandeira vermelha. Alguersuari vai cada vez mais se tirando da Toro Rosso para a entrada de Ricciardo)

Se classifiquei o GP da Coréia do ano passado como “Drama”, classificarei esse monegasco de “Thriller”. Uma das corridas mais divertidas dos últimos tempos. Talvez a melhor em Mônaco em muito tempo.


* Cansei de colocar fotos do Vettel, sendo assim, já que meu blog não é uma democracia, decidi homenagear Pastor Maldonado.

sábado, 28 de maio de 2011

Quase lá...


Treininho mixuruca. A batalha verdadeira – provavelmente entre Hamilton e Vettel - ficou só na expectativa, tudo pelo infortúnio de Sergio Pérez na chicane do porto. Vettel vai provando cada vez mais que este é seu ano. Podia muito bem economizar pneus e ir para a pista apenas nos quatro ou cinco minutos finais do Q3. Decidiu ir no começo, como aliás tem feito nesta temporada. Havia cravado sua pole, e Hamilton estava apenas aquecendo seus pneus quando a Sauber de Pérez bateu e decretou, na prática, o fim da sessão.

Sorte de campeão, justo em cima de seu maior rival no ano. É... se não acontecer nenhum desastre (diria desgraça, mais forte) acho que esse ano já tem dono.

O que pode movimentar um pouco a prova pode ser a largada. Button se acertá-la, pode disputar a primeira curva com o Red Bull número 1, quem sabe pular na frente e segurar Vettel. Mesmo assim, naturalmente, é praticamente impossível apontar outro virtual vencedor que não seja o atual campeão. Mônaco é uma pista que nivela as performances, mas a longo prazo, quer dizer, 78 voltas, prevalecerá o melhor. E o alemão venceu quatro de cinco corridas nesse ano sem abusar da performance. Uma questão de lógica.

De Webber não sei se devemos esperar algo, a não ser a costumeira corrida opaca. Fato que o australiano não é mais o mesmo em 2011. Carro feito pra Vettel? Desfavorecimento depois da guerra de nervos que promoveu na Red Bull ano passado? Má adaptação aos Pirelli? Sinceramente, ainda não tenho uma teoria sobre isso.

Alonso quarto e Massa sexto. Quietinhos, podem surpreender, em especial o asturiano que teve bom ritmo na quinta-feira. Schumacher em quinto. Sua melhor oportunidade de voltar ao pódio desde que retornou à F1, basta fazer sua parte e apostar na loteria monegasca.

Grande ritmo de Maldonado, em oitavo, com a punição a Hamilton. Quem diria, o venezuelano vai se firmando bem nas classificações, a conferir a regularidade nas provas. Rubinho, bom... está com uma “asa diferente”; vejamos se não é mais uma “desculpa barrichelliana” amanhã. Bom treino de Pérez também. Uma pena o acidente, tinha tudo para sair de Mônaco com bons pontos na sacola. Vai ter que se contentar em ver a corrida pela TV com a integridade física quase intacta, o que pela estampada - provavelmente a mais de 230 Km/h - é um lucro.

Decepções: Renault e Force India. Pelo que se esperava, estiveram muito abaixo.

Previsões. Hamilton encontrará onde se possa ultrapassar em Mônaco, senão não terminará a prova recebendo a bandeirada. Vettel é favorito claro, mas quem sabe Button; ou quem sabe Alonso, possam dificultar um pouco as coisas. Mas mais do que nunca, amanhã se Vettel passar a St. Devoté na frente, são remotas as possibilidades de que o alemão não saia de Monte Carlo com uma boa vitória, que inclusive lhe é inédita.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"Solo Valentino Rossi!"


GP da Catalunya, 2009. Restam quatro voltas para o fim da prova. O pole position e líder Jorge Lorenzo começa a ser atacado ferozmente por seu companheiro de Yamaha, Valentino Rossi. Recomeçava ali um jogo de nervos que iniciara na classificação, já que Lorenzo havia superado Rossi por 13 milésimos. Motos iguais, talento imenso de ambas partes. Prefiro não dizer mais nada. Dê o play e se arrepie com, além da disputa, a narração italiana acompanhada por uma música de fundo, digamos, propícia.

Há também câmeras onboard na moto de Rossi no quadro inferior. Perca seu fôlego aqui.

Um amigo havia me pedido um "porque" de tanta atenção em cima do Rossi. Acho que mandei bem.

P.S.: Veja o vídeo enquanto a Dorna não o tira do ar.
P.S.2: O blog vai entrar em hiato forçado... estou sem internet. :/

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Jogando em xeque


E será indo em busca de seus momentos de glória que a Williams voltará a ter seus motores fornecidos pela Renault. A história ganha força a cada dia, e é possível que isso aconteça já para 2012.

Isso nos remete aos idos de 1988, quando a Williams passava por uma situação parecida quanto ao fornecimento de motores. A Honda havia deixado a parceria, até ali vitoriosa, a troco da McLaren (Senna) e da Lotus (Nakajima). Sem possibilidades de assinar de imediato com uma forte montadora, a equipe inglesa foi forçada a usar os terríveis motores Judd aspirados, no último ano da "era turbo".

Não precisaria mencionar que os resultados foram desastrosos. Os melhores momentos da temporada foram dois segundos lugares conquistados por Mansell. Um no chuvoso GP da Inglaterra, o outro em Jerez de la Fronteira, Espanha. As dificuldades eram evidentes. Faltava velocidade final, sobravam problemas. Não só com o motor. Mansell, piloto nº 1 da equipe, teimara em correr doente na Hungria, e o salário de tal ato foi a perda das duas provas seguintes na Bélgica e Itália em recuperação.

Mas para 1989 tudo mudaria. Chegaria o motor Renault, depois de dois anos ausente das corridas de F1. O V10 francês faria a Williams voltar a viver seus dias de glória na categoria. Uma temporada convincente com duas vitórias nos adversos GPs do Canadá e da Austrália - ambas por Thierry Boutsen que substituía a Mansell, agora na Ferrari - fariam o time inglês ser vice-campeão entre construtores.

A situação agora, em 2011, não é tão simples. A Williams joga em xeque. Têm a bordo de seus carros um estreante nada promissor e um veterano que está vivendo seus últimos dias na F1. Não vencem uma corrida desde 2004, e não tem um equipamento confiável e constante - sendo rigoso - desde a metade de 2005, quando começava o inferno astral nas relações com a BMW.

Em outras palavras, a Williams não vive um ano ruim como em 1988, vive a pior fase de sua existência. Fase, mais recentemente, que vem fazendo cabeças rolarem morro abaixo dentro do staff técnico. Resta saber se a volta da Renault poderá trazer de volta a estabilidade e os bons dias a Williams.

Opinião pessoal do blogueiro: É difícil. Porque não é uma parceria como foi nos anos 90, quando venceram quatro campeonatos de pilotos e cinco de construtores. Dessa vez a Williams será só mais uma dentre outras três equipes (Red Bull, Lotus, Renault) a ter seus motores fornecidos pela Renault. Além disso, não tem um bom piloto jovem em quem possa apostar suas fichas a longo prazo, alguém como foi Nico Rosberg, por exemplo. Não bastasse, a Williams corre nesse ano com o carro praticamente sem patrocinadores e precisa de mais dinheiro para crescer junto com o possível futuro fornecimento de motores.

Carro que, por sinal, tem em seu layout um “revival” da pintura de 1997 do time inglês, ano dos últimos títulos conquistados por eles... justamente com o motor Renault. Infelizmente mesmo com o negócio concretizado não vejo isso sendo mais que uma ligação nostálgica. Triste. Tomara que eu esteja errado.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Set the World on Fire - Annihilator


Podem encontrar muitos defeitos no Annihilator. O principal (nisso excluo ter concebido aquela porcaria chamada “All for You” em 2004) é não ter um vocalista fixo. No disco Set the World on Fire de 1993 a banda estava simplesmente no quinto vocalista... em pleno terceiro álbum! O grande trunfo da banda canadense sempre foi pertencer a Jeff Waters, que além de único membro fixo do conjunto, sempre foi dono de uma habilidade de composição fora do normal.

Depois do “Alice in Hell” de 1989, dono de um thrash metal visceral; e do “Never, Neverland” de 1990, disco mais cabeça, mas não menos fantástico, chega Set The World on Fire.

Disco em que o estilo da banda se consolida definitivamente. Dentre temas melódicos e riffs pesados, ritmo frenético e vocal ameno. Uso como plano de fundo a esses adjetivos a primeira música e faixa título. Riff simples e cru, base forte. Outra nesse estilo é a oitava, The Edge. Sonzaço fora da malevolência esteriotipada do Heavy Metal, tanto no som quanto na letra, que inclusive, pessoalmente, levo como lição de vida... mas não vou me alongar, porque isso é papo pra buteco.

Há também as baladinhas. Vamos pra faixa 5. Phoenix Rising. Opinião do cara te escreve este texto, esse som pega fácil lugar entre as três melhores baladas de Metal em todos os tempos. Poucas músicas traduzem tão bem sentimentos, força, melodia e ideologia quanto essa. Essa é uma entre outras poucas músicas que ouvi que gostaria de ter composto, dado nível de genialidade da bagaça. Obra de arte, linda de mais. Tem também Sounds Good to Me, bonita também, mas que perto de Phoenix Rising parece o mais poluído dos funks cariocas (Vish, pesei na mão... sorry).

Quando passamos para os climas diferenciados no CD não há como não citar a bela e pesadíssima Bats in the Belfry. Destaque para o riff do refrão. Há também Brain Dance, música que chega a lembrar Mr. Bungle de tão estranha. Vocais agudos, barulhentos lembrando os de um débil mental, com um instrumental que lembra aqueles medonhos filmes de terror “B” dos anos 80. De modo peculiar, consegue ser engraçado e bom. Ainda nesses climas musicais curiosos a faixa quatro, Snake in the Grass. Porém neste caso, algo mais usual do que Brain Dance, digamos.

Ainda, para liquidarmos o disco, No Zone e Knight Jumps Queen, 27 toneladas cada uma, e Don’t Bother Me, patinho feio (todo CD por melhor que seja tem, némerrmu?).

A junção de uma balada perfeita com o resto de um álbum pesado e muito bem elaborado dá a química interessante que tem o Annihilator durante, sobretudo, os anos 90. Um estilo único, que pela singularidade é bem interessante. Experimente!

1.Set the World on Fire

2. No Zone

3. Bats in the Belfry

4. Snake in the Grass

5. Phoenix Rising

6. Knight Jumps Queen

7. Sounds Good to Me

8. The Edge

9. Don't Bother Me

10. Brain Dance

Download

domingo, 8 de maio de 2011

Ponto azul no horizonte


Como eu dizia, se Vettel largasse na frente não teria pra ninguém. Foi assim. Quase ponta a ponta, se Button não tivesse liderado uma mísera voltinha, a 12. É quase impossível entender como Vettel sobra tanto. Seu ritmo é assustador, assombroso. E a impressão é de que não está dando seu máximo. Não dá pra ver, ou prever, Vettel perdendo uma corrida. Está em outro patamar e muito longe dos outros. Se alguém não fizer alguma coisa muito rápido já para Barcelona corremos o risco de ver um campeonato decidido em Agosto ou Setembro. Broxante.

E o pior é que Webber não consegue seguir o bom desempenho do alemão. Mark largou mal e se enroscou com outros carros a corrida toda. Rosberg no começo, Alonso no fim. Em outras palavras, Webber é alcançável embora tenha um canhão e Vettel um ponto azul escuro no horizonte. Mérito de Sebastian, claro. Conseguiu entender e se adaptar ao carro muito melhor que Webber.

Alonso, em terceiro, ganha aí uma bela dose de moral. Fez uma classificação acima da média e uma corrida perfeita para o ritmo atual da Ferrari. Chegou a passar Webber na pista, veja só. Verdade que foi re-ultrapassado, mas o espanhol conseguiu ao menos ir pra cima de uma Red Bull, façanha digna de nota, claro. Massa se deu mal. Entre paradas ruins, erros e azares sobrou pra ele a posição do bobo, 11º. Injusto na minha opinião. Não condiz com o que foi sua corrida no primeiro e segundos stins, quando chegou inclusive a passar Hamilton. Massa vinha de duas atuações boas, agora vai ter que continuar na missão quase impossível de correr atrás de Fernando Alonso, que está cheio de moral.

A Mercedes. Ninguém sabe... alguém viu? Rosberg teve seu brilhinho na largada, depois foi devidamente jantado pela rapaziada da frente. Chegou em quinto mas jamais teve um ritmo convincente. Pelo jeito todas as melhoras e festas ficaram nas tomadas de tempo mesmo. Schumacher fez aquela corrida apagada costumeira, se defendendo e tocando roda com os outros carros, nem sempre de forma leal. Já deu Schummy, abre espaço pra garotada, né.

Uma boa corrida das Renault, Buemi e Kobayashi. Sebastien fez a estratégia de uma parada a menos funcionar muito bem, embora tenha perdido o sétimo lugar para as Renault no finzinho. De qualquer forma o nono lugar foi um ótimo lucro pra alguém que saiu de 16º. Kobayashi largou de último e beliscou um pontinho, em 10º. Outra grande apresentação de Kamui que terminou todas as corridas desse ano na zona de pontos.

E que alguém faça alguma coisa para pegar Vettel, é meu o pedido. Não, não é a Red Bull. É Vettel. Inalcançável. Intocável. Pelo bem do esporte e pelo bem das corridas, é bom que aconteça rápido.

sábado, 7 de maio de 2011

Inexplicável


Mais uma vez. A quinta seguida. Vettel vai largar na frente... de novo. Quatro décimos na frente de Webber, o segundo, cinco de Rosberg, o terceiro. Difícil entender tal soberania. Mais fácil nem tentar. O jeito é falar logo que Vettel vive o melhor momento da carreira e que a combinação do alemão com o RB7 é a que mais sobra nos últimos sete anos. É inexplicável. E inédito, nesse formato de treino, vigente desde 2006, que o piloto estivesse ao lado dos mecânicos para comemorar a pole position. Tal foi a vantagem que conseguiram para economizarem o pneu da segunda tentativa.

Webber dessa vez em segundo. É o único que tem o mesmo carro, logo, o único que pode tirar a vitória de Vettel em circunstancias normais. Mas como os dois pouparam a mesma quantidade de pneu vai ficar difícil para Mark tentar algo se não for logo na largada.

Boa evolução da Mercedes com Rosberg em terceiro e Schumacher em oitavo. Verdade que Schummy ficou devendo um cadinho, mas em ritmo corrida melhor não subestimá-lo(s). A Mercedes assumiu a liderança na China depois de um grande trabalho feito por Rosberg na pista, agora com as atualizações que deram um “boom” no ritmo de classificação é bem provável que o ritmo de corrida melhore ainda mais. Tem que ficar de olho.

McLaren nem bem nem mal, Hamilton quarto e Button sexto, pouco tenho a discorrer. Uma boa classificação de Alonso em quinto na frente de uma das McLaren. Enquanto a Ferrari continua congelada evolutivamente, lá vai Fernando tirando seus coelhinhos da cartola. Por outro lado, horrendo desempenho de Felipe Massa. Não bastasse ser superado por Alonso, ficou em décimo lugar e gastou um jogo de pneus moles no Q1, além dos que usou no Q2 e Q3, sem motivo aparente. Na corrida vai fazer falta.

Bom treino e boa perspectiva de corrida para Rubinho. Realmente pra situação atual da Williams o custo-benefício de se largar em 11º e poupar um jogo de pneus, é melhor do que largar em 9º ou 10º tendo feito uma tentativa no Q3. E Barrichello ainda apostou conscientemente em poupar pneus no Q1 depois da desistência de Kobayashi, outra economia bem feita. Maldonado também não foi mal e sai em 14º, sua melhor classificação até aqui. Importante pra equipe esse feito nesse momento turbulento.

Nada mais muito a acrescentar, a não ser a excelente classificação de D’Ambrosio que colocou três décimos no experiente parceiro Timo Glock. Uma pena o belga ter que perder 5 posições no grid final. Mas ainda aí nessa parte do grid outra grata surpresa. Sim! A Hispania de Liuzzi vai largar à frente das duas Virgin’s amanhã. Um esboço de crescimento, mas muito válido, diga-se.

Quanto ao costumeiro “preview” do último parágrafo, bem... Vettel, e... Vettel. Se acertar a largada ninguém tasca. Se você não gosta do Vettel e quer ver rapidamente se você tem chance de ser feliz amanhã, acorde às nove da manhã pra ver a largada, e se o RB7 número 1 pular na frente, volte a dormir, de lá ele não sai. Eu garanto, ou seu dinheiro de volta.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Seasons in the Abyss - Slayer


Na maioria dos CDs que costumo ouvir procuro, entre outras, uma coisa que quase sempre uso como critério pessoal. Solidez. Solidez no som, na técnica, na atitude, nas letras. Costumo chamar de “sustância”, de fato, tem a ver. Algo que faça o som ser robusto além de bom... combinação que me arrebata.

Seasons in the Abyss foi lançado em 1990, sendo o último disco na formação clássica do Slayer, com Dave Lombardo (que voltou em 2001) na bateria. De War Ensemble à faixa título temos aquele que, na minha modesta opinião, é o melhor disco da banda americana.

Podemos citar como grandes momentos Dead Skin Mask, faixa 5, no ritmo cadenciado, lembrando muito Groove, mas que não perde a dinâmica do thrash puro sangue. Contando ainda com o grande trabalho de Kerry King e Jeff Hanneman nas guitarras que, neste disco, se preocupam menos com velocidade e mais com elaboração. Coisa perceptível na faixa 10, Seasons in the Abyss, que tem o melhor dueto de guitarras do disco (quem sabe do Slayer). Posso dizer com toda certeza que se trata de minha música favorita dos californianos, certamente a mais completa do álbum, com temas distintos e bem obscuros.

Se faltou peso, War Ensemble e Blood Red, primeira e segunda faixas, respectivamente, podem dar o toque de “podridão” ao álbum. Na primeira, talvez o ritmo mais frenético do disco acompanhado das manjadas letras sobre massacres militares, tema batido nos discos da banda. Na segunda, apesar da cadência, um dos melhores riffs temas do disco, mostrando peso e dissonância, coisas difíceis de sincronizar de forma decente.

Expendable Youth e Skeletons of Society aparentam ser musicas irmãs, dados intervalos parecidíssimos que têm em seus começos (atente para as linhas de baixo e bateria). Outros dois sons que mostram muito bem a linha do álbum que não pretende ser rápido. O oposto, por exemplo, do renomado Reign in Blood de 1986, onde velocidade é o requisito principal, inclusive na duração das músicas.

O CD ainda conta com Spirit in Black, Temptation e Born of Fire, excelentes pedidas para um lado B de um disco bom como esse.

Seasons marca o começo de uma nova vertente dentro do estilo do Slayer. Mais técnica, menos rapidez. Menos batidas por minuto, mais peso. Tudo que o manual do bom thrash metal pede com a finalidade de que suas bandas não caiam na mesmísse da mecânica. É o que dá (muita) graça a esse álbum. Aliás, é uma das graças, dentre tantas atrações nessa sonzera.

1. War Ensemble

2. Blood Red

3. Spirit in Black

4. Expendable Youth

5. Dead Skin Mask

6. Hallowed Point

7. Skeletons of Society

8. Temptation

9. Born of Fire

10. Seasons in the Abyss

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Águas de maio


E acabou pelo menos. Bom, não sou daqueles de ficar encontrando defeito em tudo. Não sou daqueles que ficam zicando o evento, naquela de “tomara que não dê certo”. Na realidade, eu sempre sonhei com um circuito de rua em SP. Quando era menor, imaginava corridas em locais inusitados como, por exemplo, a rua da minha casa (imaginação fértil, sempre...) ou em uma das marginais, por que não?

Enfim, eu sou um dos que mais apóia a realização de uma corrida nas ruas de São Paulo. Acho interessante a idéia. E uma corrida de rua fora dos EUA (onde isso é normal) sempre chama muita atenção do público e de patrocinadores locais. Em outros termos, tem tudo pra ser um evento muito lucrativo.

Circuitos de rua normalmente têm problemas na estrutura. É normal, afinal ruas não foram concebidas para sediar corridas. Têm problemas de drenagem; o evento em si, causa problemas no fluxo do trânsito, transtorno para quem mora nos arredores da pista e sempre existe a probabilidade de dar algo errado estruturalmente devido ao nível de improviso, que é, claro, muito maior. Sempre foi assim, e sempre será. Para provar que isso não é exclusividade da prova de São Paulo, deixe-me lembrar que Barrichello abandonou o GP de Mônaco do ano passado por uma tampa de bueiro mal colocada, que lhe causou a quebra da suspensão traseira seguida de um acidente. No quesito da chuva (guardadas proporções), lembremos do GP de St. Petesburg da Indy ano passado, que foi adiado para segunda-feira de manhã também.

O maior problema foi profissional. O material humano para a transmissão. A Band informou muito mal o espectador durante os dois dias de corrida. Insiste com Luciano do Valle - que não narra bem há muito tempo nem futebol - como “locutor número 1”, quando tem alguém como Téo José, que sabe muito mais do assunto e viveu muito mais nesse meio, na reserva. Há também os repórteres, fazendo perguntas óbvias e sem a menor idéia do que estão falando. Antes de investir numa corrida para encher o bolso de grana, pensem em fazer algo decente para a cobertura a QUEM GOSTA DE AUTOMOBILISMO, que é quem dá essa grana. Invistam em profissionais e estrutura.

Fora também as pagações de mico, como beber leite ninho no pódio. Falar que Takuma Sato é o único piloto japonês na Terra, e que não é conhecido do povo brasileiro. Fora ainda os nomes de pilotos que Do Valle faz questão de errar desde 2006. Ah, e Luan Santana? Quem teve essa idéia merece ter o nome revelado... no mínimo.

Enfim, a corrida até que foi boa, apesar dos transtornos. Foi a Indy. Gosto de automobilismo, qualquer corrida me interessaria. Mas com a mentalidade atual, temos (aliás, eles têm) muito a crescer. Foi um evento mega comercial, tendo em vista uma corrida como desculpa pra encher os burros da grana. Grana dos espectadores que compareceram no primeiro dia e não foram ressarcidos devidamente como manda o bom senso.

Aconteceu, acabou, isso é o importante agora. Mas que os erros não se repitam... de novo.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A tal da pirotecnia


Lá se foram três provas. A F1 está diferente? As ultrapassagens aumentaram? Os pneus mais moles ajudaram as corridas a ficar mais movimentadas? A farofa nas beiradas do traçado denigre a imagem da Pirelli? A asa móvel funciona bem? Qual é a da volta do Kers?

São algumas questões interessantes que todos levantavam no início desse ano e volto a me perguntar agora. A maioria, meio saudosista, preferia ver a F1 pura como nos anos 80, desse modo, criticava as mudanças. Ora, a terra gira; já passamos a muito pelas décadas douradas e românticas. A F1 hoje é diferente, infelizmente e/ou felizmente. É uma discussão subjetiva, portanto não entrarei em seus meandros.

Vamos à parte objetiva do tema. F1 é sinônimo de evolução, sendo assim é preciso que se adapte às exigências do mercado futuro, sendo o grande laboratório que é esperado dela. Aí o Kers tem lugar. É uma fonte de energia renovável, e tornou se mais uma variável na fórmula de cada grande prêmio.

Vimos até agora corridas muito movimentadas e pilotos arriscando mais ultrapassagens. Já dá pra falar que o combo asa + Kers, deu certo. Embora ainda reste uma pontinha de duvida quanto a pistas que não tenham grandes retas, como Melbourne, quando boa parte da imprensa cravou um #fail mal sucedido pelo visto nas duas corridas seguintes. Veremos.

Estar na F1 é boa publicidade pra qualquer anunciante, por que para a Pirelli não seria? A marca já teve passagem pela categoria e provou (para os mais fanáticos, claro) que sabe desenvolver pneus resistentes naquele distante GP do México de 1986. A verdade é que em troca da vitrine “F1” foi que a Pirelli topou fazer pneus mais moles. Não fosse obrigada a isso, veríamos pneus duros como os do ano passado. Não acredito que pneus menos resistentes em prol da competitividade manchem a imagem de uma marca forte como a Pirelli. Pelo contrário, se o fazem é porque, em tese, não têm medo de vê-los estourar, sendo assim, assumindo o risco.

E foi com esses pneus mais moles que as corridas ganharam mais vida. Além também da nova (ou velha) variável do trabalho de Box, bom ou ruim, numa das duas ou três paradas normais durante as três primeiras provas. O piloto/carro que poupa os pneus preservando o ritmo de prova tem grande vantagem na economia de paradas nos boxes. A Sauber fez isso muito bem na Austrália e na Malásia, deu no que deu (ou daria no caso da Austrália). Mas isso só funciona com ritmo de corrida, sem ele o resultado é desastroso, como vimos no caso das Ferraris e Vettel na China. Portanto as equipes devem manter-se atentas durante todo o fim de semana quanto à durabilidade dos pneus, sobretudo, em “long runs”.

Enfim. A F1 está diferente. Tem uma nova cara que anda agradando a quem gosta do bom show. A tal pirotecnia. Ao mesmo tempo em que F1 é um esporte, também é show e entretenimento. De uma visão global, a temporada ainda promete muito e desperta muita curiosidade nesses aspectos.

O problema é que tem um alemão voando. Alguém que parece imbatível, com um carro que lhe veste perfeitamente. Será que ele coloca água nesse choppão?

terça-feira, 26 de abril de 2011

Too Close


Setenta corridas. Foi isso que separou a Rio 400k de 1997 do GP de Nazareth de 1992. O que essas corridas têm em comum? Bobby Rahal.

O americano havia sido campeão da Indy no ano de 1992 pela última das três vezes em sua carreira, Nazareth havia sido seu último triunfo. Desde aquela prova num longínquo 4 de Outubro, Bobby jamais havia se encontrado perto de outra vitória na Indy. Muito tempo havia se passado, seu time já não tinha mais o mesmo gás para brigar por corridas e um campeonato era algo inimaginável.

Mas eis que cinco anos depois, Rahal tinha sua melhor chance de fazer as pazes com o sucesso, no Rio de Janeiro. Havia tomado a ponta do pole, Maurício Gugelmin, na 14ª passagem, liderando, a partir daí, a primeira das 102 voltas que lideraria ao todo na corrida. Porém a falta de bandeiras amarelas (ou a má distribuição delas) seria determinante para o resultado final das 133 voltas da prova. Na volta 84 Bobby foi aos pits pela segunda vez na prova. Duas bandeiras amarelas, das oito do dia, viriam ainda a acontecer depois da última parada do patrão do Team Rahal.

Porém após a última, na volta 98 - que durara apenas quatro voltas, graças a uma rodada de Michel Jourdain Jr. - os computadores da equipe Rahal acusavam algo preocupante para os engenheiros de Bobby. O metanol em seu Reynard-Ford não duraria até o fim da prova caso fosse por inteira disputada em bandeira verde. Precisaria ao menos de mais uma ou duas voltas sob bandeira amarela. Algo que quase ocorreu na volta 125, quando PJ Jones parou seu carro com o motor Toyota estourado... fora da pista.

A partir dali seriam mais oito agonizantes voltas para engenheiros e pilotos. Paul Tracy, Greg Moore e Gil de Ferran haviam parado uma volta depois de Bobby, na 85; e tinham os mesmos problemas de consumo. Era tudo ou nada para os quatro.

Duas voltas para o fim, e o primeiro deles caí. Gil de Ferran, que não resistira ao ritmo fortíssimo imposto pelos primeiros colocados e se rendia a um splash and go.

Poucos segundos depois disso seria a vez de Bobby Rahal ficar sem combustível na curva 4 de Jacarepaguá. Tracy o passaria por fora para receber a bandeira branca e uma volta depois a quadriculada em seu lugar. Rahal, depois do Splash and go, teria que se contentar com um inexpressivo 10º lugar, a uma volta do canadense da Penske número 3. Uma volta (84-85)... que fez toda a diferença.

Após a bandeirada, mesmo frustrado, Rahal ainda brincou*: "Tenho que ensinar PJ a parar no meio da pista". Uma frustração que deve tê-lo tomado até o fim de sua carreira, já que não mais conseguiria subir ao degrau mais alto do pódio até o fim de 1998, quando deu fim a seus dias de piloto passando a ser apenas chefe de sua equipe.

Veja o vídeo dramático do fim da prova...
...
...no Youtube, já que algum infeliz desabilitou o "incorporar".

*Anuário AutoCourse 1997-98

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Para gostar de Bad Religion (Vol.10)


Última da série do blog, Punk Rock Song. Penso não haver música melhor para encerrar do que essa. Além do belo riff, da letra consciente, existe outra versão da música cantada em alemão, a qual admito que não conhecia até fazer este post. Vale como curiosidade, outra dentre algumas poucas que contei aqui.

Bad Religion é a maior prova viva de que se pode ser velho e gostar de punk rock. Os caras estão aí desde os anos 80 com a mesma fórmula (são o Iron Maiden do punk!) e energia. Tem suas fases ruins, naturalmente. Tem um som inconfundível, o qual conseguimos reconhecer ao ouvir a voz de Greg Graffin (marca registrada), ou algum riff punk em velocidade moderada (essa última se aplica só se levarmos em consideração a banda de 1989 pra frente, mas generalizando é isso aí). Tem letras politizadas e abrangentes quanto aos "dogmas sociais" que vigoram entre nós até os dias atuais. E o principal, tem muita presença no som e na atitude. Uma bela banda.

Quer ouvir tudo de novo? clique aqui.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Para gostar de Bad Religion (Vol.9)


I Want to Conquer the World. Sexta música do disco No Control. Faria um comentário maior se tivesse tempo pra isso. Boa música, seguindo o padrão da primeira época do Bad Religion, anos 80. Enfim, ouçam a nona, e penúltima, música da minha coletânia aqui no blog.

Enjoyem!

domingo, 17 de abril de 2011

Em tom de reação


Tenho que dizer uma coisa. Gosto de ver vitórias do Hamilton. Normalmente todas elas são como essa da China. No trabalho, na vontade, na garra. Pulou pra segundo na largada, depois da primeira parada foi parar em quinto, e teve que passar Button – o daltônico – e Rosberg (com uma ajudinha de Maldonado, é verdade) na pista. Além de Massa e Vettel, que pela tática horrível de duas paradas, não conseguiram chegar ao fim com os pneus em condições decentes de defender uma posição. Hamilton fez uma das melhores corridas que já tive prazer em ver. Lembrando do drama que foi sair com o carro pro grid... quase que Lewis larga do pit.

Enfim, Lewis é aquele piloto que enche os olhos, não mede esforços para fazer uma ultrapassagem e luta por uma posição com a gana que todo espectador adora. Perfeito.

Tudo muito bom, tudo muito bonito. Mas é preciso lembrar que Vettel largou mal e Webber veio de 18º, e ambos completaram o pódio. Ou seja, Red Bull ainda é de longe o carro. Vettel ainda é o piloto. Tive a nítida impressão de no primeiro stint o alemão não estar arriscando aquilo que podia pra cima das McLarens. Não saiu vencedor da China por causa de sua largada péssima e da tática horrível, provavelmente motivada pelo impressionante ritmo de Rosberg. É cedo pra falar se a McLaren chegou, mas de fato o ritmo dos carros em corrida é muito similar, porém Red Bull ainda leva vantagem.

A corrida de Webber, o terceiro, é a maior prova de que quanto mais paradas se fizer, melhor, desde que o piloto seja combativo. Falem mal, mas é o regulamento desse ano funcionando, e muito bem. Bela prova do australiano, quem sabe aí, renascendo em 2011.

Button cometeu o erro mais imbecil que eu já vi na F1, enquanto liderava. Confundiu um box da Red Bull com um da McLaren. Coisa complicada, já que o uniforme de uma equipe é azul e o da outra é branco, e Jenson já corre na McLaren há mais de um ano. Ainda levou uma ultrapassagem linda de Hamilton, ou seja, tudo que o inglês fez depois da largada, só foi bobagem.

A linda tática de Rosberg. Daria certo, não fosse o problema de consumo de combustível; Maldonado, que saiu do pit como se nada nem ninguém estivessem na reta; e o erro ao tentar pela primeira vez passar Felipe Massa. Não fossem esses contratempos, Rosberg teria pelo menos ido pro pódio, mas poderia muito bem vencer sua primeira prova na F1 também. Quinto lugar para o alemão.

A Ferrari se mostrou bem de novo no ritmo de prova, mas em estratégia deve ainda. “É fácil de falar no fim da prova”, alguém diz. Mas, há um ano sabemos que quem tem pneus mais novos, consegue impressionante vantagem no ritmo de prova. Economizar uma parada depois de um primeiro stint como foi o de Felipe Massa, não foi lá muito inteligente. Podia ter ido pro pódio o brasileiro, quiçá brigado pela vitória, ficou só em sexto. Alonso, quem diria, sequer foi citado direito na corrida, e chegou ao fim levando um calor de Schumacher. Embora tenha sido vítima da tática ruim também, dou-me liberdade em dizer que essa foi disparada sua pior atuação desde que começou a andar nos carros rubros de Maranello. Sétimo.

No mais o bom treino de Force Indias e Toro Rossos não acabou dando em nada na prova. Nem perto de fazer algo interessante. Mas foi o treino que atrapalhou muito a Renault, o nono lugar de Petrov poderia ter sido algo muito melhor. Um único abandono, Alguersuari, e uma prova cheia de alternâncias, como foi esse GP da China, permitem dizer que o regulamento está funcionando bem. Pretendo aprofundar esse tema no blog depois, mas o resultado “pirotécnico”, digamos assim, das novas regras técnicas está muito bacana.

Gostei da prova, melhor do ano até aqui. E Hamilton provou que se derem carro e condição, ele faz. Lewis jogou uma luzinha de esperança em 2011, quando já estávamos sepultando o ano ontem depois do treino. Quem sabe não é o início de uma bela reação?

sábado, 16 de abril de 2011

Cadê você, F1?


Se era ameaça, agora é quase realidade. Vettel como uma máquina passa por cima de tudo e todos. Simples e assustadores 0.7s em Button, segundo no grid. Enfim, fica difícil tentar algo na corrida. Não dá pra saber nem onde o RB7 ganha tempo, tão grande é sua vantagem aos outros. Voltamos a 2004, com a Ferrari pintada de azul e um bom aprendiz de Michael Schumacher no volante. Lascamo-nos.

O difícil é entender como Mark Webber conseguiu, com esse avião supersônico chamado RB7, ser nocauteado no Q1 em 18º. Debitou da conta dos pneus duros e excesso de confiança. Não é desculpa, canguru. Você teve três treinos para "entender" como os jogos de pneus funcionavam em Xangai. Pisou na bola. Pelo menos será interessante de vê-lo em recuperação amanhã. Enquanto um Red Bull trabalha pra tirar emoção da F1, o outro vai dar show. A conferir.

Boa classificação da McLaren com Button, segundo, abrindo seu placar na disputa interna com Hamilton, terceiro. Mas é bom ficar de olho no inglês do McLaren número 3. Economizou pneus, e se a vantagem da Red Bull de Vettel não for tão grande na prova, pode incomodar.

Massa dessa vez conseguiu ficar a três centésimos de Fernando Alonso, sexto e quinto, respectivamente. Vamos ver se o ritmo de corrida dos carros de Maranello no frio chinês é tão bom quanto foi no calor malaio.

Gratas surpresas no treino foram os Toro Rosso. Salvo engano não classificavam os dois carros para o Q3 desde o GP do Brasil de 2008. Grande trabalho, finalmente aquela competitividade que diziam na pré-temporada deu as caras. Alguersuari sétimo e Buemi nono.

Também aí Paul Di Resta, oitavo, que ainda não sabe o que é largar atrás de um companheiro de equipe na F1, bom trabalho do escocês, se bem que ambos STR e Paul devem seu lugar no Q3 a Vitaly Petrov, que parou seu carro no meio da pista no fim do Q2 e forçou um "rush" que não teve vencedores.

Além desses, Rosberg com a Mercedes conseguiu um lugar na segunda fila, a frente das duas Ferraris. Melhor classificação da Mercedes no ano e de longe enfiando tubo em Schumacher, 14º.

Nas surpresas negativas, além de Webber e Schumacher, as Renaults presunçosas e Sutil que vai levando uma surra de Paul Di Resta.

Mas Vettel vai ser absoluto, impossível... de novo. A não ser que erre, o que é difícil sozinho e com um carro tão bom. E a F1, tão louvada no ano passado pelas disputas, esse ano não veio... ainda. Cadê você, F1?

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A faceta chinesa


É dito que todos os campeões têm seus dias de azar. Aqueles dias em que nada dá certo, e que uma simples ultrapassagem em um carro mais lento pode virar um desastre completo. No caso de Michael Schumacher esse dia, ou esses dias, aconteceram consecutivamente nas duas primeiras visitas da F1 ao circuito de Xangai, na China.

Em 2004 o alemão era o homem da temporada. Fora campeão em Agosto, ao fim do GP da Bélgica, e com uma bagagem de nada menos que 12 vitórias nas 14 corridas disputadas até ali. Mas na China... a sorte mudou. Na sexta-feira um problema eletrônico no carro era uma má profecia daquilo que seria seu fim de semana. A irritação do recém heptacampeão mundial com o problema- coisa rara durante aquela temporada - virou ira quando, em sua volta lançada durante o treino classificatório de sábado, perdeu o controle de seu F2004 na primeira curva do circuito de Xangai, dando belas duas rodadas completas até ir parar na caixa de brita (vídeo). Volta abortada. O alemão, do alto de seus sete títulos, largaria do box, no primeiro GP chinês de F1.

Na corrida, mais problemas. O primeiro deles em uma tentativa de ultrapassagem desastrada sobre o Jaguar de Christian Klien, na volta 11. Schummy colocou por dentro depois da grande reta sem totais condições de uma ultrapassagem segura. Resultado? Colisão e o abandono do austríaco com a suspensão destruída por Schumacher. Não satisfeito, Schumacher faria ainda mais. Após levar uma volta do quarto colocado Alonso, querendo acompanhar o ritmo do espanhol, Michael andava rápido, até que um erro de principiante na curva 13 faria o alemão rodar sozinho. Schummy estava irreconhecível.

A corrida já estava praticamente perdida quando, em outro golpe de azar, o pneu traseiro esquerdo de seu Ferrari furaria, a nove voltas do fim. Com sua corrida já terminada praticamente, Schumacher conseguiu ainda sair de Xangai pelo menos com um prêmio de consolação além do 12º lugar, a volta mais rápida, justamente no último giro da corrida.

Em 2005, um ano completamente diferente. Schumacher e Ferrari enfrentavam dificuldades com o carro mal nascido. Só haviam ganho uma corrida a temporada inteira, o GP dos EUA, quando apenas seis carros largaram. Uma (meia)vitória em 18 corridas, um ano depois do domínio absoluto em 2004.

Schumacher se classificou para a última corrida do mundial, na China, em um relativamente bom sexto lugar. Relativo em comparação ao domínio de 2004 que nem de perto se viu em 2005. A única pole position de Schummy neste ano fora na Hungria. Meia hora antes da largada, como de costume, os pits foram abertos para as voltas de instalação dos pilotos. Schumacher saíra do pit lane, e andava lentamente com seu Ferrari pela pista chinesa. Num descuido após a curva três, o alemão cruzou com seu carro o meio da pista, e o holandês Christijan Albers da Minardi, bem mais rápido, não teve como escapar do acidente bizarro (vídeo). Ambos foram obrigados a largar do Box e com o carro reserva.

Passado o vexame, na corrida Schumacher vinha num excelente ritmo. Com 20 voltas completadas o alemão já era 10º colocado. Duas voltas depois, o Safety Car fazia sua primeira visita à pista chinesa, graças a um ralo fora do lugar na curva dez. Schummy estava próximo de Massa, na Sauber, quando chegando à curva oito, o alemão tentando aquecer os pneus derrapa, perde o controle do carro e vai parar na caixa de brita, ficando por lá definitivamente. Sim, o grande Michael Schumacher estava fora da prova devido uma rodada durante um Safety Car. Inédito, mais ainda pra um heptacampeão de F1. Veja o vídeo abaixo, detalhe para a comunicação de rádio do engenheiro a Felipe Massa noticiando a rodada.

A história de Schumacher com o GP da China teria esse final pífio se em 2006 o alemão não usasse seu grande talento para vencer os imbatíveis Renaults de Alonso e Fisichella na chuva, naquela que foi sua última vitória na F1. De qualquer forma, não apaga as duas primeiras corridas do alemão em Xangai, que não foram mais do que vergonhosas e também, por que não dizer, muito curiosas.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Para gostar de Bad Religion (Vol.8)


Parte final da nossa coletânia. Hoje trago a 8ª música, Honest Goodbye do disco New Maps of Hell de 2007. Nada pra comentar, linha Bad Religion, naquele que foi o primeiro hit desse álbum, que é o penúltimo da banda até os dias atuais. Dê play cante OWOWOWOOO, você também.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sem sombras...


... Rivais ou algozes. Vai virando rotina o domínio avassalador de outro piloto na F1, outro alemão. Sebastian Vettel, que fez uma corrida à parte do resto. Enquanto todos davam o sangue por posições em disputas acirradíssimas do segundo lugar em diante, a corrida de Vettel se pautou a ultrapassar retardatários. Fez apenas uma única ultrapassagem valendo posição, em cima de Massa logo antes da segunda parada do brasileiro, quando Sebastian já tinha a feito e voava. Soberania incrível, que ainda está no estágio de profecia, mas que em um piscar de olhos pode virar realidade e termos um campeonato amplamente dominado por mais (ou seria menos?) que um carro, um piloto. Ai, ai...

A corrida foi interessante. Várias disputas e combatividade fizeram do GP da Malásia, bem emocionante. Algo que se pode debitar da conta dos pneus mais moles produzidos pela Pirelli. Fato é que para o show, várias paradas rápidas nos boxes, com diferenças de desgaste nos pneus dos carros, movimenta bastante a corrida. Falem mal, falem bem, é a verdade. A DRS me deu a impressão de ser meio inútil se seu uso não for acompanhado do KERS. Acaba não resolvendo muito o problema das ultrapassagens, leia-se as dificuldades que Mark Webber enfrentou ao tentar ultrapassar nas retas não podendo usar o KERS.

Boa corrida de Button e McLaren. Embora Hamilton estivesse mais rápido, Jenson fez uma atuação sólida e constante, poupando bem seus pneus. Lewis chegaria ao pódio não fosse seus problemas no fim da prova com os pneus e a batida com Alonso. Recebi a notícia de sua punição ao fim da prova pensando em injustiça, mas agora, pensando bem, fazer desde pequenos a grandes “slalons”, é terminantemente proibido em qualquer categoria do automobilismo. E Hamilton fez isso, e não foi uma vez só.

A Ferrari teve bom ritmo de prova. Massa talvez tenha feito sua apresentação mais convincente depois da “molada” de 2009. Andou o fim de semana inteiro, exceto Q3, no mesmo ritmo de Fernando Alonso. Felipe chegaria ao pódio não fosse atrapalhado pela Ferrari no box. Alonso foi na balada de Felipe depois de ultrapassado pelo brasileiro na largada. Porém se animou demais atrás de Hamilton, cometeu um erro imperdoável e teve uma punição justa. Pisaram na bola, perderam o pódio.

Nos destaques positivos, Heidfeld com um pódio que espanta de vez as dúvidas sobre sua performance. Kobayashi fazendo o que sabe fazer de melhor, encher nossos olhos com seu arrojo (dessa vez levando os pontos pra casa) e Paul Di Resta que pontuou pela segunda (na verdade primeira) vez em duas provas. Bom início do escocês.

Nos negativos Webber lerdo como na Austrália, ficando anos luz da performance de Vettel, Mercedes que mais uma vez parece que veio fazer fogo em palha e Petrov com seus erros e seu aério no melhor estilo WRC.

Já não é mais tão difícil fazer prognósticos. Tende a ser um ano com muitas disputas dentro da pista, pilotos indo ao limite durante mais tempo e muitas trocas de pneus. Algo que abrirá espaço para mais erros. Mas dentro do que já se viu, parece que Vettel ficará alheio a isso tudo... pelo menos até que alguém chegue no ritmo de seu Red Bull número 1, e desperte seu ego "crash kid".

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Para gostar de Bad Religion (Vol.7)


Shades of Truth, segunda do disco No Substance de 1998. No estilo baladinha, mas sem perder a agressividade de costume nas letras. Na verdade, digo "baladinha" apenas por conta de ser mais lenta, de qualquer forma continua sendo o mesmo Bad Religion que estou a apresentar a vocês por estas bandas. Pessoalmente confesso que amo essas baladinhas com a voz de Greg Graffin, que, no meu modo de ver, é perfeita para o estilo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Para gostar de Bad Religion (Vol.6)


A música, o sucesso, o hit. Normalmente começa-se gostar de uma banda pela música mais famosa, a que toca mais no rádio, a que todo mundo ouve. E nesse sentido quando falamos em Bad Religion, falamos em American Jesus do disco Recipe for Hate de 1993. Com sua letra... digamos, politicamente incorreta, induzindo o leigo a erro (sim, conheço alguns leigos), American Jesus tem o poder de fazer as pessoas amarem ou odiarem Bad Religion. Uma bela prova de fogo pra você que segue a série.

Aproveite a letra, dê play e nunca mais se arrependa!

terça-feira, 5 de abril de 2011

4 Fun


- E aí, cara? Beleza?

- De boa. E aí?

- Suave! Você viu, meu? O Raikkonen vai pra NASCAR.

- Kimi Raikkonen? Cala a boca. Tem noção da sandice que você acabou de dizer? Kimi nos EUA, com aquele monte de caipira?

- É, cara.

- Só acredito vendo...

De fato, eu só acreditaria vendo. E vi uma vez, vi duas e... vi de novo. E é fato. Kimi Raikkonen assinou com a equipe de Kyle Busch na Truck Series (terceira divisão da NASCAR) para fazer, a partir de 20 de maio, todas as corridas que não coincidirem com etapas do WRC. O que intriga não só a mim, como a maioria dos fãs de automobilismo e de Kimi é: O que estaria Raikkonen fazendo? Chegar aos ralis era compreensível sendo pacato e bucólico, como um europeu nórdico típico. Mas ir à NASCAR? O dialogo supracitado seria a reação natural de 11 entre 10 fãs de automobilismo que acompanharam sua carreira de 2001 a 2009.

Porém analisando desse ponto de vista frio, acredito não estarmos vendo a “verdadeira faceta” por trás do piloto finlandês. Kimi, como qualquer piloto, gosta de carros, de correr, e sente prazer na competição. Foi essa desculpa que usou (ou usaram pra ele) para ir ao WRC em 2010, sugerindo que na F1 não tinha mais o mesmo “tesão” em competir, pelo fato de ter que ser excessivamente diplomático e burocrático em seus atos durante os fins de semana de GPs.

E lá foi Kimi, bater uns carros no meio do mato. Conseguiu um 10º posto no campeonato do ano passado, tendo como melhor resultado um quinto lugar no rali da Turquia. Pouco. Pouco pra quem foi campeão do mundo de F1, pouco pra quem foi considerado o sucessor de Schumacher depois de uma disputa fantástica com o alemão em 2003. Pouco pra quem ganhou um GP do Japão saindo de 17º, pouco para quem era tido como único de talento suficiente a ameaçar a superioridade técnica de Fernando Alonso nos idos de 2005. Pouco para o que o nome Kimi Raikkonen representa.

Mas vá. Ele estava se divertindo. Ah... diversão. Essa é uma palavra que deveria estar mais presente no dicionário dos terráqueos. Foi atrás disso que Kimi foi ao rali, e é atrás disso que irá à NASCAR. Pelo prazer de competir, pelo prazer de ganhar uma corrida, por aquele bendito fracasso que o instiga a ir vencer os seus próprios limites no outro dia. Pelo gostar de correr, pelo “viver”, e pela oportunidade de entender o porque raios os caipiras do Mississipi amam ficar três horas virando o carro pro mesmo lado.

Disse aqui, quando Liuzzi assinou com a Hispania, que o automobilismo não se resumia só a F1, e não entendia o porque de o italiano se submeter a tal massacre de nervos para continuar no mercado da categoria. Tudo bem que a diferença técnica de Liuzzi pra Kimi é eterna, mas pra quê insistir?

Raikkonen é um cara corajoso. Admirava-o por sua decisão impávida de trocar a tão poderosa e glamorosa F1 por “tomadas de tempo” a quilômetros da metrópole mais próxima. E agora essa, ir pra NASCAR. Algo impensável duas semanas atrás para um finlandês, piloto de Rali e de F1. Pode ser que Kimi se ferre por lá e pare de achar graça na aventura (como eu acho que vai), mas Raikkonen deu a todos um exemplo de que tem prazer pelo esporte a motor, seja qual for a categoria, ou modalidade.

Divirta-se, Kimi!

domingo, 3 de abril de 2011

Para gostar de Bad Religion (Vol.5)




Sim. A mesma banda tem duas versões da mesma música. 21st Century (Digital Boy), a primeira do disco Against the Grain de 1990 e a segunda, a versão mais conhecida, do disco Stranger than Fiction de 1994. Uma com, outra sem Brett Gurewitz, daí, às vezes, por isso existem as duas versões. Ao certo, confesso que não sei. O fato é que a primeira faz parte do "lado B" do álbum de 1990, e a segunda foi lançada como "hit", e é hoje uma das músicas mais famosas do Bad Religion. Não tenho favoritismo algum, gosto de ambas. Apenas acho uma situação bem curiosa. E não é?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A primeira da Moto2


Ano passado a Moto2 realizou sua primeira corrida no Catar, claro. Não seria diferente das demais categorias organizadas pela Dorna. Porém a primeira prova que tivemos que a categoria não seria meramente a substituta das 250cc fora a segunda etapa, o GP da Espanha em Jerez de la Fronteira.

A pole position havia ficado com o japonês Shoya Tomizawa da equipe Suter, que ganhara a primeira corrida no Catar. Com o detalhe de que Shoya não participou dos últimos 20 minutos da sessão classificatória, graças a uma queda. Junto com ele na primeira fila, respectivamente, Jules Cluzel, da Aspar, apenas dois milésimos atrás do tempo do japonês, Toni Elias, com sua Gresini, e Yuki Takahashi, da Tech 3.

A corrida seria disputada em 26 voltas a princípio. Na largada Simone Corsi da equipe JiR pulou do décimo lugar para a ponta. Tomizawa vinha perto. Tentou uma manobra por dentro na curva Dry Sack (curva onde Schummy jogou o carro em Villeneuve), porém óleo em sua tangência fez com que Shoya fosse “despachado” ao chão instantaneamente na hora da freada, mas não só ele. Nada menos que nove motos foram ao chão pela linha da mancha de óleo, incluindo Cluzel, Elias, Abraham, Bradl e Iannone. Bandeira vermelha.

Na volta, a prova foi encurtada para apenas 17 voltas devido ao delay de 30 minutos. Largaram, e começaria ali uma das provas mais disputadas em todos tempos do motociclismo mundial. Tomizawa, Elias, Takahashi, Simon, Noyes, Gadea e Thomas Luthi passariam a corrida praticamente inteira a menos de um segundo um do outro e trocando de posições constantemente. A empolgação era tanta que ao assumir a liderança pela primeira vez Elias, após a primeira curva, deu três tapas na rabeta da moto para provocar os outros postulantes à vitória.

Enganam-se aqueles que pensam que os envolvidos na batida haviam trocado de moto. Estavam com as mesmas que haviam ralado no chão e batido umas nas outras. De Angelis sequer alinhou para a segunda largada com danos em sua motocicleta, e a de Tomizawa tinha problemas de equilíbrio. A oito voltas do fim o japonês passou Kenny Noyes pela liderança na última curva do circuito, mas na retomada de aceleração um susto. Sua moto com o chassi desalinhado balançou tanto e tão rápido que fez Shoya, para não cair, regredir ao quarto lugar.

Tomizawa se recuperaria de forma fantástica, cruzando em primeiro lugar a abertura do último giro. Elias, em segundo, estava próximo e apostou todas as fichas na curva Dry Sack. Toni se jogou ao lado de Tomizawa, adiou o máximo possível a freada e, jogando a traseira de sua Gresini, roubou de forma magnífica o GP da Espanha do japonês.

Elias venceu, seguido de perto por Tomizawa, Thomas Luthi e Takahashi. Detalhe, a diferença entre Elias e Takahashi foi de apenas 0.558s. Menos de um segundo entre o primeiro e o quarto. Um grande duelo, que dou a mim permissão de colocar como a primeira corrida da Moto2, uma categoria que enche os olhos dos fãs quando o assunto é disputa.

Neste fim de semana as motos voltarão a Jerez. Porém os dois primeiros colocados não estarão no grid. Elias se mudou de volta para a MotoGP após ser o primeiro campeão da Moto2 em 2010. Sofreu na primeira corrida no Catar e tentará se reencontrar na Espanha. Já Tomizawa ainda no ano passado encontrou o destino durante o GP de San Marino, em Misano. Uma fatalidade que custou sua curta vida a 15 voltas do fim da corrida, quando após cair foi atropelado seguidamente por Scott Redding e Alex de Angelis.