sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Lugares certos, momentos errados


Começou lá em 1997. Mais um italiano empresariado por Flávio Briatore estreava na Minardi (equipe que tinha algumas ações, na época, pertencentes ao italiano “playboy”). O nome dele era Jarno Trulli. Trulli havia sido campeão mundial de kart em 1991, passado por fórmulas menores (campeão da 3 alemã em 1996) e ganhado, por seu desempenho, um contrato com o manda-chuva da Benetton que sempre gostou do título de “caça talentos” (alguns nomes: Giancarlo Fisichella, Jarno Trulli, Fernando Alonso, Mark Webber, Heikki Kovalainen, etc...).

Trulli vinha fazendo o que se esperava dele na posição de piloto da Minardi, nada. Sua obrigação era apenas andar na frente de seu companheiro de equipe, o japonês irregular e conhecido pela  fama de aparar as gramas dos autódromos por onde a F1 passava, Ukyo Katayama.

Porém o ano e a carreira de Jarno dariam uma volta em Junho, após o GP do Canadá. O queridinho da surpreendente nova equipe Prost, Olivier Panis, sofreu o acidente que dividiria sua carreira em antes e depois.

Antes: Promessa francesa, terceiro no mundial de 1997 com dois pódios, grande futuro. Depois: Corridas opacas, poucos pontos, falta de desempenho. Além de um fato: Olivier jamais terminou um mundial à frente de um companheiro de equipe de novo.

Mas voltemos ao italiano tema do post. A partir da França, o nome escolhido para substituir o francês que quebrara as duas pernas em Montreal foi o de Trulli. O italiano não decepcionou, pelo contrário. Com performances sólidas na França (classificando em sexto) e na Inglaterra, Jarno chegou aos seus primeiros pontos na F1 já em sua terceira participação no carro de Alain Prost. Um excelente quarto lugar na Alemanha.

Mas o grande show (que também acabou sendo seu “grand finale” naquela temporada) foi na Áustria. Terceiro no grid, o italiano imediatamente após a largada pulou para a segunda posição. Ao fim da primeira volta, quando o motor Mercedes da McLaren de Mika Hakkinen explodiu na entrada da reta dos boxes, Trulli lideraria suas primeiras voltas na F1. Mais precisamente metade do GP - ajudado por Rubens Barrichello, que segurou Jacques Villeneuve no início da prova. Com a estratégia de uma parada, o italiano voltou atrás de Villeneuve, mas ainda em segundo. A 12 voltas do fim, seu motor Mugen-Honda, que dava banho de óleo em Coulthard (terceiro) havia uma volta e meia, estourou antes da última curva do A1-Ring, tirando de Trulli um pódio certo.

Em Nuburgring, corrida seguinte, Panis voltaria. Mas a boa impressão de Jarno não seria esquecida. Em 1998, já com os motores franceses da Peugeot, a equipe Prost tinha um orçamento que lhe permitia não ter um cheque ambulante - como Shinji Nakano - no segundo carro. A dupla Panis e Trulli soava promissora, mas o carro e o motor não ajudaram. Depois de 21 pontos em 1997, o time pontuou apenas uma vez em 1998: Um magro e mísero pontinho com um sexto de Trulli, no dilúvio na Bélgica.

Depois de “achar” em Nurbugring em 1999 aquele segundo lugar que havia deixado escapar na Áustria em 1997, Trulli encontrou-se em alta novamente. Transferiu-se para a Jordan, equipe vencedora de duas provas na temporada. No entanto, em 2000, o império de Eddie Jordan começou a ruir. Vários abandonos por problemas mecânicos e acidentes inoportunos de ambos pilotos deram a tônica. Trulli continuou no time para 2001, mas foi mais do mesmo. Não conseguiu sequer um pódio.

Foi à Renault em 2002 por força de seu empresário, Briatore – já de volta ao comando da equipe na F1. Passou bons anos ali, mas perdeu a aura de promessa, principalmente quando Alonso venceu sua primeira corrida e fez sua primeira pole position antes do italiano na equipe francesa, em 2003. Em 2004, aquilo que parecia a reação - com vitória e pole position em Mônaco - não foi pra frente. Trulli entrou em rota de colisão com o time (leia-se Briatore) por, segundo o próprio, favorecer Alonso. Nem uma pole position mais tarde na Bélgica melhoraria sua situação com a equipe. Antes do fim do ano, Trulli já não era mais piloto da Renault. Foi para a Toyota.

Inoportunamente, em 2005, a Renault parecia ter o melhor carro do grid. Mesmo assim, Trulli conseguiu, surpreendentemente, ótimos resultados no time nipônico. Três pódios e uma pole até o meio do ano... porque depois, a Toyota não teve fôlego para segurar o ritmo. Um carro totalmente reformulado foi feito para recuperar a forma no fim do ano, porém, segundo Trulli, o bólido não tinha o “seu jeito”. Resultado: Depois de ser vice-líder no início do ano, Jarno chegou em sétimo lugar no campeonato atrás de seu companheiro, Ralf Schumacher. Um golpe.

Um de mais tantos como esse foram aplicados nos dois anos seguintes. O carro japonês simplesmente não tinha ritmo. Em 2008, um pódio tirou Jarno e a Toyota da “seca”, na França. Porém, três provas depois, sua boa performance segurando uma McLaren no fim da prova em Magny-Cours fora “esquecida” por outra estupenda de seu companheiro Glock na Hungria. O alemão foi o segundo, segurando a Ferrari de Kimi Raikkonen nas últimas voltas.

Os últimos feitos de Trulli na F1 vieram em 2009, graças ao difusor duplo da Toyota. Uma pole (com o companheiro Glock a fechar a primeira fila) no Bahrein e três pódios. O último deles, o mais melancólico. Apesar de ter ganho a disputa do segundo lugar com Lewis Hamilton, Trulli e o time sabiam que a primeira vitória da Toyota na F1 era necessária naquele fim de ano para que fizesse o interesse da montadora voltar a florescer na F1. Não foi o que aconteceu. A Toyota saiu da F1 e deixou Trulli a pé.

Seus dois anos na ex-Lotus como figurante nas corridas pouco valeram pra algo. Sua carreira terminou em 2009.

O currículo de Trulli revela um lado ingrato da F1. O dos pilotos que estavam no lugar certo na hora errada. Foi assim em 1998, quando se esperava muito da Prost e nada se teve. Foi assim em 2000, quando se esperava mais ainda da Jordan, e só se tiveram problemas mecânicos. E quando finalmente Jarno teria um carro vencedor, em 2005 na Renault, sua relação com Briatore se estremeceu e culminou em sua saída. Na Toyota, uma equipe sem problemas em jogar dinheiro pela janela (como fez, de fato), nada deu certo até o último ano; porém justamente quando a crise mundial econômica tirou da Toyota o interesse em gastar com a F1.

Nada restou para Trulli, a não ser um lugar na nanica “Lotus malaia” em 2010 só para fazer número. Foi o fim para uma carreira que precisava de mais sorte para deslanchar. Sua substituição por Petrov hoje só bota um ponto final em sua agonia de ser mais rápido que Virgin's e Hispania's, mas muito mais lento que o resto. Jarno não faz parte da F1 desde 2009.

Um comentário:

Marcos Antônio Filho disse...

diria que Trulli foi um bom piloto, mas azarado demais. Estilo Rubens, em matéria de azar. Como vc disse, a crreira dele acabou em 2009. Que agora ele vá pra um mundial de Endurance curtir.