quarta-feira, 29 de junho de 2011

"Super Sic... rash"


Cinco batidas em sete corridas. Número assustador. Mas não é só isso que o italiano Marco Simoncelli colecionou neste primeiro semestre de 2011. Junto a essas batidas, há também pilotos descontentes com seu estilo de guiar. O maior deles é Jorge Lorenzo - que inclusive estrelou ao lado de Marco uma briga, graças a um toque envolvendo os dois em Valência no ano passado. Tudo a frente da imprensa mundial numa coletiva antes do GP de Portugal - no qual Simoncelli caiu, inclusive.

O talento de Simoncelli é inquestionável. Já são duas poles nas últimas três provas - e com uma equipe satélite, que não ganha corridas desde 2006. Em contrapartida, o italiano não conseguiu converter esses bons resultados nos treinos em boas corridas; Marco sequer chegou a um pódio e caiu na liderança do GP da Espanha. Seu melhor resultado são dois quinto lugares: no noturno GP do Catar e na França - o que inclusive o faz ocupar apenas a 10ª posição no campeonato com 39 pontos.

Não bastasse, ainda fez inimigos. Além de Lorenzo, Dani Pedrosa (que foi tirado da luta pelo campeonato por uma contusão na clavícula esquerda depois de um acidente com o italiano na França), Hector Barberá (que reclamou a seu respeito pelo Twitter), Casey Stoner e o antigo rival Andrea Dovizioso. É até plausível dizer que Marco esteja estragando uma possível briga bonita pelo título desse ano, já que tirou Pedrosa de combate por três provas, e na última corrida, na Holanda, bateu em Lorenzo na quinta curva após a largada.

Pior, Simoncelli está desperdiçando talvez o momento de maior ascensão de sua carreira na MotoGP. Jogando fora boas performances e criando má fama no meio. Além do que, um bom 2011 de Simoncelli poderia colocá-lo, porque não, no lugar do até agora inexpressivo Dovizioso na equipe de fábrica da Honda.

Ainda há muito pra acontecer nessa temporada, mas se “Super Sic” não tomar cuidado pode marcar sua carreira por muito tempo com esse estilo agressivo demais. Para o campeão de 2008 das 250cc, é hora de usar sua velocidade e seu arrojo naturais a conta gotas, para não estragar suas corridas e não prejudicar os outros nas próximas provas.

Próxima que, por coincidência, é o GP da Itália, em Mugello. Com Rossi lutando com uma Ducati ainda desajustada e estando Marco a bordo da grande moto do momento - a Honda - é uma boa hora para espantar de vez as criticas... ou então se afundar nelas, fazendo o que tem feito. Está aí a primeira prova de fogo para o possível sucessor de Valentino Rossi - que, diga-se, também começou na 500cc dessa maneira frenética.

domingo, 26 de junho de 2011

Mais do mesmo

**

Dá pra falar alguma coisa do GP da Europa? Dá até. Que foi uma corrida (muitíssimo) abaixo das expectativas. Que nem asas móveis foram suficientes para fazer de Valência um circuito digno de receber a F1. Que Vettel continua soberano e deixando claro que está num patamar técnico muito mais alto que os demais neste ano. Portanto, mais do mesmo.

Alonso num sólido segundo lugar, Webber a míngua num terceiro que deixou muito a desejar. Hamilton fez o que deu em quarto, Massa um pouco abaixo do esperado em quinto e Button num apagado e problemático sexto. Nada muito mais a acrescentar depois de dito isso. Destaque, claro, para Alonso que compensa o carro ruim da Ferrari com grandes atuações. Entre os primeiros, o único a vencer o incomum caminho das pedras de hoje: Ultrapassar nas zonas de ultrapassagem.

Aliás, aproveitando o gancho, gostaria de expressar minha indignação com a curva 10 (acho que até mais, a seção 8-10) do circuito espanhol. Matava todas as chances de ultrapassagens nas duas retas subseqüentes. Era interessante ver como o piloto de trás sempre chegava perto durante a volta e perdia todo o contato no momento da retomada de velocidade na travada 10, a curva logo adiante da ponte bonitinha e ordinária. Uma questão básica de lógica: Quem acelera primeiro, sai mais rápido e abre vantagem. Simples, porém não dominada por Seu Tilke.

Faço aqui por fim uma menção muito honrosa a Jaime Alguersuari. Correndo em casa, saindo de 18º e sob (muita) pressão interna, conseguiu “achar” em Valência um deslumbrante oitavo lugar que o deixa empatado com Buemi no campeonato de pilotos. Um grande resultado num momento mais do que oportuno. Vai ser uma briga interessante até (se chegar) o fim do ano.

Hoje o post saiu mais curto. Acho que esse GP não merece mais do que isso. Vai entrar na história sendo uma das três corridas de F1 que não tiveram abandonos, ao lado de Holanda 1961 e o recente GP da Itália de 2005. Mas que isso não seja tido como uma evolução do mundo da F1, pelo contrário (à parte a confiabilidade dos carros). Tem-se aí camuflado um retrocesso. Ser uma categoria que vende cada vez mais eventos do que corridas de verdade a seus espectadores. Tudo a troco de grana. Infelizmente corridas decentes e este circuito de Valência são coisas que não andam nem nunca andarão juntas. Mais do mesmo.

Por sinal, corrida... teve isso hoje? Esteve mais para desfile à beira mar.

**Foto meramente ilustrativa.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

De Campeão


Ultimamente temos usado bastante o termo “Corrida de Campeão”, graças ao show que deu Jenson Button no Canadá. O GP da Europa tem em seu passado uma corrida parecida; logicamente não igual, dadas as circunstâncias da corrida em Montreal, mas semelhante no que diz respeito a uma atuação extraordinária em circunstâncias adversas.

Em 1995 a F1 voltava a Nurburgring para o GP da Europa depois de um hiato de 10 anos sem corridas no circuito alemão. Quem dominava a temporada até ali era também um alemão que ia atrás de seu bi-campeonato, Michael Schumacher. O alemão poderia ser segundo em todas as quatro corridas até o fim da temporada que não perderia o título para o inglês Damon Hill, que, mesmo se as ganhasse, ficaria ainda um ponto atrás de Michael. Porém, no Box da Williams quem brilhava àquela altura era Coulthard, que cravava a terceira pole seguida e vinha de vitória em Portugal.

O domingo começou já agitado. As condições não eram próprias para a realização do warm-up. Uma neblina densa atrasou a sessão em 35 minutos.

Depois, ainda antes da largada, na volta de instalação, Coulthard rodou e deixou seu carro apagar. Pulou no reserva de Hill. Com a pista molhada secando gradativamente, Alesi, largando em sexto, resolveu partir de pneus slicks apostando que o trilho já existente fosse suficiente para os pneus lisos. Estava certo. Poucas voltas após a largada os primeiros colocados foram obrigados a ir aos boxes trocar os intermediários por pneus slicks.

Assim, o francês abriu uma vantagem de mais de 20 segundos para Coulthard, Schumacher e Hill. Schumacher segurava bravamente a posição de Damon, que chegou a passá-lo, mas num descuido um pouco mais adiante, acabou perdendo novamente para o alemão. Uma volta depois os dois se tocaram, quando Hill tentou passar Schummy por fora na curva 8. Ambos seguiram, porém começavam a chegar em Coulthard, que sofria com a falta de equilíbrio do carro reserva de Hill. Schumacher rapidamente, aproveitando-se de retardatários, fez a ultrapassagem na chicane. Pouco depois o escocês cederia sua posição para Hill.

Na metade da prova, Alesi entrava para fazer sua única parada nos boxes. Voltou perto de Hill, que andava sozinho na pista depois que Schumacher entrara no Box. Na afobação, o inglês, tentando a qualquer custo uma ultrapassagem, foi trancado pela Ferrari 27 na curva 8. Resultado, spoiler quebrado.

Mas quem começava a chamar a atenção era Schumacher. Seu ritmo era fantástico depois de sua última de três paradas há 15 voltas do fim. Saiu dos boxes a mais de 22 segundos de Alesi e tirava vertiginosamente mais de dois segundos por volta. Enquanto isso, Hill entregava praticamente o campeonato a Schumacher com um erro, novamente, na curva 8. Com isso, se Schumacher vencesse, precisaria de apenas mais três pontos nas três ultimas provas; no entanto, Alesi ainda estava a mais de 12 segundos à frente.

Mas por pouco tempo. Schumacher batia volta mais rápida atrás de volta mais rápida. Para facilitar o trabalho do alemão, Alesi errou a seis voltas do fim a chicane que ironicamente teve ajuda de Schumacher no desenho, lá se iam cinco segundos. A quatro voltas não existia mais diferença. Alesi negociava ultrapassagens difíceis em retardatários. Schumacher esperava a hora do bote, que ocorreu certeiro uma volta depois. Melhor do que eu contar é você ver:

Depois da manobra magnífica, Schumacher ganhou aquela que pode ser considerada uma de suas melhores vitórias na carreira. Constante e soberbo, o alemão colocava uma mão na taça depois de exímia atuação no GP da Europa.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Plág... ops, inspiração [4]



Outro caso envolvendo introduções instrumentais. Primeiro, o clássico do AC/DC, Highway to Hell, lançado em um disco de mesmo nome no ano de 1979. A segunda é Hell on Wheels, do primeiro disco solo de Bruce Dickinson lançado em 1990.

Com nomes já de certa forma parecidos, é só ouvir para constatar se há ou não um outro caso de "inspiração", digamos, duvidosa. Bem cara de pau, diria.

sábado, 18 de junho de 2011

Vida extra?


No início do ano, disse aqui quando Liuzzi comprou seu lugar na Hispania, que a equipe espanhola teria um ano de luta ferrenha. Os dois grandes adversários eram: 1. A regra dos 107% - que pode se dizer que tenha sido ressuscitada unicamente para limpar o grid dos carros “Hispânicos”. 2. A própria sobrevivência financeira - já que no tragicômico estilo “anuncie aqui” a equipe lançou o carro de 2011, depois de perder, por falta de pagamento, uma possível parceria com a Toyota no fim de 2010.

Fato é que ambos os carros não conseguiram tempo abaixo do limite de sete por cento na Austrália. Por sinal, até ficaram longe de tal feito. Liuzzi, pra se ter uma idéia, registrou tempo pela primeira vez no fim de semana durante a classificação; e ficou a 0.766s da marca mínima. Já Karthikeyan, foi bem pior. Ficou a homéricos 3.027s do tempo. Ali estava dada a extrema-unção ao time espanhol, que parecia trilhar um caminho similar pelo qual passou a Forti Corse nos anos 90, que faliu antes mesmo completar o segundo ano na F1.

No entanto, a coisa surpreendentemente passou a melhorar a partir dali. O time jamais ficou de novo acima do tempo regulamentar dos 107%, e vem de dois treinos classificatórios seguidos (Mônaco ambos os carros tiveram problemas e não foram à pista) desbancando pelo menos um dos carros da Virgin. Na Espanha, inclusive, ambos bateram Jérome d’Ambrosio.

Já no Canadá, conseguiram ótimos 13º e 14º lugares na bandeirada final, depois de uma forte disputa com as Virgin’s e Trulli nas últimas voltas (Veja o fim da prova e preste atenção nos carros cruzando a linha antes de Button). Inclusive, durante a disputa, Karthikeyan teria sido levado a cortar a última chicane (acredito eu na penúltima volta, já que os carros cruzam a linha muito juntos), e foi punido com 20s pela direção após a prova caindo para o mesmo 17º que conseguira em Mônaco, seu melhor resultado no ano.

Mesmo assim uma coisa já é fato. A evolução da Hispania vai deixando de ser esboço e se tornando uma realidade. Logicamente é cedo para dizer se essa curva acentuada no desempenho dos carros é algo que vem pra ficar, ou apenas um legitimo vôo de galinha. Mas é algo digno de nota da minha parte, que critiquei tanto o romeno Colin Kolles dizendo não ser um homem compromissado com o esporte desde que apareceu como diretor da Jordan em 2005.

Uma coisa ainda é verdade, seus carros sempre lutaram pra não serem os últimos. Quem sabe essa não seja a hora de dar uma virada nessa estatística. É (muito) difícil, mas pra quem passou de morto-vivo a penúltima força do mundial em menos de meia temporada, nada impossível; até pelo "otimismo" da equipe. E, particularmente, acompanharei com bons olhos a equipe nesta batalha.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Slayer - 09/06/2011

Fazia tempo que eu não ia a um show. Precisamente desde Outubro de 2010, quando Rush veio dar o ar da graça por estas bandas tupiniquins paulistas. De lá pra cá gostaria de ter ido a alguns, mas por uma fase de mudanças e de um extrato bancário curto tive que me contentar em mirar um espetáculo à distância. Quinta-Feira passada tive minha espera recompensada.

Diziam que ir a um show do Slayer seria uma experiência intensa. O dia do show talvez tenha sido o dia que eu menos estava a fim de passar por esse nível de intensidade. Mas foi ouvir pela primeira vez a guitarra berrante de Kerry King que me fez voltar ao espírito de um adolescente de 16 anos que sabe de cor todas as letras da banda da qual é fã. Mais do que isso, foi aguentar World Painted Blood e Hate Worldwide em seguida, minhas músicas favoritas do último álbum lançado pela banda.

Mas tudo isso pouco representou ao ocorrido durante War Ensemble, terceira música. No finzinho do solo os amplificadores pararam. Uma situação muito estranha dado que os músicos continuaram tocando normalmente seus instrumentos. Mas falo que esse foi um dos momentos mais especiais que vivi durante um show na minha vida, cantar uma música a capela, só com a bateria de Dave Lombardo a preencher o vazio do som.

Nesse ponto deu pra perceber o quão grande é a habilidade do baterista cubano, já idolatrado por esse que vos escreve muito antes de ter o privilégio de vê-lo ao vivo. A música continuou com boa parte platéia cantando. Pela falha nos P.A.’s, memorável.

Vê-los executar a frenética Dittohead na minha frente foi absolutamente fantástico. Acho essa uma das músicas mais enérgicas, críticas e bem feitas - embora (embora?!) muito rápida – do metal em todos os tempos. De fato não tem a representatividade que merecia. Mesmo assim me considero um cara de sorte em tê-la ouvido.

No entanto o show guardava surpresas tão agradáveis quanto as já relatadas. A “amorosa” Dead Skin Mask, The Antichrist (minha favorita do primeiro álbum) e Mandatory Suicide, com a melhor intro da história da banda.

Seguidas que foram de Chemical Warfare e, ela, Seasons in the Abyss. A música e o disco que me fizeram ver diferente a banda californiana em questão. Tudo perfeito. A única ponta solta, que me permitam reclamar, é a alteração dos solos originais ao vivo. Sei que é praxe, mas, nesse caso, mudar uma nota que seja do que foi tocado no disco é uma heresia enorme. Mas estão perdoados... têm muito crédito.

O bis (Pra mim não tinha tido bis...) veio matador, começando por South of Heaven, passando por Raining Blood e Black Magic coladinhas, e terminando em Angel of Death, que nos deu ao seu final o saboroso gostinho de “quero mais”, apesar das pernas, cabeça e braços gritarem por uma cama quente e macia.

Pessoalmente não estava muito bem para ver o show, como disse no início. Mas é impressionante como nossas paixões liberam sentimentos profundos e esquecidos por nós em momentos de stress. Taí, saí do show de alma renovada e de cabeça limpa depois de um dia cheio. Foi por isso que valeu a pena ter ido. É por isso que vale a pena viver e não ter medo de gostar do que gosto por possíveis represálias.

Podem não entender o significado desse desabafo... mas entendam que valeu muito ter esperado tanto tempo para ir a um show novamente!

domingo, 12 de junho de 2011

Assim, nunca mais

Faltam palavras pra descrever o que foi esse Grande Prêmio do Canadá de 2011. Falta a certeza de que isso aconteceu mesmo, de que não era um filme ou um sonho; dado o nível de imponderabilidade do que assistimos hoje em Montreal. Button havia sido atirado ao 21º lugar na volta 37, quando colidiu com a Ferrari de Alonso e voltou para os pits com o pneu dianteiro esquerdo furado. Naquele ritmo vagaroso, naquele fim de volta... Quem poderia imaginar tamanha volta por cima em menos de meio GP? E de um cara como Button, reconhecidamente um piloto menos ousado do que a média?

Button foi magnífico. Soube a hora certa de atacar e poupar pneus no fim. E, heroicamente, passou todos os carros que se encontravam à sua frente, para vencer uma das melhores corridas da história - já recheada de bons momentos - da F1 (A mais eclética, pelo menos, ela foi).

As lembranças do toque com Hamilton no início são apenas memórias distantes, mas a corrida de “nosso herói” poderia ter parado lá, bisonhamente, naquele “fogo amigo”. Não parou. Era pra ser assim. Era para Jenson bater em Alonso. Era para voltar em 21º. Era para chegar ao quarto lugar, na pista e com maestria. Era para correr um grande risco durante as voltas finais na disputa com Webber e Schumacher. Era pra ter guardado bem os pneus e virar dois segundos mais rápido do que Vettel nas quatro últimas voltas. Era pra pressionar... ver errar. Era pra vencer. Destino; por mais irritantemente poético que isso possa soar (sim, me irritou pensar assim... vejo automobilismo de outra maneira).

O resto seria resto, não fosse uma corrida de F1. Schumacher lembrou seus melhores momentos na carreira, com uma pilotagem digna do monstro sagrado que foi um dia. Na chuva, hora de mostrar habilidade, um dos mais rápidos. Quando secou, virou abóbora; e seria presa fácil para Webber, não fosse sua pilotagem defensiva brilhante. Michael foi bravo como de costume, mas teve que se contentar no fim das contas com o quarto lugar. Pouco para quem fez tanto (se uma ultrapassagem dupla servir pra você). Merecia um troféu hoje.

Kobayashi, outro gigante - era segundo no momento em que foi dada a bandeira vermelha -, acabou sucumbindo ao piso que secava aos poucos. Ficou com um - porque não - bom sétimo lugar, em uma chegada no “photo chart” com Felipe Massa, que poderia ter ido ao pódio se soubesse andar no molhado.

E a chuva! Sempre ela a dar graça às provas, hoje veio forte demais. Uma parada de mais de duas horas para esfriar os ânimos, mas que culminou numa corrida memorável da qual falaremos por muito tempo.

Faço minhas as palavras de Eddie Jordan no fim da transmissão britânica da corrida (Pois é, com uma partida de futebol SUUUPER importante, fui obrigado a procurar um stream). “Quem mais ganhou com essa corrida não foi Vettel, que viu sua diferença no campeonato aumentar de 48 para 60 pontos; foi a Fórmula 1.” E, por tabela, nós também, que sempre assistimos e acreditamos em um bom espetáculo; ganhamos, sim! Hoje, mesmo com todos os problemas e transtornos, tivemos uma corrida absolutamente perfeita e sem precedentes na história da F1... algo único.

E quer saber... igual ou parecido com isso, acho que nunca mais. Quatro horas, quatro minutos, trinta e nove segundos e quinhentos e trinta e sete milésimos inesquecíveis.

sábado, 11 de junho de 2011

Hoje sim... Hoje não


Vou mandar um e-mail a FIA. Nele, vou propor que só 23 carros participem dos treinos classificatórios; Vettel à parte, na pole. Impressionante ver, mesmo depois de uma batida e de ter perdido metade de um treino ontem, o alemão colocar mais uma vez a Red Bull em primeiro lugar no grid. Já não tem mais graça. Em Montreal tínhamos a esperança das Ferrari’s, e Sebastian, com até certa facilidade, apagou tudo em voltas magistrais.

O “porém” fica pela corrida. Vettel colocou cerca de dois décimos nas Ferrari’s, e como os carros de Maranello costumam crescer em ritmo de prova - e em Montreal há vários pontos de ultrapassagem - o alemão, mesmo com a pole, está longe de ter colocado uma mão e quatro dedos na taça como algumas vezes nesse ano. A possível chuva pode atrapalhar/embaralhar mais ainda.

Mas falando das Ferrari’s, um bom ritmo de ambos os carros. Massa se colocando muito próximo de Alonso. Como o último setor parece ser o ponto fraco da performance, se chover quem mais ganha em termos técnicos são eles. Melhor chance de vitória da equipe nesse ano.

McLaren decepcionou. Hamilton vai saber pela primeira vez como é largar em um GP do Canadá fora da pole position. Já Button começou até que bem, mas no fim acabou ficando com um resultado modesto. Quinto e sétimo. Mas nada como um dia após o outro, e os ingleses já provaram que são bons pilotos no molhado (claro, se chover).

Webber vai mantendo o ano melancólico, opaco e apático. Um quarto lugar sem sequer fazer sombra aos três primeiros. Não dá pra esperar muito de Mark não; que é, na minha opinião, o maior fracasso e o maior mistério de 2011. Simplesmente a meio segundo de Vettel. Tempo demais.

No mais, as Mercedes comendo pelas beiradas costumeiramente, a Renault que parece ter espantado os fantasmas de Monte Carlo e Pastor Maldonado em 12º; classificação digna de nota, já que Barrichello foi apenas o 16º.

Mas com certeza as maiores decepções do meio do bolo nesse ano são Sutil e Alguersuari. Um vai perdendo de goleada de um estreante (talentosíssimo, mas estreante) e o outro vai dando cada vez mais a impressão de que será ejetado da Toro Rosso antes do fim do ano.

Pra corrida não dá pra prever nada, começando pela previsão do tempo. O site da F1 tem uma tradição muito significativa de errá-las feio. A previsão para hoje era chuva, não veio. Amanhã a previsão é maior, e é impossível, ante a este teclado, dizer se irão acertar ou não. As equipes trabalham com a mesma previsão, o que dá um pouco mais de credibilidade à informação, mas, como sempre, só vendo.

E terminando pela corrida em si. Com tempos tão embolados no meio do grid e uma vantagem pequena de Vettel para o resto, é esperar pra ver. Não me arriscarei a nada maior do que já disse neste post. Só digo uma coisa: Com chuva ou não, eu que não perco essa corrida por nada.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

"The Wall of Champions"


Chegamos ao GP do Canadá. Um dos mais belos circuitos da temporada e que normalmente sempre promove uma das melhores corridas do ano. Porém, quando falamos da corrida em Montreal, há sempre, ano a ano, uma dúvida que persiste. Afinal, por que o muro da entrada da reta dos boxes é chamado de “muro dos campeões”? O que houve lá para que ele tivesse esse nome? Ele é um desafio tão grande assim?

Depois dos acidentes graves em Ímola no ano de 1994, foi feita, logo após o hairpin, uma horrorosa chicane de cones com a finalidade de diminuir a velocidade dos carros nas duas curvas rápidas que antecediam o retão (Ver disputa Senna x Alesi em 1993) que levava à última chicane da pista canadense. Para que com essa alteração a pista não ficasse lenta demais, os organizadores tiraram na entrada da reta dos boxes a grama que separava a pista do muro, fazendo ali uma mini-área de escape para que os pilotos pudessem sair mais velozes desta chicane. Nascia o muro dos campeões, ainda sem nome.

Com outra reforma, em 1996, seriam tiradas as duas curvas de alta velocidade depois do hairpin, juntamente a chicane de cones. Assim, criou-se a maior reta da pista com velocidade final em torno dos 320 km/h. Desde essa mudança virou costumeiro ver os carros chegando muito perto e até, algumas vezes, tocando na parede da entrada da reta. Em outras palavras, ali, em 1996, se criou o monstro.

O tempo passaria. Três anos precisamente. Em 1999 aconteceu a corrida que daria fama e nome ao muro. Depois de uma largada conturbada, o Safety Car entrou na pista para ficar apenas uma volta. Com sua saída na segunda volta, a corrida enfim começaria. Uma volta depois, Ricardo Zonta, campeão do FIA GT em 1998, voltando de três corridas em recuperação após um acidente no Brasil, sairia de traseira com seu B.A.R. e acertaria o muro no início da reta dos boxes. Safety Car de novo.

Mais 12 voltas e Damon Hill, campeão de F1 em 1996, de forma muito parecida com Zonta, escorregaria e tocaria a roda traseira direita de sua Jordan no muro. Corrida encerrada para o inglês também, que conseguiu tirar seu carro da posição perigosa.

Enquanto e depois disso, o líder Michael Schumacher era pressionado à distância por Mika Hakkinen. A diferença não passava dos quatro segundos e Mika começava a ser mais rápido que o alemão. Foi quando, na volta 29, Schummy errou a entrada da chicane que dava acesso à reta dos boxes. A estampada do até ali bi-campeão mundial (1994-95), seria a mais forte dentre as de Zonta e Hill, porém um eficiente serviço de fiscais impediria outra entrada do Safety Car.

Cinco voltas mais tarde seria a vez da segunda B.A.R., a do campeão de 1997, Jacques Villeneuve, menino da terra, ter o acidente mais forte do dia no muro da entrada da reta e finalmente encerrar a lista dos campeões parados naquele 13 de junho de 1999 pela parede tão astuta quanto estática no circuito Gilles Villeneuve.

Ao fim da corrida, ambos culparam a poeira na segunda perna da chicane. Porém estava feito, o local foi imortalizado, "the wall of champions"; graças às contribuições de Zonta, Hill, Schumacher e Villeneuve durante a prova.

O muro ainda está lá. Em 2002 foi afastado da pista e ganhou uma proteção de pneus. Mas nada que o impedisse de fazer outras vítimas em corridas e treinos nos anos seguintes, como se pode ver neste vídeo:

Quem se habilitaria a manter a série nesse ano?

terça-feira, 7 de junho de 2011

Plág... ops, inspiração [3]




Metallica compôs Welcome Home (Sanitarium). Som bonito. Uma das melhores baladinhas da banda em questão, que tem inegável imensa capacidade de fazer belas músicas lentas. Master of Puppets, o CD, foi lançado em 1986, e é uma das melhores amostras de como Heavy Metal pode se tornar uma paixão pessoal (quem disse fui eu).

Eis que em 1998 o Savatage lança o disco The Wake of Magellan. No álbum normal, nenhum problema. O problema se encontrava na versão americana do disco, que continha mais três faixas, entre elas, Stay. Atente ao início das duas canções e tente encontrar alguma semelhança.

sábado, 4 de junho de 2011

OFF: I have a Fisichella's cap.


Muito bem, galerinha! Finalmente hoje recebi o boné que tanto falei a vocês. Um boné dele, Giancarlo Fisichella, oferecido a mim pelo Felipe Motta; que todos vocês devem saber, é repórter de Fórmula 1 da rádio Jovem Pan. Nunca é demais dizer que ganhei o boné porque fiz 18 pontos no quiz de seu programa, o Superpole, no ano passado.

Fui aos estúdios da Jovem Pan no início deste ano para ver como é feito o programa e entrevistá-lo para o blog. Já hoje, fui apenas pegar o boné e trocar uma idéia mais informal; aprender um pouco com quem sabe e vê tudo o que vemos de lá de dentro. Foi bem legal. Por termos uma paixão em comum, a F1, a conversa rola numa fluidez muito bacana (às vezes impedida pelo nervosismo meu, é verdade, mas contornável), hoje foi assim. Felipe é muito gente fina, e de maneira descontraída contava tudo o que eu perguntava. Assuntos diversos sobre seu site, o TotalRace, e, claro, sobre o meio da F1.

Outro dia que jamais vou esquecer!

Enfim, está aí a foto do boné do Fisico dentro do estúdio de onde é irradiado o Fórmula Jovem Pan. Este será o selo de qualidade do blog a partir de hoje! E torçam por mim nesse ano de novo, ainda estou liderando o quiz.

Rumo a outro boné! Kobayashi? Quem sabe...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sheik


E o dinheiro vai ampliando seus domínios sobre o planeta terra. Tudo bem, não se vive sem ele, mas o apetite insaciável que tem Bernie Ecclestone por esses papeis verdinhos é algo a ser estudado, de fato.

Achei elogiável e, ao mesmo tempo, estranha a atitude de FOM e FIA ao adiar uma abertura de campeonato que gira tantos milhões de dólares. Vi positivamente, afinal de contas, a F1, que sempre teve orgulho em se manter alheia a todo e qualquer acontecimento global de grandes proporções (apartheid, copas do mundo...) durante sua existência, tinha finalmente se flexibilizado – forçadamente, é verdade – a uma causa que julgava ser maior do que ela. Uma guerra em eclosão.

Pelo jeito enganamo-nos. O povo do Bahrein continua a ser miserável e comandado por um ditador. Em pleno século XXI, num mundo globalizado, o povo barenita vive sob uma monarquia absolutista.Vive num lugar onde a renda é mal distribuída e vive também o “manjado” (sem intenção de minimizar com a palavra) conflito entre xiitas e sunitas, que inclusive deu o tom das questões militares do início do ano. E a F1, alheia a isso, vai voltar pra lá.

Não quero entrar nos meandros políticos, detesto política, aliás. Mas é impossível ficar de olhos fechados a este tipo de coisa. Segundo notícias veiculadas hoje, a prova do Bahrein dá à F1 um retorno de 40 milhões de dólares. O prazo original estipulado pela FIA para que fosse resolvida a questão militar no país encerrou-se no dia 1º do mês passado. Algo a fez voltar atrás... nem suspeito do que foi.

Será assim: Veremos dia 30 de Outubro um GP do Bahrein com arquibancadas cheias de “VIAIPIS” de todo mundo, pagando caro nas mordomias de um evento esportivo que ficará (se é que já não é desde 2004) descaracterizado, dado panorama. Mas, mais dinheiro entrará nos cofres dos cartolas, que é o que parece ser a prioridade no momento.

Convenhamos também que, esportivamente, o tilkódromo de Sakhir, em 7 GPs, não produziu nada de relevante à história da F1. Outro atenuante.

Sheiks. Eles têm a grana, e ditam um esporte cujos dirigentes parecem pertencer a seu harém. Tudo em nome de inflar as contas bancárias. É preciso rever essas prioridades...

Quanto a nós. Seremos comprados por isso?


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Plág... ops, inspiração [2]




Já viu uma banda plagiando ela mesma? E no mesmo CD ainda? É o que acontece aqui. Terceira e quinta faixas do disco State of Euphoria do Anthrax lançado em 1988. Make me Laugh e Who Cares Wins, respectivamente, têm em suas introduções riffs... que são simplesmente idênticos. Não tira o brilho dessas que são, juntas a Antisocial e Be All, End All, minhas favoritas neste álbum. Mas vem cá, precisava ser tão copy n' paste assim?

domingo, 29 de maio de 2011

O santo imponderável


Indy 500. Há quem diga que só é preciso ver as últimas voltas. A grosso modo, até concordo, porque, por mais que a corrida tenha sido muito boa, as últimas voltas sempre são históricas. Sempre marcadas por dramas de consumo de combustível e por bandeiras amarelas que podem decidir direta ou indiretamente o vencedor. Hoje, rotineiramente, tudo isso... e um plus.

J.R. Hildebrand foi campeão da Indy Lights em 2010. Vinha nesse ano lutando com seu carro nos circuitos mistos. Nenhuma performance de brilho; melhor resultado: 10º no Brasil. Um mero coadjuvante ao olharmos sua posição de largada, um 12º lugar.

Tudo andando pela equipe Panther. Time que, para contratá-lo, deu um pé nos fundilhos do inglês Dan Wheldon, que demonstrava desde sua saída da equipe Chip Ganassi, em 2008, que vivia a parte decrescente da carreira - em que já havia somado uma Indy 500 e um título de temporada, ambos em 2005.

Dan, sem equipe para 2011, ficou a esmo no mercado de pilotos. Reconhecidamente um bom piloto de ovais, por um lado. Mas pelo outro, uma decepção nos circuitos mistos. Sua chance era tentar voltar nas 500 milhas de Indianápolis como “wildcard”, ganhar um dinheirinho e tentar fazer uma boa corrida para quem sabe arranjar um patrocínio que lhe permitisse participar de outras corridas nesse ano. Foi o que aconteceu, Dan, desvalorizado no mercado, encontrou na equipe de seu ex-colega de equipe na Andretti, Bryan Herta, o carro para tentar a sorte na Indy 500. Classificou em quarto, um ótimo posto, dado fato de ser uma equipe de Indy Lights que fora especialmente montada para a ocasião.

Na largada ninguém poderia apostar que esses dois, Wheldon e Hildebrand, poderiam protagonizar o fim de prova mais inacreditável da história da corrida. A três voltas do fim o belga Bertrand Baguette, líder, adentrou o Pit Lane de Indianápolis com falta de etanol. Dario Franchitti, virtual vencedor da prova, teve sua tática derrubada graças à falta de bandeiras amarelas nas 40 últimas voltas. Sendo assim, o escocês se arrastava no circuito economizando combustível e não era páreo para Hildebrand, nem Wheldon (e nem ninguém, já que foi o último dentre os que chegaram na volta do líder). Ambos não precisavam economizar combustível... davam o máximo.

Hildebrand assumia a liderança. Um estreante venceria em Indy pela primeira vez desde o biênio 2000-2001, quando Montoya e Hélio Castroneves conquistaram a prova no primeiro ano de participação. Faltava uma curva para a glória. Nela, lentamente, o carro de outro rookie. Um retardatário, Charlie Kimball, 13º. Talvez confiante demais, Hildebrand tentou superá-lo por fora; lado que em circuitos ovais, depois da metade da prova, normalmente encontra-se cheio de poeira e pedaços de borracha dos pneus desgastados pelos carros. Batata. De maneira inacreditável o líder batia no muro da última curva da corrida que marcava o centésimo ano do autódromo americano.

Wheldon, esquecido e menosprezado por todos, e que salvo engano não havia liderado uma volta a corrida inteira, tirou o último gás de seu carro e passou a linha de tijolos para conquistar sua segunda Indy 500 na carreira. Dois segundos antes de Hildebrand, em destroços, mas ainda assim em segundo lugar. Um ”wildcard“ com estrutura de uma equipe de Indy Lights, que fez papel de figurante durante toda a prova e que havia sido demitido pela equipe de Hildebrand meses antes, venceu uma prova de enredo fantástico. Sem mais... da série "Porque amo automobilismo".

29 de Maio de 2011, um dia épico para o automobilismo mundial.

Monaco Thriller!


*Uma das melhores corridas em Monte Carlo (arrisco a dizer que foi a melhor) que eu já vi. Nada como asa móvel e Kers pra agitar uma corrida que quase sempre foi estática quanto à troca de posições na pista. Numa pista que não tem espaço pra passar, os pilotos provaram, e têm provado nesse ano, que não passavam anteriormente não por comodismo, como diziam alguns; e sim por não ter como mesmo. Os mesmos que ainda criticavam as mudanças técnicas desse ano por pura nostalgia. Caindo no dito popular “águas passadas não movem muinho”. Era legal? Era. Mas passou... Do the Evolution! (Ta, menos apocalíptico do que prega esta bela canção).

Disse ontem de sorte de campeão. Quer maior sorte do que uma bandeira vermelha a cinco voltas do fim para trocar um pneu que estava no bagaço? E mais, escapando de um acidente logo à frente? Pois é. O jeito é esperar 2012, Vettel parece invencível. Mesmo sem as melhores condições para uma vitória, a sorte se encarrega de concede-la ao alemão.

Grande performance de Alonso, em segundo, antecedida por uma grande largada. Azar de Button, que tinha tudo para ganhar a prova e teve que se contentar em ver sua vantagem de pneus ir pelos ares com a bandeira vermelha.

Hamilton. Um capítulo à parte. Entre ultrapassagens e espremidas um sexto lugar que seria justíssimo não fosse o fato de ter deliberadamente arrancado de Pastor Maldonado seus primeiros pontos na Formula 1. Feio demais. Cabia aí uma desclassificação ao inglês. Quanto a seus outros incidentes na prova nada de muito pesado. A batida que tirou Felipe Massa da prova foi mais infelicidade do brasileiro do que culpa de Hamilton. Manobra dura, mas não injusta. Massa também tentou vender caro demais a posição. Uma pena para Felipe, já que Alonso se distancia no mundial e ele não marca ponto algum desde a China.

Fantástica corrida de Kobayashi, Sutil e Maldonado. Uma pena Kobayashi ter levado uma ultrapassagem de Webber tão no fim da prova. De qualquer forma é o melhor resultado do japonês na F1. Ele que só não pontuou em todas as provas até aqui por causa da asa traseira irregular de seu Sauber na Austrália.

(Só um parêntese a respeito da batida que desencadeou a bandeira vermelha. Alguersuari vai cada vez mais se tirando da Toro Rosso para a entrada de Ricciardo)

Se classifiquei o GP da Coréia do ano passado como “Drama”, classificarei esse monegasco de “Thriller”. Uma das corridas mais divertidas dos últimos tempos. Talvez a melhor em Mônaco em muito tempo.


* Cansei de colocar fotos do Vettel, sendo assim, já que meu blog não é uma democracia, decidi homenagear Pastor Maldonado.

sábado, 28 de maio de 2011

Quase lá...


Treininho mixuruca. A batalha verdadeira – provavelmente entre Hamilton e Vettel - ficou só na expectativa, tudo pelo infortúnio de Sergio Pérez na chicane do porto. Vettel vai provando cada vez mais que este é seu ano. Podia muito bem economizar pneus e ir para a pista apenas nos quatro ou cinco minutos finais do Q3. Decidiu ir no começo, como aliás tem feito nesta temporada. Havia cravado sua pole, e Hamilton estava apenas aquecendo seus pneus quando a Sauber de Pérez bateu e decretou, na prática, o fim da sessão.

Sorte de campeão, justo em cima de seu maior rival no ano. É... se não acontecer nenhum desastre (diria desgraça, mais forte) acho que esse ano já tem dono.

O que pode movimentar um pouco a prova pode ser a largada. Button se acertá-la, pode disputar a primeira curva com o Red Bull número 1, quem sabe pular na frente e segurar Vettel. Mesmo assim, naturalmente, é praticamente impossível apontar outro virtual vencedor que não seja o atual campeão. Mônaco é uma pista que nivela as performances, mas a longo prazo, quer dizer, 78 voltas, prevalecerá o melhor. E o alemão venceu quatro de cinco corridas nesse ano sem abusar da performance. Uma questão de lógica.

De Webber não sei se devemos esperar algo, a não ser a costumeira corrida opaca. Fato que o australiano não é mais o mesmo em 2011. Carro feito pra Vettel? Desfavorecimento depois da guerra de nervos que promoveu na Red Bull ano passado? Má adaptação aos Pirelli? Sinceramente, ainda não tenho uma teoria sobre isso.

Alonso quarto e Massa sexto. Quietinhos, podem surpreender, em especial o asturiano que teve bom ritmo na quinta-feira. Schumacher em quinto. Sua melhor oportunidade de voltar ao pódio desde que retornou à F1, basta fazer sua parte e apostar na loteria monegasca.

Grande ritmo de Maldonado, em oitavo, com a punição a Hamilton. Quem diria, o venezuelano vai se firmando bem nas classificações, a conferir a regularidade nas provas. Rubinho, bom... está com uma “asa diferente”; vejamos se não é mais uma “desculpa barrichelliana” amanhã. Bom treino de Pérez também. Uma pena o acidente, tinha tudo para sair de Mônaco com bons pontos na sacola. Vai ter que se contentar em ver a corrida pela TV com a integridade física quase intacta, o que pela estampada - provavelmente a mais de 230 Km/h - é um lucro.

Decepções: Renault e Force India. Pelo que se esperava, estiveram muito abaixo.

Previsões. Hamilton encontrará onde se possa ultrapassar em Mônaco, senão não terminará a prova recebendo a bandeirada. Vettel é favorito claro, mas quem sabe Button; ou quem sabe Alonso, possam dificultar um pouco as coisas. Mas mais do que nunca, amanhã se Vettel passar a St. Devoté na frente, são remotas as possibilidades de que o alemão não saia de Monte Carlo com uma boa vitória, que inclusive lhe é inédita.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"Solo Valentino Rossi!"


GP da Catalunya, 2009. Restam quatro voltas para o fim da prova. O pole position e líder Jorge Lorenzo começa a ser atacado ferozmente por seu companheiro de Yamaha, Valentino Rossi. Recomeçava ali um jogo de nervos que iniciara na classificação, já que Lorenzo havia superado Rossi por 13 milésimos. Motos iguais, talento imenso de ambas partes. Prefiro não dizer mais nada. Dê o play e se arrepie com, além da disputa, a narração italiana acompanhada por uma música de fundo, digamos, propícia.

Há também câmeras onboard na moto de Rossi no quadro inferior. Perca seu fôlego aqui.

Um amigo havia me pedido um "porque" de tanta atenção em cima do Rossi. Acho que mandei bem.

P.S.: Veja o vídeo enquanto a Dorna não o tira do ar.
P.S.2: O blog vai entrar em hiato forçado... estou sem internet. :/

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Jogando em xeque


E será indo em busca de seus momentos de glória que a Williams voltará a ter seus motores fornecidos pela Renault. A história ganha força a cada dia, e é possível que isso aconteça já para 2012.

Isso nos remete aos idos de 1988, quando a Williams passava por uma situação parecida quanto ao fornecimento de motores. A Honda havia deixado a parceria, até ali vitoriosa, a troco da McLaren (Senna) e da Lotus (Nakajima). Sem possibilidades de assinar de imediato com uma forte montadora, a equipe inglesa foi forçada a usar os terríveis motores Judd aspirados, no último ano da "era turbo".

Não precisaria mencionar que os resultados foram desastrosos. Os melhores momentos da temporada foram dois segundos lugares conquistados por Mansell. Um no chuvoso GP da Inglaterra, o outro em Jerez de la Fronteira, Espanha. As dificuldades eram evidentes. Faltava velocidade final, sobravam problemas. Não só com o motor. Mansell, piloto nº 1 da equipe, teimara em correr doente na Hungria, e o salário de tal ato foi a perda das duas provas seguintes na Bélgica e Itália em recuperação.

Mas para 1989 tudo mudaria. Chegaria o motor Renault, depois de dois anos ausente das corridas de F1. O V10 francês faria a Williams voltar a viver seus dias de glória na categoria. Uma temporada convincente com duas vitórias nos adversos GPs do Canadá e da Austrália - ambas por Thierry Boutsen que substituía a Mansell, agora na Ferrari - fariam o time inglês ser vice-campeão entre construtores.

A situação agora, em 2011, não é tão simples. A Williams joga em xeque. Têm a bordo de seus carros um estreante nada promissor e um veterano que está vivendo seus últimos dias na F1. Não vencem uma corrida desde 2004, e não tem um equipamento confiável e constante - sendo rigoso - desde a metade de 2005, quando começava o inferno astral nas relações com a BMW.

Em outras palavras, a Williams não vive um ano ruim como em 1988, vive a pior fase de sua existência. Fase, mais recentemente, que vem fazendo cabeças rolarem morro abaixo dentro do staff técnico. Resta saber se a volta da Renault poderá trazer de volta a estabilidade e os bons dias a Williams.

Opinião pessoal do blogueiro: É difícil. Porque não é uma parceria como foi nos anos 90, quando venceram quatro campeonatos de pilotos e cinco de construtores. Dessa vez a Williams será só mais uma dentre outras três equipes (Red Bull, Lotus, Renault) a ter seus motores fornecidos pela Renault. Além disso, não tem um bom piloto jovem em quem possa apostar suas fichas a longo prazo, alguém como foi Nico Rosberg, por exemplo. Não bastasse, a Williams corre nesse ano com o carro praticamente sem patrocinadores e precisa de mais dinheiro para crescer junto com o possível futuro fornecimento de motores.

Carro que, por sinal, tem em seu layout um “revival” da pintura de 1997 do time inglês, ano dos últimos títulos conquistados por eles... justamente com o motor Renault. Infelizmente mesmo com o negócio concretizado não vejo isso sendo mais que uma ligação nostálgica. Triste. Tomara que eu esteja errado.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Set the World on Fire - Annihilator


Podem encontrar muitos defeitos no Annihilator. O principal (nisso excluo ter concebido aquela porcaria chamada “All for You” em 2004) é não ter um vocalista fixo. No disco Set the World on Fire de 1993 a banda estava simplesmente no quinto vocalista... em pleno terceiro álbum! O grande trunfo da banda canadense sempre foi pertencer a Jeff Waters, que além de único membro fixo do conjunto, sempre foi dono de uma habilidade de composição fora do normal.

Depois do “Alice in Hell” de 1989, dono de um thrash metal visceral; e do “Never, Neverland” de 1990, disco mais cabeça, mas não menos fantástico, chega Set The World on Fire.

Disco em que o estilo da banda se consolida definitivamente. Dentre temas melódicos e riffs pesados, ritmo frenético e vocal ameno. Uso como plano de fundo a esses adjetivos a primeira música e faixa título. Riff simples e cru, base forte. Outra nesse estilo é a oitava, The Edge. Sonzaço fora da malevolência esteriotipada do Heavy Metal, tanto no som quanto na letra, que inclusive, pessoalmente, levo como lição de vida... mas não vou me alongar, porque isso é papo pra buteco.

Há também as baladinhas. Vamos pra faixa 5. Phoenix Rising. Opinião do cara te escreve este texto, esse som pega fácil lugar entre as três melhores baladas de Metal em todos os tempos. Poucas músicas traduzem tão bem sentimentos, força, melodia e ideologia quanto essa. Essa é uma entre outras poucas músicas que ouvi que gostaria de ter composto, dado nível de genialidade da bagaça. Obra de arte, linda de mais. Tem também Sounds Good to Me, bonita também, mas que perto de Phoenix Rising parece o mais poluído dos funks cariocas (Vish, pesei na mão... sorry).

Quando passamos para os climas diferenciados no CD não há como não citar a bela e pesadíssima Bats in the Belfry. Destaque para o riff do refrão. Há também Brain Dance, música que chega a lembrar Mr. Bungle de tão estranha. Vocais agudos, barulhentos lembrando os de um débil mental, com um instrumental que lembra aqueles medonhos filmes de terror “B” dos anos 80. De modo peculiar, consegue ser engraçado e bom. Ainda nesses climas musicais curiosos a faixa quatro, Snake in the Grass. Porém neste caso, algo mais usual do que Brain Dance, digamos.

Ainda, para liquidarmos o disco, No Zone e Knight Jumps Queen, 27 toneladas cada uma, e Don’t Bother Me, patinho feio (todo CD por melhor que seja tem, némerrmu?).

A junção de uma balada perfeita com o resto de um álbum pesado e muito bem elaborado dá a química interessante que tem o Annihilator durante, sobretudo, os anos 90. Um estilo único, que pela singularidade é bem interessante. Experimente!

1.Set the World on Fire

2. No Zone

3. Bats in the Belfry

4. Snake in the Grass

5. Phoenix Rising

6. Knight Jumps Queen

7. Sounds Good to Me

8. The Edge

9. Don't Bother Me

10. Brain Dance

Download

domingo, 8 de maio de 2011

Ponto azul no horizonte


Como eu dizia, se Vettel largasse na frente não teria pra ninguém. Foi assim. Quase ponta a ponta, se Button não tivesse liderado uma mísera voltinha, a 12. É quase impossível entender como Vettel sobra tanto. Seu ritmo é assustador, assombroso. E a impressão é de que não está dando seu máximo. Não dá pra ver, ou prever, Vettel perdendo uma corrida. Está em outro patamar e muito longe dos outros. Se alguém não fizer alguma coisa muito rápido já para Barcelona corremos o risco de ver um campeonato decidido em Agosto ou Setembro. Broxante.

E o pior é que Webber não consegue seguir o bom desempenho do alemão. Mark largou mal e se enroscou com outros carros a corrida toda. Rosberg no começo, Alonso no fim. Em outras palavras, Webber é alcançável embora tenha um canhão e Vettel um ponto azul escuro no horizonte. Mérito de Sebastian, claro. Conseguiu entender e se adaptar ao carro muito melhor que Webber.

Alonso, em terceiro, ganha aí uma bela dose de moral. Fez uma classificação acima da média e uma corrida perfeita para o ritmo atual da Ferrari. Chegou a passar Webber na pista, veja só. Verdade que foi re-ultrapassado, mas o espanhol conseguiu ao menos ir pra cima de uma Red Bull, façanha digna de nota, claro. Massa se deu mal. Entre paradas ruins, erros e azares sobrou pra ele a posição do bobo, 11º. Injusto na minha opinião. Não condiz com o que foi sua corrida no primeiro e segundos stins, quando chegou inclusive a passar Hamilton. Massa vinha de duas atuações boas, agora vai ter que continuar na missão quase impossível de correr atrás de Fernando Alonso, que está cheio de moral.

A Mercedes. Ninguém sabe... alguém viu? Rosberg teve seu brilhinho na largada, depois foi devidamente jantado pela rapaziada da frente. Chegou em quinto mas jamais teve um ritmo convincente. Pelo jeito todas as melhoras e festas ficaram nas tomadas de tempo mesmo. Schumacher fez aquela corrida apagada costumeira, se defendendo e tocando roda com os outros carros, nem sempre de forma leal. Já deu Schummy, abre espaço pra garotada, né.

Uma boa corrida das Renault, Buemi e Kobayashi. Sebastien fez a estratégia de uma parada a menos funcionar muito bem, embora tenha perdido o sétimo lugar para as Renault no finzinho. De qualquer forma o nono lugar foi um ótimo lucro pra alguém que saiu de 16º. Kobayashi largou de último e beliscou um pontinho, em 10º. Outra grande apresentação de Kamui que terminou todas as corridas desse ano na zona de pontos.

E que alguém faça alguma coisa para pegar Vettel, é meu o pedido. Não, não é a Red Bull. É Vettel. Inalcançável. Intocável. Pelo bem do esporte e pelo bem das corridas, é bom que aconteça rápido.