domingo, 12 de fevereiro de 2012

Seguindo o mestre


O GP da Bélgica de 1992 sempre foi e sempre será lembrado como a primeira vitória do piloto que foi a máquina de quebrar recordes da F1 no início dos anos 2000. O alemão - que conquistaria mais 90 corridas a partir daquele dia - dispensa apresentações.

Porém, ao relembrar, um fato que constantemente passa batido naquela prova é a condução de Ayrton Senna. Se a McLaren na pista seca havia conseguido um segundo lugar no grid com Ayrton, no “chove-pára” da prova, não tinha ritmo que lhe permitisse andar com as Benetton's e Williams. O início da corrida comprova isso. Senna, depois de assumir o primeiro lugar na largada, foi caindo de posição e rendimento quanto mais chovia na floresta das Ardenhas naquele dia.

Tentou se manter na pista de pneus secos quando todos foram aos pits para trocar pelos de chuva, torcendo pra que fosse apenas uma nuvem passageira. Não foi. A trupe dos quatro e Mika Hakkinen de Lotus, calçados com os pneus ideais, chegou em Ayrton rapidamente. Senna deu lição de pilotagem defensiva. Segurou-os por quase três voltas completas de forma limpa freando tarde e segurando o carro nas tangências.

Schumacher, dos cinco, foi o que ficou mais tempo atrás de Ayrton. Uma volta completa. Michael conseguiu se livrar de Senna quando o brasileiro patinou na saída da segunda perna da curva Pouhou. Abaixo, um resumo da prova que mostra bem.

Três anos depois o alemão estava na posição de Senna. Sustentando uma posição impossível no molhado contra Damon Hill de pneus de chuva em Spa-Francorchamps pela liderança. A disputa é épica. Schumacher faz aquilo que Senna lhe “mostrou” em 1992, mas com "toques" adicionais de “belas” fechadas de porta durante a volta por diversas vezes. Uma volta e meia que valeu uma corrida, como disse Galvão Bueno.


Não bastasse ter seguido o exemplo de Ayrton em como segurar uma posição naquela circunstância, Schumacher ainda usou do brasileiro para conquistar aquela primeira vitória em 1992 também. Explico: Duas voltas antes de ter feito o pit stop que lhe faria ter ganho a prova, Senna, que acabara de trocar pneus (voltando aos slicks), voava nos segundo e terceiros setores da pista. Schumacher, pressionado por Brundle, cometeu um erro na Stavelot, saindo da pista. Foi a deixa.

Sabendo do ritmo de Senna, o alemão do carro 19 foi aos pits e voltou voando nas duas primeiras voltas, andando cerca de 10 segundos mais rápido que o resto. O líder Mansell foi aos pits, e voltou cinco segundos atrás de Schummy, em segundo. Até ensaiou uma recuperação, mas foi derrubado pelo seu Renault V10 que, a quatro voltas do fim, começou a falhar. Mansell, que chegou a ficar três segundos atrás de Schumacher, chegou a 36.

3 comentários:

Marcos Antônio Filho disse...

é, o Schumacher aprendeu todas as boas e más lições que aprendeu com a Ayrton e deu o seu toque pessoal também. não lembrava dessa disputa o senna realmente defendeu com maestria a spoisções, fez o que pode...

Ron Groo disse...

Eu me lembro da corrida... muito bem.
Foi uma ótima descrição.

Marcelo Betioli disse...

Senna e Schumacher. Dois pilotos incríveis em uma pista incrível.

Abraços.