sexta-feira, 4 de março de 2011

A última fatalidade


Dia 4 de março de 2001. Há exatos 10 anos a F1 abria a temporada em Melbourne, e uma série de mudanças no regulamento haviam sido feitas. Asas dianteiras mais altas, traseiras mais baixas. Tudo feito num esforço para que o chamado arrasto aerodinâmico fosse reduzido, deixando carros visivelmente (inclusive a olho nu) mais rápidos. Tudo na eterna busca (vide a que temos até hoje) de corridas com mais ultrapassagens e combatibilidade.

No quesito da velocidade nada a reclamar. Schumacher cravara a Pole Position no Sábado com o assombroso tempo de 1:26.692, nada menos que 3.9s mais rápido que a pole de Hakkinen em 2000, 1:30.556.

Mas havia um porém. Os carros haviam ficado instáveis demais e foi comum durante os treinos livres, várias rodadas e saídas de pista. Uma em especial chamou a atenção. A capotagem tripla do próprio Michael Schumacher, atual campeão, na curva 6, durante o treino de sexta-feira. Susto geral, pior ainda quando Burti bateu na curva 5 durante classificação de modo estranho.

Mas chegada era a hora da corrida. Largaram, e começariam ali as rodadas. Frentzen numa disputa de posição com Barrichello, e Bernoldi na volta 3, uma antes do acidente pelo qual aquele fim de semana ficaria marcado.

Jacques Villeneuve pegava o vácuo de Ralf Schumacher perto da curva 3. Quase que instantaneamente, no momento da freada do alemão (um pouco mais cedo do que o habitual, provavelmente para fazer Villeneuve perder o contato na saída da curva) o canadense bateu na traseira do Williams de Ralf de tal forma que fez o carro da B.A.R. decolar em direção ao alambrado de proteção. O impacto faria suas rodas se soltarem. Uma, “achou” uma abertura no muro de proteção, e acertaria de maneira fatal na sequência, Graham Beveridge, um fiscal de pista de 52 anos de idade.

Safety Car foi à pista. Ficou por intermináveis 10 voltas, graças à ambulância que havia ido ao local socorrer Graham. Depois disso sem maiores problemas na corrida. Schumacher venceu, seguido de Coulthard e Barrichello. Porém nunca mais após isso tivemos outro acidente com vítima fatal na F1. O dia 4 de Março de 2001 ainda é (e espero que seja durante muito tempo) marcado como último ponto trágico nessa categoria tão perigosa, que vive dias nos quais parece infalível nesse sentido. Mas o fato é que desde aquela data não viveu outro dia sequer sob penumbra da morte.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Um dia na Jovem Pan


Como a maioria de vocês já deve saber, ganhei no ano passado o Superpole (quiz da rádio Jovem Pan AM sobre F1). Cheguei ao fim do ano com 18 pontos dos 24 possíveis e a rádio agora me deve um boné do meu piloto favorito (Provavelmente Fisichella, mas ainda não decidi direito).

Ainda no ano passado mandei um email ao Felipe Motta (repórter de F1 da Jovem Pan e apresentador do quiz), para saber se poderia ir assistir ao seu programa semanal, Fórmula JP, ao vivo na rádio. Um programa normal, para ver o “fazer rádio” acontecer. Ele disse que tudo bem, que poderia ir, ligando para a rádio e agendando uma visita. Por falta de tempo e excesso problemas no fim do ano acabei ligando para marcar a tal visita apenas há umas duas semanas atrás. Ficou para o dia 12 de fevereiro (Pois é, fiquei um tempo sem internet, ¬¬, ou seja, duas semanas antes do dia 12)

.

Pois bem, a expectativa era grande. Cheguei lá por volta das 12:20 (o horário do programa é 13:00). Não havia ninguém na recepção, e fui entrando. Cheguei à redação, meio vazia por ser sábado, e fiquei lá, de pé, conferindo o trabalho da rádio durante uns 15 ou 20 minutos. Não sabia com quem falar para que me guiasse até o estúdio do programa, os poucos redatores e repórteres que lá se encontravam, estavam trabalhando.

Enfim, depois de uns 20 minutos a moça da recepção chegou. Pedi que me levasse até o estúdio do programa. Ela atendeu, não sem antes consultar o Felipe. E com o alvará do mesmo pude adentrar pela primeira vez o estúdio de uma rádio no ar. Era 12:50 e o programa ainda não havia começado. Sem saber que outro programa estava no ar no momento que entrei, cumprimentei o Felipe falando alto demais. Ele rapidamente fez aquele sinal característico do “shhhh” com o indicador na boca.

O programa no ar era de futebol, sob o comando de Flávio Prado. Fiquei um tempo assistindo a ele. Estava meio de peixe fora d’água, já que TODOS que adentravam ao estúdio em que eu estava entrariam ao vivo e estavam com seus devidos textos já em mãos. Todos, sempre muito simpáticos, me cumprimentavam de sorriso no rosto.

Era chegada a hora do programa. Felipe Motta, que saíra por 1 ou 2 minutos, entrou novamente no estúdio acompanhado e me perguntando: “Você conhece o Christian?” Eu olhei para o cara que o acompanhava meio de rabo de olho e respondi um “Não”. Quando estiquei a mão para cumprimentar o tal Christian acabei me ligando. Estava simplesmente apertando a mão de Christian... Fittipaldi! Novo comentarista da Jovem Pan.

Felipe me apresentou a ele dizendo que tinha ganho o Superpole. E eu e Christian começamos a conversar. Perguntou meu nome completo, e se pesquisava muito de F1 apenas, ou sabia também de outras categorias. Respondi a ele que tudo que tem motor sempre me interessa a correr atrás. Porém o papo logo foi interrompido porque, afinal, eles precisavam entrar no ar.

Mais ou menos 13:05 o programa começou. E fiquei lá assistindo. O mais bacana de tudo foi ver o clima “descontraído” (entre aspas, afinal aquilo era trabalho) dentro do estúdio. Felipe, claro, falava mais. Pediu a participação de Christian, que, com seu iPad, trouxe os tempos do terceiro dia de testes em Jerez.

No primeiro intervalo, Felipe Motta saiu do estúdio para ligar para um entrevistado, me deixando com Christian apenas. Voltamos a conversar. De fato, havia muuuuuitas coisas que gostaria de falar e perguntar naquela hora. A primeira que me veio à cabeça foi algo sobre Indianápolis 1995, quando foi 2º colocado. Conversamos também sobre Surfers Paradise 1997. Ele me mostrou em sua perna direita a fratura dupla que sofreu depois da forte batida com Gil de Ferran. Fratura que o tirou das 6 provas seguintes daquele ano. Disse a ele que tinha a corrida gravada em VHS, e ele chamou minha atenção para o momento em que apertou o macacão de um dos membros da equipe médica (aos 10 minutos e 52 segundos). Disse que foi a pior dor que sentiu na vida, segundo o próprio “uma pontada insana”.

Logo o papo foi interrompido novamente. Entrariam no ar de novo. Christian faria ainda algumas colocações depois da entrevista conduzida por Felipe Motta. Porém enquanto Felipe ainda falava ao vivo (acho, não lembro), o simpático Christian me cumprimentava e ia embora. Estava tão anestesiado com sua presença e as histórias que me contara que sequer pedi pra tirar uma foto comigo. Besta. Fica pra próxima L.

Felipe tinha um compromisso depois das 14 horas, sendo assim, gravou uma parte do programa antes que chegasse, pois havia comunicado a ele que tinha vontade de entrevistá-lo. Enquanto o programa rolava conversamos bastante durante uns 20 minutos. Papo que virá para o blog em breve!

Depois da conversa, voltamos ao estúdio para o Felipe acabar o programa. Depois de terminado o programa, conversamos ainda bastante sobre F1 e afins. Como tinha dado a mancada com Christian não podia deixar passar a oportunidade de tirar uma foto com o Felipe antes de ir embora, o cara que me proporcionou uma experiência das mais inesquecíveis da minha vida.

Palavras não dão idéia do quão legal foram aqueles momentos.

Valeu Felipe! Fico devendo essa!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O desafio


GP da França, Magny-Cours, 2007. O mundo via Kubica voltando ás pistas da F1 depois de seu acidente tenebroso 3 semanas antes em Montreal. Um acidente que o havia tirado (por precaução, é verdade) do GP dos EUA. Mas as perguntas e suposições a respeito da forma de Robert eram inevitáveis.

Seria Robert um Niki Lauda, no que diz respeito a dar a volta por cima depois de um acidente sério que poderia ter tido facilmente conseqüências mais sérias do que realmente teve? Ou Kubica seria mais um dentre tantos pilotos como Gerhard Berger, J.J. Lehto e Olivier Panis, a sofrer da “síndrome de Karl Wendlinger”, e nunca mais voltar a ter aquela performance posterior a seus graves acidentes?

Kubica respondeu a essa pergunta marcando o 4 posto no treino de classificação, (apenas atrás das Ferrari’s e Hamilton, já que Alonso havia enfrentado problemas) sua melhor performance no ano. Na corrida espantaria as incertezas sobre seu estado mental capitalizando o 4 lugar no fim das 70 voltas, resultado que viria a repetir uma semana depois em Silverstone.

Quis o destino em 2008 que Hamilton escolhesse a dedo o lugar e em quem bateria seu carro na saída dos pits em Montreal, na maior barbeiragem da década de 2000. Lewis desviaria de Kubica e acertaria Kimi, abrindo espaço para o primeiro, e até agora único, trunfo do polonês, um ano depois de seu acidente naquele mesmo circuito. Não só isso, com aquela vitória ele assumiria pela primeira vez a liderança do mundial de F1, demonstrando que o acidente pavoroso de um ano antes não o havia abalado nem um pouco.

Nesse momento Robert encontra-se numa situação parecida. Um acidente novamente assombra sua carreira, e agora, principalmente, sua vida, já que as previsões mais otimistas dão conta de que o polonês só deva voltar depois de 6 meses em recuperação. Terá um dragão muito mais feio e hostil do que aquele que matou há 2 anos e meio quando cruzou em 1 a linha de chegada do circuito Gilles Villeneuve. Mas para um lutador, como demonstrou ser nos últimos dois anos tirando leite de pedra com carros decadentes como a BMW ‘09 e a Renault ’10, esse talvez seja só mais um desafio, mas que no momento é "o desafio".

Quem viver verá. Szybkiego powrotu do zdrowia Robert!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Pelo esporte... mesmo que sem querer


Ontem a Ferrari mostrou seu carro numa cerimônia que já vai virando exceção na F1 atual. O ato de reunir a imprensa na fábrica, dar uma festinha com comis e bebis e quando menos se espera aparecer com o carro de uma forma notória. Isso até 2008 era de lei. Todas as equipes, de alguma estrutura que conseguiam deixar seus carros prontos para a primeira ou segunda sessão de testes faziam isso.

Porém, ao que indica, isso irá desaparecendo tão logo que os dirigentes dos times vejam que isso não é lá tão necessário para agradar patrocinadores e fazer com que o carro tenha boas críticas da imprensa especializada. Na verdade, no caso da imprensa pouco se pode falar de um carro de corridas antes dele andar. Fala-se aquilo que se leu ontem, detalhes visíveis a olho nu.

Mas sabe-se que desde que fizeram o primeiro fórmula, julgar um carro apenas a olho nu é muito errado. Fosse certo, carros como a Williams de 2004 e a Benetton de 1991 deveriam ser lembrados por suas conquistas na pista, não só pelo design. E carros como o RB6 não, já que o grande trunfo do projeto estava sob a carenagem, um sistema de escapamento que direcionava o ar do motor ao difusor traseiro, das maiores sacadas de todos os tempos.

As equipes caíram na real. E segunda e terça-feira farão, em Valência, algo mais discreto privilegiando o carro, seu desenvolvimento, seu desempenho. Algo como uma pequena sessão de fotos à imprensa, divulgação de fotos do carro em estúdio para deixar os patrocinadores felizes e... correr.

Pergunta-se: Pode se dizer que essa mudança só foi provocada apenas por uma crise mundial de sérias proporções? Pode e deve. Mas dentro da evolução constante e implacável da F1 deu-se um retrocesso, algo que lembra uma F1 que não se preocupava tanto com pompa e luxo... uma F1 mais esportiva. Se vemos a F1 correndo em Abu Dhabi e iniciando uma temporada num circuito xôxo como o de Sakhir só pra ir atrás de uns petrodólares, pelo menos um lado disso tudo ainda, por enquanto, corre pro lado certo esportivamente falando.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Hall of The Mountain King - Savatage


Esse seria mais um álbum do Savatage, banda que já havia lançado outros 4, mas sem alcançar grande sucesso e aclamação. Porém nos idos de 1987 tudo isso mudou. Os irmãos Oliva naquele ano concebiam um álbum ícone no que diz respeito à junção de melodias e guitarras brutalmente pesadas.

Power Metal. É o que costumam usar pra rotular. Concordo bastante. E digo mais, talvez tenha sido esse disco que tenha feito esse estilo ter duas frentes. Uma, a que se desprende do melódico chinfrin (embora tenha algumas influencias, claro) sem aqueles arpejos “virtuosos”, agudos “no balls” e teclados “épicos”. A outra, a com tudo isso que eu acabei de citar (ouça qualquer coisa do Stratovarius).

A verdade é que o Hall of the Mountain King poderia ser tranquilamente considerado um álbum da NWOBHM, fosse o Savatage uma banda inglesa/européia (o que por sinal só não é no papel, mas tem a cara e o jeito, americanos que são). E é por isso que tenho esse disco como um dos meus favoritos. Por sair daquele limbo do metal melódico em que tudo soa ópera e fazer algo de mais peso, de riffs densos, de vocais mais despojados, de uma percussão mais cadenciada, mas sem deixar de ter uma melodia bem interessante no final das contas.

Creio esse disco ser o ponto máximo desse casamento melodia-peso. Que o digam as faixas Beyond the Doors of the Dark e sua penumbra, as intros Prelude to Madness e Last Dawn, a faixa título, White Witch e Strange Wings, cujo riff principal poderia figurar em qualquer disco do Iron Maiden dos anos 80.

Foi por causa desse disco que comecei a dar mais atenção ao Savatage, foi por causa desse disco que Criss Oliva passou a ser um dos meus guitarristas favoritos. Em suma, é um disco que foge do óbvio, da regra, do conceito. Algo que mais e mais têm se tornado incomum. Já me perguntei várias vezes quais são meus 10 álbuns favoritos... eu não faço idéia, mas creio não poder deixar de fora esse.

1. 24 Hours Ago

2. Beyond the Doors of the Dark

3. Legions

4. Strange Wings

5. Prelude to Madness

6. Hall of the Mountain King

7. The Price You Pay

8. White Witch

9. Last Dawn

10. Devastation


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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

"Sorry guys"



Em Setembro, depois de uma fase complicada na minha vida, precisava me distrair com algo. Fazer algo diferente pra desestressar. Por isso, ressuscitei o blog, porque, mesmo sendo amador e sem fins lucrativos, amo fazer isso aqui (vocês não sabem o quanto). Estava realmente empenhado e coloquei na minha cabeça que não mais pararia de postar.

Porém novos problemas chegaram agora, e numa intensidade e de um jeito que ficaria difícil continuar mantendo o blog. Portanto, decidi dar mais um tempo. Refrescar a mente e planejar a minha vida, principalmente, a longo prazo. Faço isso por mim. Infelizmente a vida não é feita só de guitarras distorcidas, corridas emocionantes e motores 2-tempos (quem dera...). É como diria Rob Smedley "-Your life is faster than you". Enfim, eu tenho prioridades a serem respeitadas.

Não quero ser extenso. Tem pessoas que eu gostaria de agradecer, mas não vou citar nomes pra não preterir ninguém, sintam-se todos abraçados por mim.

Não é um adeus... só um até logo. (espero ser o mais breve possível)
Tenham um grande fim de ano! Nos esbarramos por aí!

(Fotinho bonitinha p/ vocês, rs)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Saudade


Domingo à noite, depois de um vestibular mal sucedido à tarde, fui ver o filme “Senna”. Cabeça relaxada, sem hora pra nada. Apenas disposto a ver o que o filme tinha a me oferecer. Não me decepcionei.

Obviamente, como aficionado em corridas desde bem cedo, já sabia a história do início ao fim, de trás pra frente, de cima pra baixo e poderia até mesmo dublá-la na hora se o áudio do filme fosse em sérvio.

O que quero dizer com isso? Que esse não é um filme para aficionados.

É um filme para quem vê Senna como mito, herói, grande brasileiro que foi. Não um esportista, sujeito a dias ruins, como teve também. É um filme pra quem tem a visão de Senna à imagem e semelhança de Deus. E cá entre nós, não é uma coisa errada a se fazer. Senna talvez tenha a história mais incrível e mais cinematográfica da história do automobilismo, quiçá, do esporte mundial. Chegou, arrasou, brigou, ganhou, ensinou e, subitamente, se foi. Dá um belo roteiro de filme, convenhamos.

Temos que respeitar a quem não respira F1 24 horas por dia, e apenas gosta de ligar a TV no domingo de manhã para torcer por um piloto de seu país, enquanto toma o café. Um alguém que vê unidade entre si e o ídolo presente na tela. Um alguém como os milhares de brasileiros que foram às ruas no dia 4 de maio de 1994 se despedir e chorar pelo ídolo falecido. Um alguém que, a partir de 1995, não viu mais tanta graça na F1. Se você é assim, o filme é pra você.

Mas falando agora como chato admirador de F1, o filme deixa um pouco a desejar sim. Ignora vários pontos chave da carreira de Senna. Pontos excitantes, como as façanhas de Toleman e Lotus (mostra-se apenas “a façanha” nos casos), as disputas dentro e fora da pista com Piquet e Mansell e os atos heróicos quando a McLaren não era mais o melhor carro, como em Mônaco 1992 (essa ausência, a única que acho imperdoável). Fora também não haver uma mençãozinha a Gerhard Berger. Não custaria nada, e seria muito justo, já que o austríaco foi grande amigo pessoal de Ayrton Senna.

Enfim, o que quero dizer com isso? Que esse não é um filme para aficionados.

É um filme pra quem quer se divertir e aproveitar. Um filme para levantar discussões em botequins sobre o duelo Senna x Prost, e como Senna era o maioral à prova de falha. Mas é mais do que isso, é um filme pra quem tem saudade.

Como já disse, não me decepcionei.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Polaris - Cold Blooded Justice


Conhecer bandas novas independentes é algo normalmente, convenhamos, bem desinteressante. Às vezes as ouvimos em festivais, às vezes por meio de amigos. Normalmente tendemos a ser bem críticos quanto ao som, as letras, as composições e a técnica. Confesso ter ouvido com esse olhar cético (não de propósito, claro) quando o meu amigo (vocal/guitarra) Matheus Tassinari me passou a primeira demo de sua banda, Polaris.

Mas... que demo. Sua banda recupera o Thrash Metal do começo dos anos 80 e surpreende pelas composições e qualidade das músicas. Thrash de letras politizadas, riffs rápidos e vocais rasgados. Tão boa que concordei em conceder um espaço nesse blog de assuntos e temas tão seletos para mostrar a vocês.

A formação tem além de Matheus Tassinari, Nicko Gialluca no baixo, Murilo Riot na outra guitarra e Cesar Destroyer na batera. Digo, excelentes músicos; tendo, ao dizer isso, a propriedade de já ter dividido o mesmo palco com Nicko, na época apenas baterista.

Porém, é de se impressionar a qualidade e o virtuosismo da banda. Matheus, o principal compositor, tem 16 anos de idade, e toca muito melhor do que a maioria de caras mais velhos que se metem a fazer uma banda de músicas próprias. Tanto que se me colocassem uma venda nos olhos, diria estar ouvindo uma banda experiente e amadurecida, nunca gente tão jovem.

Fica a recomendação. O pessoal tá começando, o som é bom... cabe a nós o incentivo. Já que reclamamos tanto quando vemos bandas de qualidade duvidosa por aí, está aí uma oportunidade de valorizar quem merece. São cinco músicas, vale a pena.

Link para baixar a Demo inteira

Canal no Youtube

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Quando perguntarem porque...

... você gosta de F1, mostre isso:

Prefiro não dizer nada. Vi no GP Séries.

A pratos limpos


Justiça. É uma palavra que resume bem o primeiro título do alemão Sebastian Vettel, de 23 anos de idade. Justiça ética de sua equipe, que mesmo ante a uma pontuação maior de Mark Webber, jamais tratou os dois de modo diferente, (tenho minhas dúvidas se o contrário também seria assim, mas...) em contraste à Ferrari e seu vexame em Hockenheim. Justiça “performática” (ou de performance), já que Vettel foi o piloto mais rápido do ano em classificação, tão quanto dominou corridas das quais a vitória escapou de seus dedos por problemas mecânicos (Bahrein, Austrália, Coréia). A verdade é a que já dizia aqui há cerca de semanas quando falava que era pra estarmos apenas cumprindo tabela nessas últimas provas, na iminência de um título de Sebastian. Mas não, quis o destino que ele viesse de modo mais emocionante.

O fiel da balança pra tamanha reviravolta no mundial foi o acidente de seu ídolo Schumacher (não vi toque, alguém viu?) no início da prova com Vitantonio Liuzzi. Ali vimos, entre nanicos, Rosberg, Alguersuari e Petrov indo trocar os pneus para não mais voltar aos pits. Pensava-se que haviam arriscado demais, mas os outros, e nós mesmos, havíamos esquecido que Abu Dhabi não dá mais de 5 ultrapassagens por corrida.

Para ilustrar isso basta eu dizer que Webber só passou Alguersuari por prováveis pedidos da “voz na consciência” do espanhol. Sabem, ouvi dizer que eles têm o mesmo patrão. Mas enfim, Felipe Massa não tinha o mesmo patrão de Alguersuari e por isso foi fadado a passar a prova atrás do espanhol da Toro Rosso e chegar em 10º, fechando assim seu magnífico(?) e eficiente(?!) 2010.

Mas o drama do dia teve dois protagonistas de lados opostos da linha do “bem” e do “mal”. Um, o herói da Ferrari, que havia levado o carro vermelho a 5 vitórias no ano e a liderança entre pilotos antes da “última ronda” em Abu Dhabi. O outro, o vilão da Renault, Petrov. Russo que levou 15 milhões de dólares para o time francês e fê-lo torrá-los com seus diversos acidentes durante a temporada. E ainda por cima, tido como peso morto, já que havia em 18 provas marcado 19 pontos, contra 126 de seu companheiro de equipe Robert Kubica.

Pois bem, o ano dos dois havia sido diferente em gênero, número e grau. Mas bastou Alonso voltar de seu pit na volta 15 para que ambos fossem "iguais perante a lei". Ali estava Fernando atrás de Vitaly, sem passar e sequer conseguir aproximar-se. Culpa do circuito de Yas Marina? Muito provavelmente, já que a prova foi uma procissão do início ao fim. Mas Petrov, que achava eu, não resistiria a pressão de Don Fernando, manteve-se 40 voltas à frente do espanhol sem errar. Certamente a melhor de suas exibições em 2010. Tão boa que fez Alonso risivelmente sair do sério após a bandeirada, gesticulando dentro de seu F10. Que fosse chorar à mãe ou a Briatore. Como dizem por aí: Perdeu play boy. Sorry Fernando (hihihi).

Webber, ninguém sabe ninguém viu. Hamilton e Button, outros fiéis da balança, no fim das contas, fizeram um grande trabalho.

Feliz estou por Vettel, pela lição dada na Ferrari e em Alonso. Eu sei que a palavra “justiça” no esporte é muito difícil de ser empregada sem parecer algum tipo de bairrismo. Mas acho que o dia 14 de novembro de 2010 mostrou a Ferrari, ao mundo e, principalmente a Alonso, que podemos sim, ser honestos, justos... e vitoriosos no fim das contas por meio de nossas próprias qualidades, sem ajudas suspeitas. Fica a lição aprendida.

No mais... resta-nos esperar e esperar. F1 agora sóóóóó em março de 2011. Tchau 2010, vamos sempre lembrar de você com carinho.

sábado, 13 de novembro de 2010

Tudo definido?


Vettel crava uma pole position. Até aí não existe nada de muito excepcional, já que nesse ano ele cravou mais da metade das possíveis. O atenuante fica por conta da mudança de postos internamente na Red Bull. Webber saindo do 5º lugar acaba de perder o posto (que nunca teve de fato, é verdade. Mais algo meio psicológico) de piloto nº 1 do time austríaco. Ou seja, arrisco a dizer que Mark psicologicamente, hierarquicamente e fisicamente, tratando do grid de largada, tem suas chances de ser campeão amanhã diminuídas sensivelmente, se não, totalmente.

É mais provável que Webber tenha que trabalhar para Vettel do que vice-versa. Cruel com o australiano... muito cruel na verdade. Fez um excelente campeonato para sucumbir antes da prova decisiva começar pra valer. Só será campeão se achar por amanhã uma corrida como a que fez na Hungria esse ano. Vai ter que andar muito, e vai precisar de sorte. Ficou difícil.

Enfim, Vettel pra ser campeão vai precisar de Webber e de Button, e ainda de um azar de Alonso que o faça terminar a prova longe de onde tem o costume de terminar. Algo difícil de imaginar. É mais provável o alemão conquistar o bi-vice-campeonato com sua, digamos por ora, virtual segunda vitória em Abu Dhabi, do que ser campeão.

Alonso só precisa terminar a prova no pódio para ser campeão. Não vai precisar da ajuda de ninguém, como aliás nunca precisou pra ser quem é, e ganhar os títulos que já ganhou. Sua corrida é facílima pra alguém de sua capacidade.

Hamilton precisa que aconteça uma tragédia com tudo e todos. Como não tem nada a perder, pode encher um pouco o saco de Vettel na largada. Passar, se Seb largar bem, acho difícil. Na verdade, não tem muito o que falar de Hamilton, amanhã só vai tirar pontos dos outros postulantes. Título esquece.

Quanto à prova, eu realmente espero um espetáculo, não um desfile. A última coisa que gostaria de ver amanhã ao ligar a TV seria a “pasteurização da emoção” de uma decisão de título. Algo sem gosto. Uma emoção cheia de cifrões, modelos, sheiks, luzes, pôr-do-sol, lua cheia, prédios bonitos. Longe de ser uma emoção de decisão de título a altura do que foi esse mundial e do que é e foi a F1 ao longo dos anos. Algo sem conteúdo. Seria muito decepcionante realmente... mas é o que tende a ser, infelizmente.

Mesmo assim, espero fazer outro post amanhã falando dos prazeres de se errar algumas previsões as vezes.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.10)


In The End última faixa do disco Fly By Night de 1975. Faltava um exemplo da época "Hard" do Rush e poderia ter escolhido umas 5 ou 6 músicas mais conhecidas que essa. Por quê escolhi essa então? Por não querer ser óbvio e pra quem nunca ouviu esse som tomar contato, já que é na minha opinião a melhor música desse disco. Confesso que não vejo tanto valor nos primeiros discos do Rush como vejo do 2112 pra frente, mas é algo bem pessoal. Se você curte um Rock n Roll dos anos 70 certamente vai gostar.

E esse foi o fim da coletânia do blog clique aqui para ver todas as 9 músicas antes selecionadas por mim.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.9)


Do disco Test for Echo, digamos o mais "alternativo" da carreira do trio canadense vem esse som. Virtuality, 8ª. Boa música, na verdade, uma música que segue muito bem a linha do Rush dos anos 90. Algo não mais tão progressivo (argh!), mas, em contrapartida, muito velho pra ser considerado alternativo, ou grunge, ou seja lá o que for. Contextualizando o momento, foi à essa época que banda deu sua parada de 5 anos graças as mortes da esposa e filha de Neil Peart. Esse foi o último CD gravado antes de tais acontecimentos.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O piloto e os carros


Atrasado, claro. Não pude ver à corrida, estava naquele momento fazendo a maldita prova do órgão INEP(to). Sendo assim vi resumos e reprises.

Corrida chata. Esperava-se muito mais depois de um treino como o de sábado. Um treino de estratégia, um treino de riscos, mas sobretudo um treino de pilotos. Em que pilotos, apenas eles, poderiam fazer a diferença, e aconteceu. Primeira pole de Nico Hulkenberg(!!) na F1. Piloto que achava, até sair de casa para o Enem no sábado, bem fraquinho. Um daqueles de passagem opaca ao olhar público-geral no futuro. Necessárias foram 3 voltas perfeitas para mudar radicalmente minha opinião. Digno do mais efusivo aplauso da minha pessoa, mesmo não vendo ao vivo.

Lembrou muito a pole de seu atual companheiro Barrichello na Bélgica em 1994, sua primeira na ocasião. Chuva, pista secando, trilho, riscos e voltas perfeitas desbancando os peixes grandes da categoria. Com a diferença apenas de que Hulk não acabou a corrida na proteção de pneus, foi realmente muito parecida a ocasião dos feitos. Ponto para o alemão, que chegou em 8º e levou de Interlagos a moral quadruplicada, por além da pole position, 4 pontinhos no mundial.

No treino tivemos um show de piloto, na corrida o contrário a rigor. Uma corrida de carros, não pilotos. Uma corrida de máquinas, não seres humanos. Fato que se observa no resultado. 1-2 facílimo da Red Bull, 3º lugar facílimo de Alonso, 4º e 5º naturais a McLaren, tão quanto os 6º e 7º da Mercedes. Além do título de construtores, que apenas o apocalipse tiraria da Red Bull.

Simplesmente não há o que dizer da corrida. Corrida sem conteúdo que foi. As disputas ficaram guardadas ao pelotão dos menos afortunados, e nele os brasileirinhos contra esse mundão. Na verdade essa corrida representa muito bem o nível da decepção do automobilismo brasileiro na F1 em 2010, talvez o maior de todos os tempos. Dos 4 pilotos brasileiros pode-se dizer que apenas Barrichello esteja fazendo um ano dentro da expectativa. Os 3 outros decepcionam. 2 porque andam de jegue (talvez a massa nem soubesse da existência de Lucas Di Grassi até o “GP Brasil”) e 1 por motivos “misteriosos”.

No geral, não vou mentir, o GP do Brasil me decepcionou um pouco. Porém em uma semana (menos agora) veremos um campeonato ser decidido pela primeira vez com 4 pilotos na disputa na última corrida. Talvez não seja a melhor pista, Abu Dhabi, para se decidir um título, ou para se ter uma corrida de F1 decente. Mas o que se espera em Yas Marina é uma corrida, sobretudo de pilotos, não de carros. Um desfecho perfeito para um mundial que beirou a isso.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Um GP especial


Mais um GP do Brasil. Já são 39. Duas pistas com três traçados diferentes. 5 decisões de títulos, 9 vitórias brasileiras, muitas histórias.

Talvez o GP do Brasil não seja o mais glamoroso, não seja o de melhor estrutura, não tenha o melhor asfalto, não tenha melhor drenagem, mas é um local emblemático para a F1, um local que fez e faz história seja como for. É um local que recupera a verdadeira essência do automobilismo, o quê do desafio, (em um traçado que diga-se foi dos poucos poupados das mãos de Hermann Tilke) o quê da informalidade, o quê da simplicidade. Coisas que a F1 do século XXI vem mais e mais perdendo/ querendo apagar, tornando-se um evento exclusivamente comercial.

O GP do Brasil rema contra a maré. Basta olhar uma foto de Interlagos nos anos 70 e uma dos anos 90. Constata um crescimento alto e desordenado da cidade ao entorno da pista, típico de um país subdesenvolvido, típico de governantes incompetentes e típico de países que não conseguiriam administrar e manter um evento do tamanho da F1.

Então o que mantém o GP do Brasil no calendário por tanto tempo já que “nossa paixão”, nossa atenção, é, e sempre foi, única exclusivamente o futebol? É o que sempre me pergunto. Repare que países de tradição como França, Holanda e Portugal não têm mais corridas no calendário, não conseguem mais lançar um piloto que faça as atenções do pais se voltarem ao automobilismo, mesmo sendo europeus, e no caso da França tendo montadoras e fábricas importantes.

Não há explicação racional. O que há é uma força sobrenatural, uma força conspiratória.

Besteira de um aficcionado em corridas que ama ver a F1 anualmente indo a seu pais? Provavelmente. Mas ele em defesa a si próprio tem dizer que: 1. Desde que Interlagos foi para fim da temporada em 2004 decidiu 5 mundiais em 6 corridas disputadas. 2. Sediou a única corrida “sem começo e fim” da história da F1 em 2003. 3. Teve seu principal herói ganhando de maneira inacreditável duas corridas em condições adversas. 4. Foi palco da decisão de título mais dramática da história na última freada. 5. Em 1983 tornou-se o único na história que não possui 2º colocado. 6. Já vimos por aqui um inglês vencer e desfilar com a bandeira do Brasil. 7. Viu em 2009 o mais longo e dramático treino de classificação da história. 8. Teve em suas 4 primeiras edições 3 vitórias de brasileiros. 9. Tem como maior vencedor um francês que por muito tempo foi odiado por essas bandas... e por aí vai.

E deve ter mais um monte de motivos pra argumentar que o que acontece no Brasil foge do normal de uma simples corrida de F1, esses que citei apenas vieram de cabeça no momento em que digito esse post. A verdade é que o GP do Brasil sempre terá um lugar de destaque na memória recente e antiga da F1, sempre será um clássico.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

OFF: Dilma eleita

Eis que o 34º presidente da Republica Federativa do Brasil foi eleito, ou melhor, eleita. Não, não votei na Dilma. Não acho que ela esteja preparada para assumir um cargo de suma importância tal qual esse para qual se candidatou e venceu. Não acho também que Dilma, por mais linha-dura que seja, consiga ter sozinha o peito que tiveram Lula e FHC perante as respectivas oposições na hora de implementar projetos de campanha.

Outro motivo pelo qual não votei em Dilma tem a ver com a escolha de seu vice, Michel Temer. Homem qual não se precisa ir muito longe para constatar o quão podre é ele e seu partido, PMDB, sempre metido em escândalos. No passado foi grande defensor de FHC, nomeado que foi para presidência da câmara dos deputados duas vezes, e ontem tornou-se vice-presidente ao lado de Dilma Rousseff, enquanto o partido do qual é PRESIDENTE esteve do lado dos tucanos. Dá pra sentir cheiro de interesse aí?

No 1º turno votei em Marina Silva, ontem votei em Serra, muito por falta de opção. Achei muito melhor do que anular, ou votar em branco. Muito embora também ache Serra um incompetente, já que sequer teve poder de reação nas pesquisas durante a campanha em que começou na frente, o acho mais preparado. Um cara com uma extensa carreira política, além de já ter sido ministro, prefeito e governador.

Porém ele não soube usar-se disso em debates e propagandas eleitorais, além do mais, também não soube usar o fato de Dilma construir sua campanha quase que por completo em cima de Lula e o que isso poderá trazer de problemas para o país se futuramente houver uma ou outra divergência, e por ventura, uma separação entre os dois. Dilma perderia o apoio político, que muito se deve a Lula, e o Brasil poderia viver uma crise de autoridades, nada bom pra quem tem copa do mundo e olimpíada pra sediar.

Não sei se o Brasil está em boas mãos, mas há de se enaltecer a conquista de Dilma sendo a 1ª mulher eleita presidente da republica, um marco para nossa história. Apesar de achar uma bobagem esse papo de movimento feminista e tempestades em copos d’água feitos por esse nicho “militante”, vimos ontem uma notável conquista.

Por fim gostaria que parassem de satanizar hipocritamente (acho que essa palavra não existe, mas dane-se) a prática do aborto no Brasil. Existem clínicas com ginecologistas especializados neste tipo de operação há muito tempo por aqui. E inclusive muitas das pessoas riquinhas/religiozinhas que demonizam essa prática não pensariam/pensam duas vezes ao ver a filhinha de 16 anos fecundada para mandá-la abortar imediatamente numa clínica zilionária.

Enfim... é isso, graças ao céus terminou. Que sejam 4 anos de grande crescimento e paz para o Brasil. Sorte e competência aos eleitos.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.8)


The Enemy Within, 4ª do disco Grace Under Pressure de 1984. "O timbre chega a beirar o The Police" diria alguém, o mais puro Reggae n' Roll do trio canadense. Grande exibição de um grande álbum, o qual recomendo a audição, na verdade, recomendaria à quem não conhece a banda, esse, o Moving Pictures e o Permanent Waves, são o que o Rush tem de melhor, e não são extensos, (8, 7 e 6 músicas respectivamente) não cansando o ouvinte.

Ah, claro. @leandrusfla ficaria feliz se eu mandasse um alô pra ele... tava pedindo algo do Grace Under Pressure. Taí, pronto.

domingo, 24 de outubro de 2010

Korean Drama


E foi com ótimos traços de um filme de drama/suspense que foi realizado o primeiro GP de F1 em domínios sul-coreanos. Dessa vez o amigo roteirista do além desafiou nosso sono e paciência quando adiou a largada em 10 minutos, fez os carros darem 3 voltas atrás do Safety Car e colocou uma bandeira vermelha de 48 minutos madrugada a dentro no Brasil. E Mais, depois disso outras 14 voltas intermináveis atrás do SC. Mas lhes digo... foi um esforço que valeu a pena.

Alonso ressurge das cinzas. A Ferrari que lá por junho e julho procurava um lugar para enterrar o quase perdido ano de 2010, agora, tem Fernando como o piloto que mais ganhou corridas nesse ano, e liderando o mundial de pilotos. Uma virada e tanto, e tomando por base os campeonatos ganhos por Alonso em 2005 e 2006, quando a consistência e constância foram os grandes trunfos do espanhol, não existiria um momento do campeonato mais inoportuno do que esse para um abandono duplo da Red Bull.

Webber e Vettel não podiam ter tido um dia pior. O primeiro errou grosseiramente (no sentido de a prova ter acabado de começar) e rodou, ainda levando o inocente, e eficiente até aquela altura da corrida, Nico Rosberg. O segundo vinha com amplo domínio da prova e de seus desenrolares. Ganharia e faria Webber engolir seco tendo que trabalhar, provavelmente, para ajudá-lo nas últimas 2 provas. Porém Sebastian foi traído pelo ultra confiável motor Renault, que durante o ano jamais havia quebrado. Quebrou na hora errada. Péssima prova da Red Bull que pela primeira vez no ano passou uma corrida zerada.

Hamilton deve ter alimentado um pouquinho suas chances de campeonato em sua cabeça, poderia ter ganho não fosse ao pote com muita sede numa das relargadas, mesmo assim, um bom segundo posto. Mas continuo duvidando que a McLaren tenha performance parecida ou superior à Red Bulls e Alonso nas provas finais a ponto de disputar algo. Anyways, Hamilton tem chance.

No mais, múltiplos acidentes, Massa em 3, Liuzzi fazendo sua corrida do ano, Sutil dirigindo como um caminhoneiro bêbado, demente, míope, na chuva e fora do prazo de entrega da carga e a Sauber e a Williams nos pontos. Além, claro, do fim de corrida fotogênico, ao crepúsculo, quase totalmente noturno, em Yeongam com 2 horas e 48 minutos de vida complicada para pilotos e equipes.

Porém, como todo bom filme de suspense, deixou pontas a serem coladas pelo desenrolar da história futuramente. Mais precisamente, nesse caso, em 3 semanas.

sábado, 23 de outubro de 2010

Touros Santos


Santo Vettel. 9 pole positions em 17 qualifyings disputados até a presente data. Como já disse no comentário sobre o GP do Japão, se o alemão fosse um pouco menos impetuoso nos atos dentro da pista a F1 estaria apenas cumprindo tabela na Coréia do Sul. Não foi, melhor pra nós.

Webber em 2º mostra mais do que um domínio, como previsto, da Red Bull. Mostra que pode “marcar” Sebastian Vettel amanhã sem problemas, o que para o australiano já é muito bom em termos de campeonato. Aliás, ele e Vettel mostram principalmente no 3º setor, o mais curto da pista, o quanto o carro da Red Bull é perfeito em termos de chassis. Enquanto que no longo 1º setor ambos levam cerca de 0.2s da concorrência, no último, menos da metade em distancia em relação ao 1º, ambos RB6 enfiam 0.3s no resto. É um carro fenomenal pra dizer o mínimo. Santo Adrian Newey.

Alonso em 3º, como todos na fila ímpar do grid, sai em posição estratégica de largada. O cálculo feito pela Ferrari segundo Marc Gené é de que os carros da fila par percam cerca de 20m em relação aos ímpares na partida (fonte: F1 Fanatic) por conta do lado de dentro do circuito não ser utilizado como traçado, assim carenciando de emborrachamento e sobrando em sujeira. Que, aliás, poderá ser outro problema se chover antes da prova, deixando a pista mais escorregadia. Mas de qualquer forma nada que um eficaz serviço dos fiscais, com suas vassourinhas, não resolva.

Massa vai tentar ajudar Alonso, dessa vez com pneus duros no primeiro stint. A tradução dessa estratégia na minha cabeça é: Já que Felipe não consegue andar rápido pra ajudar Fernando vão fazer andar lento para tentar fazê-lo. Vamos ver no que dá.

Não há nada sobre a McLaren para comentar, na minha opinião. Serão coadjuvantes mesmo e apenas tirarão pontos dos 3 postulantes ao caneco, campeonato mesmo, já era. Apenas faço um destaque negativo a Force Índia que vai voltando de onde saiu no começo desse ano. Liuzzi não merece ter seu contrato renovado e Sutil se não pular fora do barco rapidinho pode ser que afunde à rabeira do grid com ele... de novo.

Não sei se a corrida será boa, mas inegavelmente o circuito de Yeongam (ou da futura faraônica Yeongam do ano 3000) é muito desafiador, difícil pelos bumps nas freadas depois dos retões e que exigirá um grande preparo físico no que diz respeito ao pescoço, principalmente no trecho da curva 7 a 11. Dirigir lá deve ser divertido, acredita esse humilde blogueiro.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.7)


2112. Dispensa qualquer apresentação. Som fala por si só. A música tem 20 minutos, divida foi em 3 partes. Essa é a 1, a 2 é essa, e a 3 procurem vocês (se não tiverem saco, ouçam só a 1. É a que o Rush tem costume de tocar em shows). Pra polemizar, o Grand Finale é minha parte favorita. Som obrigatório na coletânia do blog... sem mais.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

One Comment

Surrupiei o título do Flavio Gomes... essa foto merece.
Essa a entrada dos pits hoje à tarde na Coréia do Sul. Ai, ai... (foto: @adamcooperf1)

Para gostar de Rush (Vol.6)


Time Stand Still, 2ª faixa do disco Hold Your Fire de 1987. Quem nunca quis parar o tempo em algum momento muito feliz da vida? Eu já... várias vezes. Diria que é meio inexplicável a magia desse som, é suave sem deixar de ser impactante e tem uma aura límpida como um dia de céu azul sem nuvens. Não é exagero, passa um sentimento de liberdade interessante, por mais complexo que seja o delírio que eu esteja a descrever. Tão complexo quanto as emoções humanas.

A única ressalva faço ao video clipe, meio ridículo. Mas a música é demais.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Darwinismo motociclístico


15 motos. E estamos falando do ápice do motociclismo on-road. 15 motos. E estamos falando da categoria almejada de 11 em 10 pilotos no mundo das duas rodas. 15 motos. E falamos de uma categoria que mesmo com 15 motos ainda dá água na boca em qualquer piloto de qualquer uma das 22 motos da Superbike. Tão é verdade isso que vemos vários jovens como James Toseland, Ben Spies, Colin Edwards, Chris Vermeulen e Troy Bayliss abrirem mão de uma carreira já bem sucedida por lá para chegar à MotoGP.

Porém se nada for feito para aumentar esse grid minusculamente ridículo pode ser que ela perca força, e porque não, deixe de existir. É dita uma categoria mais cara pelo fato de suas motos serem obrigatoriamente protótipos, e é aí que reside o grande problema. A viabilidade, pesquisa e paciência de desenvolver uma moto diferente cada ano para as montadoras é algo que parece hoje desencorajá-las a entrar na MotoGP. Mais do que isso é também a falta de testes, que mesmo reduzindo custos em termos de logística, a longo prazo apenas faz aumentar a diferença entre quem está na ponta e quem luta para por pontos e pódios.

Algo tem que ser feito para diminuir o “darwinismo” na categoria, senão veremos mais e mais cenas como as estreladas pela Kawasaki em 2008 e pela Suzuki nesse ano, que não sabe o que faz.

É hora de uma política de crescimento, a lá “Big Stick” ou o nosso “50 anos em 5” (de modo ordenado, claro). Porque ver uma corrida como foi a da Austrália nesse último domingo dá dó. Ao invés de 15 poderiam ser até 14 motos largando se Kallio tivesse queixado-se de suas dores no ombro antes da prova., ou seja, além de todos que chegassem pontuassem teríamos a 15ª posição de valor 1 ponto vaga.

Chegou o tempo da FIM e da Dorna colocarem um pouco do talento que têm para fazer transmissões maravilhosas em uma medida que privilegie a entrada e a manutenção de equipes de médio porte, pois uma categoria não se faz só de grandes nomes, por mais tosco que isso possa soar.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.5)


Witch Hunt, do disco Moving Pictures de 1981. Disco tido como melhor do Rush e executado por completo na turnê atual, Time Machine. Decidi não ser óbvio na minha escolha de uma faixa desse CD. Digo a vocês, nesse álbum há Tom Sawyer, YYZ e Limelight, dentre as conhecidas e aclamadas (com razão, diga-se) pela massa.

Mas são poucas coisas que me tocam nessa vida da forma como faz o arranjo dessa música, que embora simples dissecado tecnicamente, carrega uma infinidade de sentimentos. Um som de teclado que chega a beirar o angelical em contraponto com um clima denso de uma caça à “bruxas” na idade média. Experimente!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cara de filme antigo


10 anos irão separar no ano que vem. Muito tempo. Nesse intervalo a Sauber perdeu o patrocínio fortíssimo da Red Bull, deixou de existir e voltou se não das cinzas sabe-se lá de onde, já que colocar um carro sem patrocínios para correr quebra as barreiras do sobrenatural e começa a parecer loucura dado mundo capitalista que se encontra a F1 atualmente.

Em 2001, 10 anos antes, a Sauber se reformulava totalmente. Contratava o campeão da F3000 em 1999, e piloto de uma das cadeiras elétricas azuis da Prost em 2000, Nick Heidfeld. Contratava também um jovem finlandês de 21 anos vindo da Fórmula Renault inglesa, Kimi Raikkonen. Contratação, essa última, que fora criticada exaustivamente pela imprensa, por técnicos, pilotos e até pelo presidente da FIA, Max Mosley, na pré temporada, já que Raikkonen havia feito apenas 23 corridas de monoposto na vida até ali. Mas para Peter Sauber, tudo valia para não repetir o desastre de 2000, quando o time viveu uma temporada horrível com apenas 6 pontos no ano, todos conquistados por Mika Salo.

E foi também com um forte patrocínio novo, o banco Credit Suisse, que o time suíço chegou a Melbourne com a missão de provar a todos que seu investimento (ou a falta dele) numa dupla de pilotos a ser lapidada durante o ano a fora seria uma boa idéia.

O resultado de imediato foi sensível. Já na Austrália, Heidfeld e Raikkonen pontuariam em 4º e 6º respectivamente. No Brasil, 3ª prova, Heidfeld conseguiria seu primeiro pódio da carreira, 3º, com o time que não subia ao pódio desde o GP da Bélgica em 1998. Raikkonen também silenciou seus críticos com os notáveis 4º lugares na Áustria e no Canadá.

Dessa forma o time de Hinwill cravou sua melhor temporada, desde sua entrada na F1 em 1993, com 21 pontos. Escrita que só seria quebrada em 2004, porém com o sistema de pontos vigente em 2001, (apenas 6, e não 8 pontuando) os 34 pontos feitos no ano teriam sido apenas 12. Ou seja, 2001 é a melhor temporada da Sauber até hoje.

Em 2011, 10 anos depois, os carros da Sauber serão dirigidos pelo japonês Kamui Kobayashi, com praticamente um ano de F1 na bagagem, a lá Nick Heidfeld, e o mexicano Sergio Pérez, vice da GP2 nesse ano, que terá completado 21 anos cerca de um mês e meio antes da estréia, jovem como Kimi Raikkonen. Além claro do patrocínio forte, a mexicana telecomunicadora Telmex, como a Credit Suisse em 2001.

As semelhanças são visíveis, valendo a pena mencionar o nome de James Key, ex-engenheiro da Force India, que chegou à Sauber em abril. Desde lá, o que se viu a olho nu foram os carros suíços progredindo e o mesmo não podendo ser dito da parte dos indianos.

Poderia ser a história se repetindo? Difícil dizer. Mas da astúcia de Peter Sauber não devemos duvidar.

E se você leu esse texto até o fim e é do tipo que curte fazer bolões de F1, acredito que eu já tenha preenchido pra você a lacuna antecedida por “Revelação do ano” no ano que vem.

domingo, 10 de outubro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.4)



Natural Science. Sexta e última faixa do disco Permanent Waves de 1980. Confesso que via Rush com maus olhos até ouvir esse som, culpa do rótulo progressivo. De fato, são 9 minutos de música. Mas uma música com temas distintos, interessantes, e sugestivos, me referindo à letra, por fim. Arrisco dizer que em CDs de estúdio essa é a melhor performance do trio na carreira. Obra prima.

Esperança (re)nascente


Talvez Vettel tenha aprendido, talvez não vá cometer mais erros ridículos e talvez enfim sua cabeça tenha conquistado um pouco da sensatez necessária para erguer um troféu de campeão do mundo. Talvez. A certeza é que se Sebastian tivesse um pouquinho mais de noção em seus atos dentro da pista durante o ano, esse campeonato já teria dono.

O ditado diz que você é tão bom quanto sua última corrida, sendo dessa forma Vettel com seus 3 últimos resultados à frente de Webber e a vice liderança dividida com Fernando Alonso passou a ganhar um status sólido na luta pelo título. Mas é esperar para ver. Das 3 provas a serem cumpridas a Red Bull ganhou duas ano passado, exceção a Coréia, obviamente. Ou seja, são mais favoritos do que já eram, e Seb parece inspirado.

Mas se por um lado Vettel cresce, por outro Webber se acomoda, não sendo ainda tempo de começar a administrar sua vantagem no campeonato. Como ele mesmo disse, precisa ganhar outra corrida. Até mesmo para consolidar sua imagem de possível campeão do mundo, porque já vimos na história da F1 que pilotos precisam fazer boas corridas sob grande pressão se quiserem títulos, sendo isso uma verdade quase (acho que totalmente...) universal para todos campeonatos já disputados.

De resto, a McLaren e Hamilton (Porque pra mim Button jaz em paz há tempos) vêem um campeonato indo inteiro pela janela, graças a erros, azares e problemas mecânicos. Na verdade, esse fim de semana no Japão teve de tudo isso para Lewis. E na minha mente não imagino mais o time de Woking com chances de ser campeão. Quem lê meu blog sabe que era minha oposta, perdi, me estrepei... admito.

Menção, claro, a Kamui Kobayashi. Que piloto é esse? Como um ateu, ante aos vários problemas de turbulência, não de hoje, em Suzuka, simplesmente fez 5 ultrapassagens no hairpin do circuito de sua terra natal, ignorando todo e qualquer problema de estabilidade causado por turbulência. Foi o nome da prova. Destoou do resto, algo que tem feito com freqüência, e destoar é algo que os grandes sempre fazem em carros limitados, ou seja...

No mais, prova com várias vítimas e acidentes plásticos na primeira volta. Ratifiquei o quanto amo ver vários “Out’s” na classificação das corridas. Rodas estranhamente saindo em Kubica e Rosberg, e Felipe Massa mais uma vez decepcionando numa batida da qual dispõe de 100% de culpa.

Enfim, achei uma corrida divertida... acho que fui o único.

O que há?

Dia 2 de novembro de 2008. Massa saia de Interlagos vice campeão do mundo tendo colocado metaforicamente uma mão e quatro dedos na taça. A decepção era lógica. Um título perdido na última das setenta e UMA voltas é algo muito cruel para um esportista, tão quanto para seus fãs que viam ali naquelas 3 voltas a possibilidade de ver um piloto brasileiro campeão no Brasil.

Veio o ano de 2009, e com ele uma decepção. O Kers não era a carta na manga que todos pensavam ser. A Ferrari sofreu, não foi a única, mas dramaticamente passou 3 corridas sem fazer um ponto sequer. Massa passou 4, porém isso não o impediu de chegar a Hungaroring à frente de Hamilton e Raikkonen no campeonato de pilotos, em 5º, apenas atrás das Brawn’s e Red Bull’s. Vinha em alta, vinha de ser 4º saindo de 11º na Inglaterra e do primeiro pódio do ano uma corrida antes, na Alemanha. O brasileiro estava em grande fase dadas as proporções de momento.

Foi quando a mola do Brawn de Barrichello caprichosamente inerte dada a velocidade dos corpos foi abalroada pelo capacete de Massa, deixando-o de fora do restante da temporada.

Chegou 2010, e com ele Fernando Alonso à Maranello. Massa começou o ano bem. Chegou a liderar o campeonato, mas foi a partir da China que tudo começou a desandar. Falta de desempenho, regada à cobranças das mídias e da torcida. Varias teorias elaboradas, mas nada tido como verdade incontestável.

Afinal de contas... O que Aconteceu com Massa?

Onde está aquele piloto aguerrido que foi até 2009? Tenho 2 hipóteses para tentar explicar: 1. Felipe perdeu espaço na Ferrari e agora se sente pressionado tendo a figura (no sentido da personalidade) de Alonso ao lado no time, alguém muito mais presente e político do que Kimi Raikkonen. 2. Felipe não consegue se adaptar ao F10, que até onde se sabe, é um carro que possui dificuldade no aquecimento dos pneus, e por ter um estilo de pilotagem mais limpo, Massa sofre mais que Alonso.

São hipóteses muito na conta do meu achismo, confesso. Pode não ser nenhuma delas, como também podem ser ambas ao mesmo tempo. Pode ser sequela, embora não acredite nisso, há possibilidade, não seria o primeiro caso na F1. A verdade é que o Felipe Massa de 2010 está longe de ser o Felipe Massa que conhecíamos anteriormente, e pouco reflete isso tão bem como essa 12ª posição no grid em Suzuka hoje. Curioso é que Massa foi o único piloto que completou todas as corridas em 2010, mas é talvez o que mais esteja deixando a desejar. Coisas da F1...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.3)



Armor and Sword, 2ª faixa do disco Snakes and Arrows de 2007. Parodiando o título do álbum, a música traz a velha máxima daquele famoso dito popular "panela velha é que faz comida boa". De fato, mais de 30 anos de carreira não pesaram nas costas dos canadenses, apenas serviram de bagagem para aprimorar cada vez mais o grande trabalho que fazem. Esse disco (dos mais técnicos da carreira do power-trio) é prova viva.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.2)



The Big Money, primeira faixa do disco Power Windows de 1985. Disco no qual o Rush começa a abusar dos teclados, efeitos e baterias eletrônicas. Era o apogeu da era eletrônica que contava com grupos como A-ha, B52, The Police, Oingo Boingo, etc... Meio nessa onda, o trio canadense acabou aderindo de certa forma à moda, o que acabou deixando (e na verdade, deixa até hoje) alguns fãs dissidentes quanto a essa fase da banda. Bobagem na minha opinião, grande CD, grande som.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Um triste adeus


Talvez você nunca tenha o visto, talvez você nunca tenha ouvido falar dele, mas um dos homens que fizeram o Brasil ter o sucesso que teve na F1 dentre a década de 70 e 80 foi um gerente/engenheiro da Lotus chamado Peter Warr.

Depois de ser um piloto sem grande sucesso, Warr foi contratado por Colin Chapman no fim de 1969 para fazer parte da equipe Lotus. Parceria mais do que vitoriosa, já que fizeram do austríaco Jochen Rindt em 1970 e do brasileiro Emerson Fittipaldi em 1972 campeões mundiais, fora as vitórias que conseguiram com o não menos grande sueco Ronnie Peterson de 73 a 75.

Com a queda da Lotus nos anos de 75 e 76, Warr aceitou o convite de se juntar à novíssima e de grande potencial equipe Wolf. Com o carro projetado por Harvey Postlethwaite e pilotado pelo sul- africano Jody Scheckter, conseguiram uma façanha na F1 moderna apenas igualada em 2009 pela Brawn GP e Jenson Button, ganhar a primeira corrida para uma equipe completamente nova.

O tempo passou, a Wolf decaiu à falta de resultados expressivos mesmo tendo o campeão de 1976, James Hunt, a dirigir seus carros. Foi também nessa época que Warr geriu a única equipe brasileira na F1, a Copersucar-Fittipaldi, graças à união no final de 79 entre a Wolf e o time brasileiro.

Em 1981, novamente chamado por Chapman, Peter Warr voltou para a Lotus com a difícil tarefa de gerenciar 2 pilotos jovens, Elio de Angelis e Nigel Mansell. Com o 1º não teve tanto trabalho, já que desandou a ganhar seu primeiro GP rapidamente, já com Mansell tudo foi mais difícil. Principalmente após a morte de Chapman em 1982 a situação ficava difícil. Mas foi após o GP de Mônaco de 1984 que a situação ficou insustentável, quando Mansell bateu sozinho enquanto liderava muito à frente de Prost.

E não é preciso ir muito longe na classificação daquele GP para saber quem iria substituí-lo no ano posterior na Lotus número 12. Um tal de Ayrton Senna, que você poderá ver no vídeo abaixo no momento da assinatura do contrato do time que o colocou no mundo dos vencedores da F1. Foi sob o comando de Warr que Ayrton deixou de ser promessa vencendo seus primeiros 6 GPs de 41 no total. Foi lá também que Piquet correu em 88 e sofreu com o motor Judd em 89, não conseguindo se classificar pela primeira e única vez na vida para um GP, na Bélgica.

Após 89, Warr se distanciou da F1. Nesse ano, foi visto no Bahrein durante a comemoração de 60 anos da categoria. Porém ontem, 4 de Outubro, veio a falecer com uma parada cardíaca. Nada mais justo que destinar e dedicar esse post ao inglês que ajudou, porque não, a difundir de certa forma a F1 no Brasil, já que trabalhou com nossos 3 campeões mundiais e com nossa única equipe nacional (Vide meu cabeçalho!).

R.I.P.



domingo, 3 de outubro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.1)




Rush, banda clássica, porém as vezes mal interpretada e subestimada pelo rótulo, errôneo diga-se, de progressiva. Meu argumento é o seguinte: Se Pink Floyd é progressivo não há o que chamar de progressivo no som do Rush, a não ser que você seja um cara chato que gosta de etiquetar bandas. Enfim, primeiro som da coletânia do blog é Subdivisions do disco Signals de 1982. Disco que pode ser considerado divisor de águas dos canadenses quanto ao uso de teclado, que ali deixa de ser apenas mero acessório tornando de fato parte integrante do som da banda. O fim dessa música não me deixa mentir, dos mais belos momentos musicais que conheço.

O novo velho campeão

E tudo foi numa noite de sábado. Will Power foi do céu ao inferno em uma única noite, depois de um ano perfeito. Dario Franchitti viu tudo dando certo na hora certa, compilando para uma decisão de título a altura da grande temporada que tivemos em 2010.

Verdade que num consenso quase universal chegaríamos à conclusão de que Will Power seria mais merecedor do troféu, mas errar e ser apático em momentos decisivos dá nisso. Embora não ache que tenhamos visto uma injustiça do esporte, acho que vimos uma injustiça com o australiano que se revelou um piloto muito mais combativo e vistoso durante o ano todo.

Tal como a Espanha na copa, Dario foi pragmático, não foi arrojado e agora é tri campeão. Tem hora que ser assim não dá resultado, mas tem hora que é essencial manter essa postura, e o escocês soube (e sabe não de hoje) dosar essas qualidades como poucos, tri campeão e bi das 500 milhas de Indianápolis que é. A grande verdade é que dosar essas coisas na Indy, mais que em outras categorias, é fundamental, e como vimos em 2009 e em 2010 com o escocês, dá título.

No mais foi uma temporada divertida. Opinião minha a melhor desde 2001 ainda na CART. Parece que a Indy finalmente encontrou um caminho qual poderá seguir para tentar chegar novamente ao status alcançado no começo da década de 90. Uma boa notícia para uma temporada que promete mais ainda para o ano que vem.

Desafiando o gigante


8 anos atrás a temporada de 2002 da MotoGP entrava em sua fase final. Valentino Rossi já era campeão com sobras ante a uma concorrência que se não fora considerada tão boa quanto, podia ser considerada fraca, dado poderio das novas motos de 4-tempos, que àquela altura faziam, principalmente entre Biaggi e Rossi, um campeonato à parte do resto, que ainda usava equipamento de 500cc.

Faltando 4 provas para o fim da temporada Rossi conseguia sagrar se campeão, graças a sua grande exibição na chuva no circuito de Jacarepaguá (snif...). A prova seguinte seria em Motegi, e para ela, como já havia sagrando-se campeã, a Honda disponibilizou para suas equipes satélites de melhor potencial a tão cobiçada RC211V 4-tempos. O japonês Daijiro Kato ficou com uma e a outra ficaria com um dos 2 pilotos da equipe Pons, o italiano Loris Capirossi ou o brasileiro Alexandre Barros. E deu Alex.

Na corrida Daijiro fez a pole, mas o grande duelo da prova, e daquele mini-mundial de 4 provas que começava dali em diante, seria entre Valentino Rossi e Alexandre Barros, agora com equipamentos iguais. Daijiro partira mal sendo logo superado por Rossi e Alexandre. Porém a disputa apenas começava ali. Kato sairia da prova prematuramente, deixando a luta entre o brasileiro e o italiano, e Barros ao final se desgarraria de Rossi após um erro do italiano a 4 voltas do fim conseguindo ali sua 1ª vitória no ano.

Na Malásia Barros fez a pole, e numa disputa que se estendeu durante todas as 24 voltas da corrida com Rossi, Biaggi e Ukawa, companheiro de Rossi, acabou ficando em 3º deixando a vitória para Biaggi com sua Yamaha e o 2º posto para Rossi. Na Austrália talvez o duelo mais dramático. Barros e Rossi em poucas voltas escalariam o pelotão e dividiriam até a última volta o primeiro posto, até que Alex numa última tentativa de passar o italiano errou o ponto de freada da curva 4 do circuito de Phillip Island, deixando o caminho livre para a vitória de Valentino.

Na última em Valência outro duelo dramático entre os 2, porém dessa vez com Alex levando a melhor vencendo sua segunda corrida no ano e cravando sua melhor temporada na carreira. Mas mais do que isso, ele ganhou de Valentino Rossi, que havia sido imbatível o ano todo, o mini-mundial de 4 provas por 1 ponto, 86 contra 85.

Barros iria para Yamaha de fábrica no lugar de Biaggi em 2003, porém uma moto nervosa e difícil de guiar daria um rumo nebuloso a seu mundial subseqüente, e porque não dizer, até seu fim na MotoGP. Um ano cheio de problemas e muitas contusões.

O que fica na ponta da língua a indagar vendo isso ao fim de tudo é: Será que com a mesma moto desde começo do ano Alexandre conseguiria disputar o campeonato com Rossi no fim das contas? Infelizmente jamais saberemos.