domingo, 18 de dezembro de 2011

OFF: Goodbye 2011



É. Depois de mais de 100 posts, me despeço daqui em 2011. Foi um grande ano, muito melhor do que a encomenda. Fomos à Jovem Pan entrevistar um repórter que viaja o mundo acompanhando a F1, fomos lá de novo pegar o tão sonhado boné do Fisichella (xD), vimos uma das melhores corridas de todos os tempos no Canadá, fiz alguns posts dos quais relendo tenho um grande orgulho em ter escrito (outros nem tanto) e, não bastasse tudo, ainda vimos o GP do Brasil na faixa.

Era o ano que precisava pessoalmente depois do passado. Fazer faculdade, arranjar o primeiro emprego, ter o sabor do que é a carreira que eu escolhi seguir, saber como é comprar algo com sua própria grana... enfim, viver de fato. Na verdade, estou muito feliz com tudo que tem me acontecido. Não vou falar que não podia ser melhor porque nada nunca é perfeito, mas foi quase lá. Faltaram umas coisinhas, na verdade. Mas tem certos tipos de fracassos que já estou meio acostumado, por mais comodista que pareça.

Há também, claro, os pontos negativos do ano, como a perda de Super Sic durante uma madrugada/manhã que nem era pra eu estar na frente da TV assistindo àquela prova. Um dos meus pilotos favoritos desde sempre nos deixou de uma forma terrível. Além também de Dan Wheldon, outra perda sentida. Ambos vão fazer falta em 2012 (principalmente, no meu caso, Simoncelli).

Mas seguiremos, como não poderia ser diferente. Ano que vem voltamos com as corridas, umas musiquinhas pra regar a vida e muito mais disposição. Continuaremos no Twitter confabulando sobre a vida e outras coisas.

Que 2012 seja tão bom quanto 2011.

Keep your mind on the moon, motherfucka!



Falow’s!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Lástima


Alguém morreu? Não. Mas, de fato, muita história morreu. Com a Newman/Haas, se foi boa parte da Indy. História; um passado de glórias, grandes corridas, disputas apertadas e grandes emoções. Digo: É impossível, ao olhar pra história da categoria, ignorar a equipe Newman/Haas.


Foi o novo e audacioso projeto escolhido por Mario Andretti para ingressar após se desligar totalmente da F1, ao fim da temporada de 1982. Com a equipe do ator Paul Newman e do ex-piloto Carl Haas, o ítalo-americano conseguiu o título de 1984 e uma pole position na Indy 500 em 1987.


Seu filho, Michael, também fez história por lá, conquistando seu único título em 1991 e o segundo lugar na Indy 500 do mesmo ano - depois de uma grande luta com Rick Mears da Penske, que acabou concedendo a Rick sua quarta e última vitória por lá. 


Em 1993, talvez a melhor temporada do time, com não menos que Nigel Mansell ao volante. Mesmo perdendo uma corrida (em Phoenix, sua primeira em um oval, devido a uma batida nos treinos) o inglês foi campeão em Nazareth, com uma corrida de antecedência e cinco vitórias na conta.


O tempo passou, e depois de algumas performances errantes do time do meio ao fim dos anos 90 com Michael Andretti, Paul Tracy e Christian Fittipaldi, chegou Cristiano da Matta. O mineiro ganhou sua primeira corrida pelo time logo na primeira oportunidade, no México em 2001. Dois anos e 10 vitórias depois, da Matta seria campeão e iria para a F1.


Os últimos títulos do time viriam com o francês Sebastien Bourdais de 2004 a 2007, na amputada ChampCar. Mesmo assim, a equipe voltou à Indy (ou IRL, como queiram) em 2008, na correção de um tiro no pé dado pelo IMS e pela CART na categoria em 1996. No primeiro ano, na segunda prova, já voltavam a ganhar com Graham Rahal, no chuvoso GP de St. Petesburg. Com outra vitória, em Detroit com Justin Wilson no fim do ano, a equipe mostrava a que viera.


Mas numa categoria como se tornou a Indy/IRL, ser bom e ter qualidade não é só o que importa. Tem que ter quem banque, tem que ter alguém que veja no seu piloto ou na sua equipe algum interesse comercial. No caso da Newman/Haas, ele foi perdido quando o McDonald’s deixou o time no fim de 2009, deixando Graham Rahal a pé e fazendo com que o único carro do time durante o ano todo de 2010 fosse o do inexpressivo Hideki Mutoh – pay-driver dos mais escancarados.


Mesmo com todas as dificuldades financeiras, em 2011 o time alinhou com dois pilotos bons. O veterano Oriol Servià e o novato James Hinchcliffe. James se mostrou um piloto promissor durante o ano, conquistando três quartos lugares e o título de novato do ano. Servià fez mais do que se esperava dele, três pódios e uma excelente quarta posição no campeonato.
Tudo, sem ter os recursos que tinha uma equipe como a Andretti Autosport ou a Penske, equipes com as quais Oriol e James disputavam boas posições no fim da temporada.


Em suma, o que aconteceu é realmente uma pena.


Mas quem mais perde com o fim do time, além dos pilotos, é a Indy. A Indy, que cada vez mais vai se “Nascarizando” atrás de grana e contratos milionários, que não são traduzidos em um grid mais qualificado, corridas menos artificiais e ganho de popularidade. Afinal, há quanto tempo não vemos ovais como os de Kentucky, Texas e Iowa com toda a extensão das arquibancadas preenchida? Arrisco dizer que nunca.


Indy. Está aí uma categoria que perde pontos comigo a cada ano que passa.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

In the end...


E no chove ou não chove, a verdade acabou sendo que o GP do Brasil ficou aquém do esperado. Uma corrida que foi decidida por uma ultrapassagem “interessante” segundo o twitter da Ferrari. Uma corrida que nos deu mais uma vez a relação de forças da temporada bem definida. Red Bull’s à frente (embora durante o ano não fosse tão comum que Webber estivesse tão junto a Vettel), McLaren’s e Alonso brigando, e Felipe Massa isolado mais atrás.

As corridas podem ter sido mais “bagunçadas” ou agitadas nesse ano de 2011, mas a verdade é que poucas vezes essa ordem se alterou. Algumas corridas como essa em Interlagos foram até bem previsíveis, apesar dos pneus, do KERS e do DRS.

Enfim, Webber ganhou sua primeira no ano. Nem ele comemorou direito. Seja como for, se Vettel lhe deu passagem por problemas ou não, o australiano não teve muito mérito pela vitória, e sabe disso. Seu ano inteiro parece que foi mérito exclusivo do carro... (vou parar por aqui porque prefiro desenvolver o tema Webber 2011 num post próprio).

Vettel segundo, num fim de semana que deve ter terminado no sábado pra ele. Button, reforçando seu ano sólido, em terceiro. Alonso, perdendo o terceiro lugar na corrida e no campeonato por um ponto, em quarto, e Massa com uma parada a menos e 30 segundos atrás de Alonso, em quinto. Que me desculpem os “Massistas”, mas dá pra bater o martelo dizendo que a mola mudou Felipe.

Sutil, conseguindo um excepcional sexto lugar e tirando das Renault de Petrov e Heidfeld nono e décimo lugares do campeonato de pilotos. Um grande trabalho do alemão e da Force India, que se recuperou muito bem a partir da metade do ano.

Renault. Petrov, com seu 10º neste fim de semana, somou 37 pontos nesse campeonato, 15 deles conquistados sendo terceiro na Austrália - primeira corrida do ano. Daí dá pra entender o quanto a equipe regrediu após o pódio de Heidfeld na Malásia - o que pode servir até de desculpa para os dois míseros pontos de Bruno Senna da Bélgica até aqui. Dois pontos, enquanto Petrov, mais experiente, fez cinco apenas.

No mais, boa corrida de Kobayashi e Paul Di Resta também. A destacar negativamente o desempenho de Bruno Senna na corrida, depois de bater em Schumacher (de propósito, na minha opinião) chegou em 18º atrás de Kovalainen. Mesmo alegando problemas do câmbio, é pouco.

Uma corrida não tão boa, mas que foi a última antes de um longo hiato. F1 agora só em 2012. Muitos vídeos e baixar assim que possível o Review 2011 da FIA são minha dicas para não enlouquecer nesse momento de abstinência. 2011 vai deixar saudade? Alguma talvez. Mas mais por corridas isoladas, porque como campeonato foi bem mediano. Às vezes acontece, F1 é assim... e eu gosto assim.

domingo, 27 de novembro de 2011

Um sábado em Interlagos



Seis e dois da manhã. Um início de dia qualquer? Não, este seria especial. Se me dissesse quinta-feira à tarde que eu veria o treino para o GP do Brasil do autódromo de Interlagos 12 anos depois da última vez que fiz isso, provavelmente mandaria te internar, ou então lhe daria um daqueles sorrisos amarelos querendo dizer: “Tá, tá...”

A verdade é que há muito tempo tenho desencanado de ir atrás de ingressos para o GP do Brasil. Primeiro pelo valor, mas, principalmente, pelo custo-benefício.

Enfim. Mas aconteceu, acreditem ou não. Misteriosamente na quinta à noite soube da possibilidade pela mãe de um amigo. No outro dia tudo virou certeza. Já começava a me planejar, quando soube de outro dado que guinaria o rumo da experiência para uma via nunca d’antes imaginada. Sim, conseguimos - eu e meu amigo - lugares na arquibancada... mas não numa arquibancada comum, num setor plebéio (tomara que exista a palavra). Fomos simplesmente convidados à área VIP do Santander localizada na Curva do Café (identifique na TV como sendo a primeira arquibancada da reta após a Junção; de cor predominantemente vermelha).

Como ia dizendo, acordamos às seis e nos preparamos. Chegamos ao ponto de encontro combinado pela organização quase oito horas da manhã. Depois de alguns desencontros, guardas mal-humorados, números de RG e nomes na lista não encontrados facilmente e, por conseqüência, quase uma parada cardíaca, acabou dando tudo certo. Mas antes de pegar nossa van até o autódromo, tínhamos que nos vestir a caráter. Deram-nos kits com camiseta oficial (especialmente feita para a ocasião) da Ferrari, boné do Santander, protetores auriculares e capas de chuva. Além, óbvio, dos ingressos.

Adentramos o autódromo umas quinze pras nove. Fomos de cara surpreendidos pela vista:

Víamos o circuito praticamente inteiro, salvo o fim da reta dos boxes e o “S” do Senna. Ainda incrédulos com a vista, descemos e fomos tomar o café da manhã oferecido pelo banco no refeitório da área VIP. Inocentemente, pensamos ter a necessidade de pagar pelo que consumiríamos. Chegamos a um cartaz que parecia ter o preço dos salgados... mas, quando vimos bem, nos certificamos de que os números ali escritos não faziam referência ao preço, e sim às calorias dos alimentos. Não entendendo bem aquilo ainda, perguntamos no balcão sobre a venda de fichas para trocar por alimentos. A mulher nos respondeu com uma frase tão singela quanto natural: “Não, não precisa. Me diga o que quer”. Pois bem, pão de batata, muffins e refrigerante para começar bem o dia.

Enquanto íamos comendo, fomos nos dando ao luxo de escolher os melhores lugares da fila superior da arquibancada. Lugares nos quais presenciaríamos o último treino da F1 em 2011. Escolhemos lugares estrategicamente posicionados ao lado de duas TVs de LCD, que presumíamos que fossem exibir o treino.

Pouco antes da sessão das 11 horas começar, percebemos que as TVs mostravam imagens da FOM, e não do Sportv. Ou seja, veríamos o treino sem os possíveis e costumeiros cortes na transmissão do “canal campeão” e, claro, não precisaríamos ficar vendo propagandas chatas da Nova Schin antes e durante o treino classificatório à tarde. Além também do Live Timing, passando na segunda das TVs, um pouco mais abaixo no nosso caso.

Minutos se arrastavam como horas, mas chegou. O primeiro treino livre foi iniciado por Kamui Kobayashi e sua Sauber. A sensação de vê-lo e ouvi-lo diminuindo para descer o lago foi indescritível. O som parecia vindo do PA do autódromo. Nos certificamos que aquilo era verdade quando o japonês passou pela Curva do Café. Me fez arrepiar cada fio dos meus pêlos do braço, algo que não sinto todo dia. Em suma, nos primeiros 20 minutos de treino nós mais demos risada olhando um pra cara do outro, pra pista e pros monitores do que de fato prestamos atenção no treino.

Utilizamos a sessão também para desenvolver a técnica de fotografar um carro a 250 Km/h com um celular (os resultados vocês veem neste post). Mas conseguimos aproveitar bem. Vimos todos os carros, ouvimos todos os motores (incluso do Safety Car e Medical Car) e, embora os ouvidos zumbissem, relutava em não colocar os protetores, afinal, vai saber quando vou ouvir um destes de novo?

Fim do treino, e almoço no mesmo esquema do café. Deu tempo de ir no banheiro e... ah, é, ia esquecendo. Havia também na área VIP o carro de 2010 da Ferrari. Deu pra tocar e ver tudo o que é detalhe pelo pequeno “cercadinho” que o delimitava.

Além da comida, o que ajudou a espera do treino classificatório ser menos arrastada foi a trilha sonora. O pessoal do circuito tocava coisas como isso, isso, isso, isso e isso. Não dava pra reclamar.

Pois bem. Falando do treino agora. Apesar da grande emoção sentida, consegui me controlar para ver bem a sessão. Bons treinos das Hispania’s, Rosberg (que estranhamente virou tempo pior no Q3 do que no Q2) Sutil e Bruno Senna – mesmo com a pilha que colocaram. Agora, para o brasileiro, é hora de largar bem para deixar essa boa impressão para o ano que vem.

Mas o grande destaque do dia não teve como ser outro. Sim, eu estive presente num dia histórico para a F1. O dia que um homem bateu o recorde de pole positions em um ano. Um recorde difícil de ser quebrado e que irão lembrar para sempre. Sebastian Vettel pode ter tirado a emoção deste dentre tantos outros treinos desse ano, mas serei eternamente grato a ele por ter feito deste dia mais memorável do que já era.

Fez-se história na F1, e eu estava lá. Algo que não tem preço (embora na minha posição não tivesse mesmo). Depois do treino fui aproveitar a transmissão da FOM, com volta mais rápida, entrevista e afins. Após tudo terminado, fomos aproveitar o comis e bebis ao lado do F10 do lado de fora.

Cerca de uma hora depois do fim do treino saía de Interlagos tendo como destino o trem há mais de 20 minutos de distância de onde me localizava. Back to reality. Longa caminhada, mas na memória recente um momento que eu tenho certeza absoluta que jamais vou esquecer.

Hail, F1. Hail, Interlagos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Na trave, parte 2


Em 2009, depois de ressuscitar para a F1, Rubens vinha com uma missão das mais difíceis. Ganhar o GP do Brasil para manter vivo o sonho do título em Abu Dhabi. Barrichello, sem o melhor carro, marcou aquela pode ser considerada sua pole position mais emocionante da carreira; naquele que foi treino mais longo da história da F1, em duas horas e 41 minutos por uma chuva torrencial. Desbancou na sua última volta a quase imbatível Red Bull de Mark Webber.

Mas não é só isso que dá a dimensão do que foi aquela sessão. No Q2 - onde foi eliminado Jenson Button, seu rival pelo título naquele dia – Rubinho teve a sorte do então estreante Kobayashi, que tinha melhor carro naquela circunstância de pista, ter cometido um erro na Curva do Sol em sua última volta. Aquilo permitiu Barrichello ser o décimo e passar ao Q3. Com a pista mais seca e menos combustível do que os outros, a pole se tornou “mais fácil” para Rubinho na última sessão do dia.

Mas para o azar de Barichello, no domingo o sol veio forte. Todos sabiam que ele não teria como segurar o ritmo de Webber, e que Button, vindo de trás com um ótimo carro, era uma ameaça. Pior ainda, Rubinho com o trabalho de “coelho de maratona” no início da prova, foi altamente prejudicado pelo Safety Car na primeira volta. Ali Barrichello começou a perder aquela prova. Depois de parar nos boxes mais adiante e voltar no tráfego, Webber e Kubica, em estratégias melhores, o ultrapassaram nos pits. Mesmo depois disso, Barrichello não tinha vida fácil. Era pressionado por Hamilton que, vindo de 17º, fazia uma corrida pra lá de rápida.

Hamilton passou Barrichello, mas antes passou dos limites de seu carro. Enquanto pegava o vácuo de Rubinho, o inglês tocou seu spoiler no pneu traseiro direito do brasileiro. Uma volta depois, ele teria que ir ao pit trocá-lo, e lá se ia outra chance de vitória no Brasil. No fim ainda foi oitavo, mas não impediu o título de Button naquele dia, e nem que Vettel lhe roubasse o vice-mundial em Abu Dhabi dali 15 dias.

Pelo sim, pelo não, uma pole position que entrou pra história. Um entre tantos treinos nesse formato (Q1, Q2, Q3) cujo fim foi impossível assistir sentado. Um roteiro digno para a última das 14 poles de Rubinho na F1.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Na trave, parte 1


Se vai ou não parar de correr ao fim deste GP do Brasil, Barrichello, independente disso, namorou várias vezes com o sucesso pleno em Interlagos. Foram três pole positions em treinos classificatórios... mas apenas um pódio. A verdade é que Rubinho - ora por nervosismo, ora por azar - nunca teve provas sem algum tipo de problema no Brasil durante sua carreira

O primeiro dos anos que Barrichello veio com força e constância necessária para ser considerado favorito sólido foi em 2003. Depois do brilho de 1999 na Stewart - quando liderou pela primeira vez o GP do Brasil após uma sumária falha hidráulica no McLaren número 1 de Mika Hakkinen (que venceria a prova ainda) – Barrichello devia uma atuação como aquela, mas agora de Ferrari.

Rubens não decepcionou. Cravou a pole position à frente das McLarens - que haviam ganho as duas primeiras provas - e de um inspiradíssimo Mark Webber - que assustou chegando a colocar mais de dois décimos no tempo de Barrichello no segundo setor de sua “flying lap”. Para infortúnio do australiano, seu motor Cosworth sucumbiu à subida para os boxes, concedendo ao brasileiro sua primeira pole em Interlagos.

Na corrida, depois de uma largada com Safety Car pelo pé d'água que caia, Barrichello começou a ser ultrapassado por vários carros – os de pneus Michelin, já que o regulamento permitia apenas que as fabricantes de pneus trouxessem um tipo de pneu “biscoito” aos fins de semana; os franceses tinham o “full wet”, enquanto a Bridgestone o intermediário. Beneficiado por alguns abandonos, uma tática acertada da Ferrari e uma trégua de São Pedro, Rubinho se viu a poucas voltas do fim a somente um carro da vitória, a McLaren de Coulthard.

A pressão de Barrichello foi tão forte que o escocês cedeu. Na volta 45, Rubinho era líder finalmente. Nada parecia tirar de Barrichello a tão sonhada vitória no Brasil... até que, depois de marcar a volta mais rápida da prova, seu F2003-GA parou misteriosamente. Um problema no rádio fez com que seu combustível acabasse na pista e evaporasse o desejo dele e dos torcedores naquele dia. A vitória.

Em 2004, outra oportunidade. Barrichello cravou aquela que é a melhor volta até hoje em Interlagos no treino classificatório. Porém, a chuva, tantas vezes sua aliada, veio para lhe atrapalhar neste dia. Depois de largar de intermediários e perder a liderança para Raikkonen na primeira volta, Rubinho a recuperou na volta quatro. No entanto, a chuva que caia antes da largada havia parado, e, pela degradação dos pneus Michelin, Raikkonen e Montoya foram aos pits. Voltaram lado a lado, numa disputa que parecia valer a vitória – e valeu.

Barrichello permaneceu na pista. Ele e o jovem Felipe Massa. Ambos lideraram a prova durante uma volta, a seis. Uma volta feliz para o torcedor... mas uma volta que faria Barrichello perder suas possibilidades de vitória, já que Montoya, Kimi, Ralf e Sato viravam suas “out laps” ameaçadoramente mais rápido que o brasileiro, ainda de intermediários.

Rubinho parou logo após, e voltou atrás de todos estes. No fim das contas, acabou ficando com um modesto terceiro lugar. Massa foi oitavo. Ambos perderam primeira e quarta posições, respectivamente, pela volta que lideraram o GP do Brasil em 2004. Azar.

Ganhando ou não, fica o momento e a emoção de suas voltas voadoras que lhe permitiram largar pelas duas primeiras vezes na frente em Interlagos. Assista-as abaixo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"A maldição de Heidfeld"


Há seis anos um brasileiro tinha uma boa oportunidade para mostrar serviço numa equipe média para boa na F1. Ele era Antônio Pizzonia. O piloto de Manaus substituiria Nick Heidfeld na Williams, após um forte acidente sofrido pelo alemão nos treinos para o GP da Itália em 2005. Já naquele final de semana, Pizzonia tomou seu lugar na Williams de número oito. Tentaria para 2006 aquilo que não havia conseguido para 2005 - embora já fosse piloto de testes por aquelas bandas com o apoio da Petrobras. O posto de piloto titular.

Pizzonia começou bem. Mesmo depois de sair de 16º no grid em Monza, chegou ao sétimo lugar com uma boa corrida de recuperação, superando inclusive o companheiro de equipe e desafeto dos tempos de Jaguar, Mark Webber, que sequer pontuou ali. Sua conquista ganha mais notoriedade quando lembramos que o GP da Itália de 2005 foi a segunda corrida na história a não ser abandonada por ninguém. Com o resultado, Pizzonia empatava seu melhor resultado com os GPs da Alemanha, Hungria e Itália em 2004, quando substituiu Ralf Schumacher pela mesma Williams e foi sétimo.

Porém, a partir dali, nada mais deu certo para o brasileiro naquele ano. Na Bélgica, estava fora da zona de pontos, quando, há quatro voltas do fim, tirou da McLaren aquela que seria sua primeira dobradinha em cinco anos, com uma fechada em Montoya que vinha lhe colocar uma volta, o que tirou ambos da prova.

No Brasil, sequer teve chance de tentar correr. Foi tirado da prova na primeira curva por David Coulthard num grande acidente que tiraria inclusive seu companheiro Webber também. No Japão, ficou pela brita de Suzuka depois de rodar sozinho na volta nove, e de não ter conseguido se classificar bem no dia anterior. Na China, viu a bandeirada pela primeira vez desde a Itália, mas longe da zona de pontos e com uma corrida opaca, em 12º.

Não deu outra. Pizzonia perdeu a vaga na Williams para 2006 em favor do estreante e primeiro campeão da GP2, Nico Rosberg.

Nesse ano, a vida de Bruno Senna parece lembrar a de Pizzonia em 2005. Admitido pela Lotus-Renault (odeio chamar assim, mas vou ter que me acostumar) para o lugar de Heidfeld, o brasileiro fez duas boas apresentações: Na Bélgica – onde largou em sétimo – e na Itália – onde marcou os mesmos dois pontos de Pizzonia, mas na nona colocação. Desde esse GP em Monza, Bruno não mais conseguiu pontuar e brilhar em corridas. A que parecia ser uma vaga concreta em suas mãos, vai aos poucos indo embora dada concorrência que a equipe vem tendo para as duas vagas no ano que vem, junto ao fato de nem Petrov (pay-driver de primeira) estar garantido por lá.

Em comum nas duas histórias? Brasileiros pilotos de testes em equipes emergentes, que da noite para o dia tiveram uma excelente oportunidade em mãos. Pizzonia desperdiçou, e Bruno vai fazendo o mesmo.

Outra coisa em comum? Ambos substituíram Heidfeld depois de saídas não muito bem explicadas pelos respectivos dirigentes. Em 2005, reza a lenda que Heidfeld, mesmo após ter sofrido outro acidente de moto durante o restabelecimento do de Monza, tinha condições de correr e não o fez, pois a Williams, com o relacionamento já gasto com a BMW, preferiu deixar Nick na geladeira ao saber que o alemão já havia assinado com o time alemão para 2006.

Nesse ano, todos viram o processo de fritura que a Lotus o colocou quando o alemão não se mostrou ser um "novo Kubica". Saiu pela porta dos fundos da equipe pseudo-inglesa.

domingo, 13 de novembro de 2011

Gato fora, festa dos ratos


Ufa. Sinto profundo alívio em não escrever algo que diga o quanto o GP de Abu Dhabi foi chato. Na verdade, por mais incrível que isso possa parecer, a corrida foi divertida; teve ultrapassagens e alguns imprevistos. Começando pelo maior da temporada: Um pneu furado no infalível RB7 de número 1. Sim, Vettel rodou na segunda curva, e depois de uma viagem demorada e prejudicial à sua suspensão traseira aos pits, teve que abandonar a prova.

Gato fora, festa dos ratos.

Hamilton conquistou sua terceira vitória do ano com méritos de um campeão em processo de recuperação. Uma prova impecável. Foi apenas acossado por Alonso, segundo colocado, no fim do segundo stint, mas nada que um costumeiro pit stop desastroso da Ferrari não fosse capaz de conter. Button, sem KERS durante a prova inteira, foi terceiro, completando o primeiro pódio sem pilotos da Red Bull desde o GP da Coréia do ano passado, 19 provas atrás. Faz tempo.

As maiores decepções do ano e da prova, Webber e Massa, foram respectivamente quarto e quinto colocados. O australiano, com um carro de outro mundo, não foi capaz de ultrapassar Button (sem KERS, detalhe) no primeiro stint, o que selou seu destino no resto da prova. Um erro no pit e uma tática ruim, o ajudaram a piorar uma corrida que já poderia ser considerada dantesca, dado o equipamento do canguru. Pelo menos, vá lá, levou a volta mais rápida da prova.

Já Massa decepciona no mesmo ritmo que Webber. Poderia ir ao pódio hoje pela pouca distância que saiu atrás de Button depois do primeiro pit. Porém, seu ritmo inconstante minou suas chances. Perdeu a posição (4º) para Webber depois de uma rodada na curva 1 no fim da prova. Esta foi a quinta vez que Felipe foi quinto em 2011. Tão poético quanto ordinário.

Destaque à dupla da Force Índia, em oitavo e nono com Sutil e Di Resta; e à Sauber, que finalmente voltou com Kobayashi aos pontos, em décimo. Pérez poderia ter feito melhor, mas se tocou nas primeiras voltas e avariou o spoiler. Não fosse isso, faria melhor que o 11º lugar. Barrichello, saindo de último, também fez boa corrida chegando em 12º.

O abandono do azarado Buemi enquanto era o sexto, a boa performance de Kovalainen andando entre os lugares intermediários durante boa parte da prova, e, mais uma vez, a participação ruim de Bruno Senna, foram outros destaques. Falando do sobrinho, pelo jeito Spa e Monza foram exceções, infelizmente.

Daqui a duas semanas, Brasil. Deveremos ter um bom espetáculo de encerramento em Interlagos, mesmo que com público abaixo da média. O GP da Abu Dhabi não foi clássico da F1, mas não passou nem perto de ser a pior prova do ano. Bom sinal. Que nos próximos anos essa corrida possa ser como foi hoje, ou melhor.

sábado, 12 de novembro de 2011

Causa e consequência


Causa: Sebastian Vettel bater recordes indiscriminadamente. Conseqüência: Tremenda falta de interesse e espetáculo. Inegável a importância histórica de treinos como o de hoje, mas o que ninguém quer ver é um equipamento sobrepujando tanto assim a técnica dos pilotos. Foi o que aconteceu.

Enfim, naquela de “mais do mesmo”, esta será a terceira vez que Vettel e Hamilton largam na primeira fila do GP de Abu Dhabi – o que significa que até hoje apenas os dois sabem o que é largar sem ninguém a frente em Yas Marina. Vettel, igualando o recorde de poles do indomável e extraterrestre FW14B de 1992, vai escrevendo mais e mais seu nome na história. No Brasil, pode passar Mansell conquistando 15 pole positions em um ano, recorde absoluto na história da F1. Veremos.

Hamilton, provando mais uma vez que 2011 não é seu ano, se fizesse sua volta do Q2 no Q3 teria saído da classificação nos Emirados Árabes Unidos com sua vigésima pole position na carreira. Errou no início da volta e complicou suas chances.

Segunda fila com Button - que poderia ter feito melhor não errasse no último setor -, e Mark Webber - dessa vez a pouco menos de quatro décimos de Vettel. Terceira fila, só Ferraris e nada pra dizer.

Bom treino da Force India, colocando ambos os carros no Q3, com Sutil e Di Resta, respectivamente, na quinta fila. Sérgio Pérez também fez bom treino e sai em 11º em busca de mais pontos. Sua facilidade em poupar pneus pode ser um grande trunfo amanhã.

No mais, a destacar o quase um segundo que Kovalainen colocou em Trulli, e as Williams que largam melancolicamente na última fila para este GP de Abu Dhabi. Barrichello tem seu pior grid da carreira, em 24º, pois não marcou tempo devido a um vazamento de óleo no seu motor. Maldonado largaria em 17º, porém por usar o nono motor neste fim de semana, estourando o limite de oito por temporada, largará apenas em 23º. Certamente enquanto equipe construtora (coisa que é desde 1978) este é o pior grid da história da equipe Williams. Triste.

Por fim, dizer o que disse algumas vezes neste ano: Se Vettel passar da primeira curva na frente, prepare-se para 55 voltas de pôr-do-sol em sofrimento.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

No soul


Francamente, do que você se lembra das duas primeiras “corridas” em Abu Dhabi? 2009. Bom, sabe-se que ela aconteceu, que era esperada festa, crepúsculo e tudo mais. Acabamos por ver aquela que, na minha humilde opinião, foi a pior corrida da F1 em todos os tempos. Pouquíssimas brigas, prova definida no pelotão intermediário basicamente na estratégia, e um lance que definiu a vitória – a primeira quebra da vida de Lewis Hamilton.

2010. Aí sim, uma grande corrida... ou não? Os três primeiros que passaram a primeira curva foram os que chegaram ocupando as mesmas posições. Um Safety Car mudou o rumo da corrida, e, por conseqüência, de um campeonato dos mais disputados de todos os tempos. Na verdade, aquilo foi ridículo. Como o carro do líder do campeonato que havia se classificado em terceiro no grid poderia ficar 40 voltas atrás de outro mais lento e com mais de 10 voltas de uso de pneus? Só em Abu Dhabi (ou Valência), tilkódromo(s) dos mais chinfrins da F1.

Alonso perdeu o campeonato do ano passado por defeitos de um circuito que serve até para uma corrida. Abu Dhabi é um lugar que descaracteriza em gênero, número e grau a F1; ou sou só eu que não enxergo alma num circuito desenhado especialmente para que ricaços atraquem seus iates beira à pista, podendo beber champanhes ao som dos motores, passear no Ferrari World e aproveitar o hotel iluminado em cima do traçado? Sem querer tirar esse direito de quem tem grana, só que o pretexto disso tudo é ter uma corrida de carros. Uma corrida, não um desfile.

A pista de Yas Marina apresentava, até o ano passado, um problema parecido com a de Valência. Uma curva (no caso, a nove) que, de tão lenta, fazia os carros perderam contato; algo parecido com o que acontece na pista espanhola após a ponte, na curva 10. Nesse ano, numa parceria com Hermann Tilke, Lucas Di Grassi - arquiteto do kartódromo de Florianópolis (já elogiado por Tilke), sede anual do desafio das estrelas – redesenhou (ou pelo menos ficou na promessa de redesenhar) a curva nove, para contornar o problema das ultrapassagens lá sofrido em 2009 e 2010.

Abu Dhabi vai ganhar alma? Não sei, mas é mais provável que nem assim. Mais capaz, se essas mudanças derem certo, que tenhamos uma daquelas corridas tão movimentadas por diferenças na estratégia (típico desta temporada), que não vamos entender nada no fim das contas. Uma corrida apenas estatística. Aliás, Abu Dhabi até agora na história da F1 só é estatística... não é essência, não é alma... não é esporte a motor.

Pelo menos não o esporte pelo qual eu me apaixonei desde criança.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Para gostar de Pantera (Vol.10)


Fim da coletânia do blog. Nada melhor pra terminar do que Mouth for War; aquela que acho ser o melhor expoente do que é o Pantera a um incauto. Junta tudo: instrumental primoroso, riffs pesados e criativos, letra boa, vocal rasgado... etc. Enfim, se você não se apaixonar pelos caras de Arlington depois dessa... olha, nem sei o que dizer. A cereja do bolo é o fim, quando o compasso aumenta e o bumbo de Vinnie Paul ruge como uma máquina junto com o baixo e a guitarra palhetados à grande velocidade.

Bom som, boa banda - que de tanto que já ouvi peguei bode. Mas Pantera é especial, e para certificar-se disso, clique aqui.

domingo, 6 de novembro de 2011

Aos campeões



Um campeão. Méritos? Com certeza. Apesar de ter uma moto que poderia ser classificada como de “outro planeta”, Casey Stoner provou em 2011 o grande piloto que sempre foi. Um cara com um estilo arrojado de condução, mas sempre muito seguro no ritmo de prova; e esta foi a tônica de seu título em 2011 – assim como em 2007 também.

Mas mais do que isso, o “Aussie” foi campeão como forasteiro numa terra de Dani Pedrosa e Andrea Dovizioso. Um estava lá desde 2006, quando subiu como queridinho e bicampeão das 250cc. O outro, sem o mesmo sucesso do espanhol, estava lá desde 2009; mas já ganhara corrida pela equipe de fábrica. Casey chegou avassalador tomando a frente do time já na primeira prova no Catar. Depois disso, teve uma ajudinha de Simoncelli, que tirou Pedrosa de três provas depois de um acidente na França, do inexpressivo Dovizioso - que não venceu sequer uma prova -, e de sua moto, muito superior às Yamaha’s de Jorge Lorenzo e Ben Spies.

Depois do acidente de Lorenzo na última volta do Warm-up em Phillip Island, que o tirou das duas últimas provas, o título para Casey virou questão de tempo literalmente – horas, no caso. Mesmo com tudo ganho, Stoner provou seu valor mantendo sua hegemonia na Austrália (que dura desde 2007) e conquistando de forma memorável o GP de Valência por 15 milésimos em cima do americano Spies.

Enfim, um campeonato que, mesmo com seus “poréns” de superioridade de equipamento, está nas melhores mãos.

O mesmo já não se pode dizer de Stefan Bradl na Moto2. O alemão começou a temporada muito forte, ganhando quatro das seis primeiras provas – suas únicas vitórias no ano. A partir daí, quem dominou o ano foi o (certamente) futuro multicampeão da MotoGP, Marc Márquez. Ganhou sete corridas e acabou por não ser campeão por três motivos.

O primeiro: Demorou um pouco a se adaptar à Moto2 no início do ano (algo normal). O segundo: Este acidente nos treinos livres (do qual dispõe 110% de culpa) para o GP da Austrália com o tailandês Ratthapark Wilairot, que fez com que fosse adicionado ao tempo de classificação do espanhol um minuto e, por consequencia, largasse de último. Embora tenha sido terceiro no fim das contas, viu Bradl recuperar a liderança ao fim da prova, em segundo. O terceiro (e mais importante e revoltante): No primeiro treino livre para o GP da Malásia, quando na volta de instalação os fiscais não informaram por meio das bandeiras as condições na curva 10, que se encontrava molhada. Márquez caiu, quebrou a mão e perdeu as duas últimas corridas por, além da contusão, estar enxergando dobrado com o olho direito.

Não fossem esses três motivos, Stefan Bradl não se sagraria o segundo campeão da história da Moto2. Teve enorme dificuldade em reagir quando pressionado por Márquez, e cometeu erros bobos, como, por exemplo, a queda na terceira volta do GP de Valência – o qual correu já como campeão. Para Márquez, o ano que vem virá com uma obrigação. Depois de seu 2011, todas as expectativas são de que o espanhol conquiste facilmente o título da Moto2. Qualquer resultado que não este, será tido como um fracasso, depois de sua belíssima reação nessa temporada.

Não acompanhei bem o último ano das 125cc, por isso não direi nada. Só a lamentar o fato de que não ouviremos mais o "motorzinho" dois tempos em corridas top. Fará falta...


Um bom ano? É... Deu pro gasto. Mas no fim das contas o que marcou foi mesmo a promessa e arrojo de Super Sic, culminando na tragédia de duas semanas atrás. Realmente uma pena, ao olharmos para trás daqui em diante, vermos essa marca negra em 2011.

Atualização: Vídeo da volta das três categorias juntas. Uma homenagem que diz bastante sobre o quanto Marco representava para o circo das duas rodas.



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Para gostar de Pantera (Vol.9)


Sexta do disco Cowboys From Hell - Domination - é um dos exemplos que melhor ilustram o como o Pantera pode ser bruto e poderoso. Clima denso, riffs pesados e, claro, harmônicos. Mas digo tudo isso sem me referir ao fim do som, logo após o solo. Aquilo sim separa os homens do meninos. Enfim, é uma tarefa árdua colocar apenas dez músicas nesse quadro... acho que seria uma injustiça não conter essa em qualquer que fosse a coletânia; portanto, aí está.

Aproveitem-na.

domingo, 30 de outubro de 2011

Resumão


Vitória; 11ª vez no ano; ponta a ponta; terceiro hat-trick na carreira. Esse foi o GP da Índia para Sebastian Vettel, o piloto do ano. O piloto que “vestiu” de forma perfeita um carro perfeito; o piloto que vai chegando onde, depois de Schumacher, poucos – ou ninguém – imaginava ser “humanamente possível”. Enfim, o piloto que tirou a graça da F1. Sua vantagem para Button, segundo no mundial, é de esmagadores 134 pontos; ou seja, Button está a cinco vitórias e um quinto lugar do alemão bicampeão do mundo. Impressionante.

O próprio Button também fez uma corrida competente. Depois de treinar mal, largou normalmente, se aproveitou de erros de Alonso e Webber nas primeiras curvas e assumiu o segundo posto pra não largar mais. Alonso conseguiu capitalizar um pódio depois de uma estratégia ruim/má condução de Webber, que trocou para os pneus duros antes da hora e perdeu ritmo. Por sinal, com um carro como o RB7, andar como Webber tem andado é simplesmente inaceitável.

Em quinto veio um dos grandes nomes do dia, Michael Schumacher. Saindo de 11º para oitavo na largada, o alemão lembrou os bons tempos de voltas alucinantes antes do pit stop, e roubou do companheiro Nico Rosberg o quinto posto - que abre briga interna na Mercedes pelo sétimo lugar no campeonato de pilotos. Cinco pontos a diferença.

Massa e Hamilton tiveram encontrão pela quinta vez no ano. Contando: Mônaco, Inglaterra, Cingapura, Japão, e agora Índia (esqueci alguma?). Hoje, a impressão foi de que Massa viu Lewis, e jogou seu carro na tangência da curva na intenção de que o inglês tirasse seu McLaren e desistisse da disputa na freada. Hamilton não fez isso, e Massa o fechou. Culpa total de Felipe, que levou um justo drive-through.

Mas Massa ainda faria mais. Depois de errar ontem na curva 8 e quebrar sua suspensão dianteira direita, hoje foi a vez errar na 9 e quebrar sua suspensão dianteira esquerda da mesma forma, na “tartaruga” de dentro da zebra. Outra corrida péssima para Felipe Massa em 2011.

Boa prova de Jaime Alguersuari, em oitavo, e Sérgio Pérez - que numa tática bem inusitada, largou de pneus duros, fez uma volta, foi ao Box e usou o resto da prova pneus macios. Décimo lugar para o “mexica”.

O herói da casa, Karthikeyan, foi show à parte. Tocou Trulli na curva três na primeira volta e levou bronca de três pilotos diferentes (pelo menos que a TV pegou: Pérez, Senna e Webber) durante a prova por não sair da frente com sua carroça Hispânica. É...

Não foi um épico o primeiro GP da Índia. Mas teve lá sua graça, na minha opinião. Foi também um belo resumão do que foi esse ano. Vettel sobrando na ponta, Button e Alonso sólidos mais atrás, Webber devendo bastante, Hamilton tendo problemas e azares em, sobretudo, disputas, e Massa sempre aquém das previsões. Se foi uma corrida em clima de amistoso, pelo menos deu pra sintetizar uma temporada que parece que vai soar meio apagada em um futuro não tão distante.

sábado, 29 de outubro de 2011

"Quando quero, eu faço"



Virou uma coisa voluntária. É só Sebastian Vettel fazer questão, que ela vem. Ela – a pole position – mais uma vez é dele. 28ª na carreira (empata com Fangio), 13ª no ano (está a uma do recorde de 1992 de Nigel Mansell). A acrescentar? Mais nada.

Em segundo teríamos Hamilton... teríamos, porque o inglês (e também Sérgio Pérez, da Sauber) perdeu três posições no grid de largada, depois ignorar bandeiras amarelas no primeiro treino livre de ontem. Vai sair de quinto, mas pode surpreender amanhã. Quem vai sair em segundo é o companheiro de Vettel, o insípido, incolor e inodoro canguru Mark Webber; atrás de um vice-mundial como se fosse algo grandioso pra quem tem um carro como o RB7. Simplesmente obrigação.

Button, num treino meio apagado (teve que usar pneus moles para passar do Q1), foi o quarto, e Alonso, num bom dia, vai sair em terceiro lugar. Azar de Massa, o único que não ganhou a posição de Hamilton dos grandes, graças a uma quebra (bem estranha, diga-se) de suspensão depois de passar em cima de uma “tartaruga” numa zebra na curva 8 e ir à caixa de brita na 9.

Outro excelente treino das Toro Rosso’s, chegando ao Q3. Buemi - pelo numeral 18 - sai em nono e Alguersuari - com o 19 - em décimo. Sutil, no primeiro GP de casa de sua equipe, sairá num bom oitavo. (Cabe o parêntese: Algo tem que ser feito imediatamente para que as últimas posições do Q3 não sejam mais definidas pelos números dos carros)

Treino ruim de Kobayashi e Bruno Senna. Koba nem de longe lembra aquele piloto que era no início da temporada. A Sauber decaiu, e o japonês, muito mais do que Pérez, sentiu o baque – não pontua desde Julho. Senna também não anda tendo mais a mesma força. Depois de grandes performances nos primeiros treinos, o sobrinho não anda mais fazendo por onde; assim – com dois pontos na tabela apenas – vai ficar difícil lutar por vaga na Renault.

Enfim, não consigo fazer prognósticos para a corrida. Deve ser movimentada, mas nem tanto pelo desgaste de borracha, já que a Pirelli levou os compostos duros. A pista tem grandes retas e duas zonas de ativação do DRS (reta dos pits e depois da curva três), devemos ter bastante ultrapassagens, o que deve embolar bastante a corrida. A pista tem grandes áreas de escape, o que torna difícil um acidente que precise da intervenção do Safety Car.

O desenho do circuito: Não é um tabuleiro como Yeongam, pelo contrário, tem um relevo bem acentuado. É uma pista seletiva, mas cheias de área de escape de asfalto. Tem curvas travadas e partes rápidas onde a aderência aerodinâmica manda. Em suma, um tilkódromo com aclives e declives. Que não esperemos algo muito épico.

Obs: O salve do dia vai para Trulli e seu capacete em homenagem a Simoncelli. A F1 não é um meio tão frio e seco, afinal...

domingo, 23 de outubro de 2011

Semana negra



Paixão. Ela move o ser humano a fazer coisas que são contra sua natureza instintiva de sobreviver a cada dia. Corridas de carro e moto se encontram classificadas aí – ou alguém vê algum sentido em dar voltas em círculos durante mais de uma hora a 300 Km/h?

Posso dizer por mim, que se tivesse condições para ingressar numa destas modalidades quando era menor, não titubearia. Iria cheio de vontade e aprenderia a não pensar em riscos – que é o que fazem os pilotos, anestesiam dentro de suas cabeças quaisquer riscos que por ventura o esporte a motor possa trazer. Seria como se você visse acontecendo com os outros e se achasse super protegido por não ser com você; algo como uma aura diferenciada.

Sabemos que não é assim.

Sinceramente, nunca fui muito fã de Dan Wheldon. O inglês - mesmo sendo inglês - não andava bem, não importa a circunstância, em circuitos mistos na época que dirigia para Andretti-Green e Chip Ganassi. Pensava em Dan como um cara de sorte, que esteve no lugar certo na hora certa. Venceu uma vez as 500 milhas de Indianápolis e um campeonato que, na minha opinião, teve muito de sorte nos momentos chave.

Wheldon vinha tendo um 2011 de sonho. Liderou uma volta da Indy 500; a que importava. A volta que lhe concedeu sua segunda visita ao Victory Lane de Indianápolis. A volta que guinou sua vida. Graças àquela volta, Dan atingiu o status pela mídia de gênio subestimado (pra mim, mais subestimado do que gênio). Ganhou de presente desenvolver o chassi 2012 da Indy, o que lhe colocaria certamente em alguma equipe séria na próxima temporada.

Faria as duas últimas corridas do ano como uma estrela - principalmente a última, onde, se ganhasse, faturaria cinco milhões de dólares a serem divididos com um torcedor. A história de uma decisão de campeonato com os dois postulantes largando no meio do grid e Dan saindo de último numa “missão impossível” de vencer parecia ser um clássico. Não foi... muito pelo contrário, como já sabemos há uma semana.

Marco Simoncelli vinha tendo um ano bom também. Duas pole-positions e dois pódios; sendo piloto de equipe privada na MotoGP atual (embora tivesse uma Honda dita oficial), são feitos notáveis. Feitos que também se deveram a seu arrojo excessivo e falta de responsabilidade em alguns momentos. Os mais famosos deles: Em Le Mans, quando Pedrosa fraturou seu ombro numa fechada de Marco; e em Assen, quando na primeira curva pra esquerda (lado frio do pneu, já que as quatro primeiras são para a direita) errou e abalroou Jorge Lorenzo – alguém com quem Sic já estava tendo atritos fora da pista desde o fim do ano passado.

Desde essa corrida na Holanda, Marco parecia ter domado seu ímpeto. Seu primeiro pódio na República Tcheca e seu segundo na última corrida em Phillip Island, depois de uma disputa com seu rival de longa data, Andrea Dovizioso, parecia que abriria de vez a porta para uma iminente primeira vitória. Seu contrato com a Gresini foi estendido em mais um ano, junto ao patrocínio da empresa italiana alimentícia San Carlo. Simoncelli também teria no ano que vem uma Honda de fábrica. Parecia entrar no clube dos grandes. Até mesmo por seus atos, já que, contra a vontade da Honda, insistiu em permanecer com a mesma equipe de mecânicos desde seu começo na 125cc, no lugar de um time novo, vindo da fábrica japonesa.

Sepang já era um circuito de muita simbologia para ele. Foi lá, durante a pré-temporada de 2010, onde sofreu seu pior acidente da vida até então. Caiu e rachou seu capacete. Foi colocada em dúvida sua participação no início do ano. Mas Sic deu a volta por cima e provou que, sendo campeão das 250cc em 2008 (título conquistado também na Malásia), este seria o menor dentre seus desafios.

Hoje, lá em Sepang, Marco encontrou o destino (não, não tem outra palavra). Quarto colocado, numa disputa de tirar o fôlego com Álvaro Bautista, saiu de frente na saída da curva 11, e, tentando arremeter - depois de ser ultrapassado pelo espanhol e por Nicky Hayden - teve seu corpo (apenas o corpo, não a moto) acertado em cheio por Colin Edwards e Valentino Rossi.

Assistir ao vivo algo dessa forma é algo muito chocante. Fui dormir, e acordei com a notícia. Sinceramente, você pensa em não assistir mais às corridas... mas logo lembra a que dedicou praticamente sua vida inteira amando. F1 veio de berço, mas MotoGP veio com a idade e este jogo. Vi a morte de Daijiro Kato em Suzuka em 2003, vi a de Shoya Tomizawa em Misano em 2010. Por mais que tenha sido forte nessas ocasiões, dessa vez foi diferente. Admirava Marco, torcia e até, de certa forma, me identificava com ele, seu estilo... e porque não, seu cabelo (até Julho, rs).

Acabei decidindo, enquanto escrevia esse texto, que vou continuar assistindo às provas. Tenho certeza que só assim vou conseguir passar por isso – lembrando pelo quê assisti e vibrei nesses últimos nove anos como apaixonado pelas corridas de moto.

De qualquer forma, duas mortes em uma semana em nossas vidas automobilísticas; caras que víamos há muito tempo dividindo freadas, vencendo, batendo e perdendo. Conhecidos nossos há algum tempo... gente que recebíamos em casa, por assim dizer.

Estou sentindo como se realmente tivesse perdido dois parentes. Que o tempo console estas perdas... que sigamos em frente... embora agora seja difícil, confesso.
Non si scorda mai, mentre io vivo, Marco. Addio.
Mensagem por celular de Marco a Dani Pedrosa em razão do acidente na França. Como disse TK depois de postar uma foto junto de Wheldon, "é assim que devemos lembrar dele".

domingo, 16 de outubro de 2011

Triunfantes irretocáveis



E Vettel venceu mais uma. Sem dificuldade, sem desafiantes, com domínio e constância do bi-campeão que se tornou semana passada. Sua primeira vitória como bi do mundo foi pra lá de fácil, como grande parte das corridas neste ano. Se livrou de Hamilton logo na terceira curva para não largar mais o primeiro lugar real da prova. Décima vitória do ano para Sebastian Vettel, e, para Red Bull, a confirmação do título de construtores de 2011.

Red Bull que também conta com os serviços de Mark Webber, que passou mais de 50 voltas logo atrás de Lewis Hamilton e não foi capaz de ameaçá-lo devidamente na zona do DRS. Não que Hamilton seja um piloto fácil de se ultrapassar, mas Webber com ritmo superior de corrida passou Lewis apenas uma vez (graças a Trulli, diga-se) e levou o troco do esperto Hamilton em seguida, já que havia passado atrás de Mark na zona de ativação do DRS. Do jeito que vai, Webber mesmo tendo um carro de sonho, vai terminar o ano amargando a falta de uma vitória... algo que não podemos dizer ser injusto.

Boa corrida de Felipe Massa, como não se via desde a China, em Abril(!). Massa partiu bem e conseguiu na terceira curva sua segunda dupla ultrapassagem na carreira (primeira foi em Rubinho e Kova no Canadá 08). O que fez Felipe chegar atrás de Alonso hoje foi o excelente e incomum ritmo do espanhol com pnus gastos no final do segundo stint. Não só passou Massa, como chegou coladinho em Button, no quinto lugar. Uma prova cabal da diferença entre os dois pilotos da Ferrari. Enquanto Massa é um ótimo piloto, Fernando Alonso é um fenômeno.

Excepcional prova de Jaime Alguersuari, sua melhor na F1, chegando a um brilhante sétimo lugar. Jaime que começou o ano mal, perdendo para Buemi, agora tem a situação totalmente favorável na Toro Rosso. Se o que dizem é verdade, que apenas um dos pilotos continuará para o ano que vem, o espanhol vai conseguindo uma bela virada no suíço parceiro de equipe – que, a propósito, chegou em nono, confirmando o bom dia da equipe B da Red Bull.

O destaque negativo é só um: A equipe Sauber. Uma queda livre desde o meio da temporada que vai compilando na perda de duas posições no campeonato de construtores. Uma já foi para a Force India, outra pode ir nas próximas corridas para a Toro Rosso. O problema principal do time suíço é Kobayashi, que não pontua desde o GP da Alemanha, em Julho. Pérez vem conseguindo o que já conseguia no início do ano; Koba é que anda devendo.

Décima vitória de Vettel em 2011. Vigésima na carreira. Quinze pódios em dezesseis provas em 2011. Dizer mais o quê? Nada. Como dissemos semana passada, só o começo - não só para ele, como para a também bi-campeã Red Bull. Num GP da Coréia que pode não ter sido épico como o do ano passado, mas foi na média. Deu pra “valer” um pouco.

sábado, 15 de outubro de 2011

Tudo estranho


Com frieza e passividade. Foi assim que Lewis Hamilton viu sua primeira pole position no ano, no GP 700 da história da McLaren. Pela primeira vez em 2011, um piloto conseguiu bater os dois Red Bulls num treino classificatório, e viu isso com um ar de desdém incomum até para alguém que por ventura tenha errado em sua volta rápida. Algo acontece com Hamilton, não é aquele piloto que vimos feliz e extasiado por suas conquistas notáveis em 2007 e 2008. Essa foi a 19ª pole de Lewis na F1, de longe, na minha opinião, a mais brilhante, já que foi o primeiro a bater um carro até então imbatível.

Os Red Bulls mostraram hoje uma tática muito diferente da qual estamos acostumados a ver em classificações. Usaram o composto mais macio disponível nas três fases do treino classificatório. Algo estranhíssimo, quando lembramos que é ele o tipo de borracha mais rápido e que poderá fazer (muita) falta durante as 55 voltas da prova. Uma aposta consideravelmente arriscada do time austríaco; a ver se dará certo - com certeza jogará mais tempero na prova. Vettel será o segundo e Webber o quarto; Button o terceiro, completando o Top 4.

Massa nas últimas seis provas desbancou Alonso em quatro oportunidades em treinos classificatórios. Parece ter encontrado o máximo do carro na volta lançada. No que Felipe precisa se ater agora é em manter esse bom ritmo durante a corrida toda, sua grande deficiência em 2011. Tem outra boa chance agora, sairá em quinto com Alonso em sexto.

Boa classificação de Petrov e das Force Indias, de novo. Mais pontos são esperados para que o time indiano chegue à sua primeira corrida em casa em alta. Algo que não será muito difícil de acontecer. Di Resta e Sutil têm sido as melhores surpresas desta metade final de mundial. Nono para o escocês e décimo para o alemão, graças a uma volta aberta por Di Resta.

De negativo: o rendimento da Sauber, a surpreendente classificação ruim de Bruno Senna e outro fracasso da Williams. Barrichello deveria olhar esta 18º posição e eliminação no Q1 como algo a ser refletido. Será que vale a pena lutar por isso? Como já disse aqui, Rubinho não merece ter sua carreira encerrada dessa maneira contra vontade própria. Infelizmente ele não pensa assim... vejamos o desfecho disso.

O circuito de Yeongam é bem técnico. Veremos se ele será capaz de proporcionar uma corrida boa como foi a do ano passado. Ao que parece, tem bons pontos de ultrapassagem, e, apesar de ter vastas áreas de escape em alguns pontos, não perdoa erros em outros. Enfim, essa corrida – melhor dizendo, esse amistoso - até que promete.

domingo, 9 de outubro de 2011

Só o começo...


Simpático, jovem e carismático. Bi do mundo com 33 pódios, 27 pole positions (sétimo da história) e 19 vitórias (nove só neste ano). Esse é Sebastian Vettel. Uma espécie de homem vitruviano do automobilismo atual. Já é possível dizer que vivemos uma “era Vettel”, assim como há pouco vivemos uma “era Schumacher” e uma “era Alonso”. O domínio do alemão, junto à perfeita extensão de seu corpo - como podemos nos referir ao RB7, por que não - fizeram e ainda podem fazer o que pouquíssimos pilotos na história da F1 já fizeram, dominar amplamente a categoria automobilística “mais top” do mundo.

Por essa ótica, foi até bom o carro de Jenson Button, o vencedor, não ter combustível para dar a volta da vitória. Todos os holofotes foram para aquele que já está dentro da lista dos dez maiores fenômenos da F1. Rei da precocidade, Vettel estreou pontuando no obscuro GP dos EUA de 2007 pela BMW, depois de Kubica ter sofrido seu famoso acidente no Canadá. Sebastian assumiu a vaga de piloto de testes no time da montadora germânica um ano antes, aos 18 anos de idade, depois da demissão de Villeneuve e da promoção de Kubica a titular. A história do alemão na F1 começou com esse treino. Algo espantoso, já de cara.

Nessa madrugada, depois de ser o mais jovem a correr num fim de semana de GP (Turquia 2006), o mais jovem a marcar um ponto numa corrida de F1 (EUA 2007), a fazer uma pole position (Itália 2008), a ganhar uma corrida (Itália 2008), a fazer um “hat-trick” (Inglaterra 2009) e a levar um campeonato pra casa (Abu Dhabi 2010), Vettel se tornou o mais novo a ser bicampeão do mundo.

24 anos. Pois é, este é só o começo...

Uma corrida normal


O GP do Japão foi abaixo do que se esperava? Foi sim. Suzuka, desde 2009, dá a nítida impressão de ser um circuito “ultrapassado” para o padrão ultra-aerodinâmico da F1 atual, no qual pistas para terem corridas disputadas precisam de um ponto de ultrapassagem claríssimo. Traduzindo para o português: curva de média, reta grande e freada brusca. Suzuka não tem isso. De qualquer forma, não deixa de ser um templo mítico do automobilismo, e um lugar sempre visto com bons olhos pelo amante das corridas.

Button talvez tenha feito a corrida mais consistente da carreira. Sua primeira vitória na McLaren com sol a pino foi dosada de paciência e grande talento. Paciência, por ter perdido a chance de pular na frente na largada por levar uma fechada de Vettel e, por conseqüência, uma ultrapassagem de Hamilton. Talento, porque viu Lewis e Sebastian terem problemas de pneu após os dois primeiros stints, enquanto ele os poupava à perfeição. Mereceu a vitória, todos os elogios e a fase que vive.

Jenson torna-se assim, o maior favorito ao vice mundial, já que Webber só tem carro, Alonso não tem carro e Hamilton anda tendo panes cerebrais enquanto dirige. Sob esta leitura, Button é o homem.

Boa corrida de Alonso, que soube poupar pneus muito bem também (2º); relativamente boa a de Webber(4º); ruim a de Hamilton (5º, o que acontece com este ser?) e péssima a de Felipe Massa (7º). Esse foi o G7 (já que Schumacher foi o sexto), animado que foi por mais um encontrão de Massa e Hamilton, que ocasionou um Safety Car por detritos do carro de Felipe. Uma americanização desnecessária feita pela FIA, no meu ver.

Excelentes corridas de Schumacher - que merece um pódio até o fim do ano, Rosberg – de 23º para décimo, e Sergio Perez, oitavo. Perez brilhou no Japão; saiu em 17º, fez duas paradas apenas, e virando tempos ótimos durante os stints, chegou num merecido oitavo lugar. Quase levou sua primeira volta mais rápida de corrida, mas Button lhe roubou a duas voltas do fim, quando respondia ao ataque de Fernando Alonso.

Corrida ruim de Kobayashi e Bruno Senna. Só perderam posições desde o momento que largaram. Muito azar de Buemi, que vinha numa ótima estratégia e ótima performance, até ter a corrida estragada por um pneu dianteiro direito mal colocado. Pontuaria certamente o suíço.

Não foi uma corrida lá memorável. Não foi ruim. O termo é: morna. Nem quente, nem gelada; um meio termo. Semana que vem tem Coréia, uma pista que passará por uma prova de fogo, já que a corrida do ano passado foi épica... mas foi com chuva. Vamos ver - se não chover, óbvio – se o tilkódromo de Yeongam merece a F1. Torço pra que sim.

sábado, 8 de outubro de 2011

Um ponto e um dia


Um ponto e um dia. É isso que falta para Sebastian Vettel se tornar bi-campeão do mundo. De novo – como praticamente este ano inteiro – o alemão na hora H tirou um tempo da cartola na última volta do Q3. O resultado é a décima segunda pole do ano para o futuro campeão, agora isolado em sétimo lugar no ranking das poles de todos os tempos.

Button foi o segundo – mesmo liderando todos os treinos, não foi hoje que Jenson colocou fim ao jejum de dois anos e meio sem uma pole position. Hamilton terceiro com a marra e a prepotência de que poderia ter feito mais. Querem saber? Eu também acho que sim... mas assim como na Hungria, deu a Vettel, por erros no Q3, o direito do lugar de honra.

Massa conseguiu um ótimo resultado com o quarto lugar, à frente de Alonso e Webber (Mark... who?). Para o brasileiro é aquela velha história do ritmo de corrida – tem que andar no ritmo para não ter outro fim de semana ruim. Webber, andando com o carro que tem e fazendo o que faz, sinceramente, me desperta um profundo desprezo. Prefiro nem comentar.

Falando dos destaques positivos, fico com os quatro agregados ao Q3, sobretudo Kobayashi – que tem o melhor grid da vida, em sétimo – e Bruno Senna, que apesar de uma batida no último treino livre, conseguiu colocar o carro no Q3. O maior problema para Bruno foi ter usado seus pneus macios desde o Q1, muito embora vá largar de duros. Usou os três jogos de pneus macios e isso poderá fazer alguma diferença na prova.

Os dois que restam, Petrov e Schumacher, também fizeram bons treinos e também tiveram grande ritmo. 10º e 8º. De maneira inédita, nenhum dos “quatro agregados do Q3” marcou tempo. A ordem que deveria basear-se nas outras fases do treino acabou privilegiando uma volta aberta e não concluída de Kobayashi, o numeral 7 (isso mesmo, o número do carro) de Schumacher e o 9 de Bruno Senna. Azar de Petrov e seu número 10.

Não há como falar de destaques negativos, todos estão em seus devidos lugares hoje. O que houve foi a falta de sorte de Rosberg e Pérez no Q1 e Q2, respectivamente. Ambos por problemas hidráulicos largam em 23º e 17º, nesta ordem.

Da corrida, falar o quê? Pode ser boa? Sim... aliás, tomara que seja. O título e um campeonato tão irrepreensível da parte de Sebastian Vettel merecem um desfecho bacana.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O gesto do ano


O japonês Shinichi Ito (ou Itoh, com H) fez parte e viu da pista a melhor geração das 500cc no início da penúltima década. Itoh simplesmente dividiu o Box da HRC com os campeões mundiais Mick Doohan e Alex Crivillé, além de seu compatriota Tadayuki Okada, entre 1993 e 1996. O maior de seus recordes enquanto piloto no campeonato mundial veio em 1993, durante o GP da Alemanha, quando se tornou o primeiro piloto da história a ultrapassar as 200 milhas horárias. Além disso, naquele fim de semana, Shinichi conquistaria o primeiro de seus seis pódios na MotoGP.

O tempo passou, e Itoh participou de forma errante como “wild card” de algumas corridas na década passada, depois de deixar de fazer o campeonato inteiro após 1996. Seus maiores feitos de lá pra cá foram fazer cinco poles e vencer três vezes as 8 horas de Suzuka, prova de grande renome no calendário de endurance no motociclismo mundial. Também foi campeão da Superbike japonesa. Depois de uma passagem pela Ducati, em 2007 Shinichi Itoh abandonou a carreira profissional aos 40 anos de idade.

Neste ano, o piloto japonês foi encorajado a voltar de sua aposentadoria. O forte terremoto que atingiu o Japão no início desse ano deixou sete familiares seus mortos. Ante ao momento difícil, a Honda o convenceu a participar das 8 horas de Suzuka novamante, dessa vez, ao lado de outro ex-MotoGP, Ryuchi Kiyonari. O resultado foi uma bela e inesperada vitória.

E foi representando esta volta por cima de Shinichi ilustrada por este triunfo, que a Honda lhe concedeu uma moto especial, lembrando a antiga pintura da HRC, para disputar o GP do Japão neste último domingo. Sua participação seria dedicada ao povo japonês, como um símbolo de vitória após a tragédia. Itoh foi o último no grid de largada, e o último dos que completaram a prova agitada e desgastante em Motegi – chegou em 13º e somou três pontos no campeonato. Tudo isso aos 44 anos de idade.

Independente do desempenho, essa é uma daquelas atitudes bacanas que nos fazem ainda ter esperança no coração humano. Uma empresa mundial como a Honda Racing Corporation tirou da aposentadoria um ex-piloto afetado por um desastre natural para que representasse a volta por cima de um povo frente ao mundo.

Definitivamente essa foi a melhor ação do ano.

domingo, 2 de outubro de 2011

Para gostar de Pantera (Vol.8)


Como já notaram, não costumo colocar vídeos ao vivo das bandas que são tema deste quadro; acho que não precisa e que é melhor você ouvir a música fazendo outra coisa. Resolvi fazer uma exceção. Esse vídeo é épico. Além do som ser um dos melhores do Pantera, o vídeo mostra Zakk Wylde entrando em cena, solando na guitarra e ganhando cerveja na boca de Dimebag Darrell. Grande momento!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Para gostar de Pantera (Vol.7)


Esse dia chegaria. Sim, existe vida antes do Cowboys From Hell; embora eles tentassem esconder, embora alguns fãs tenham vergonha. O Pantera já foi essencialmente uma banda de hard rock de visual glam. Muito espantoso pensar nisso enquanto se ouve um disco como o The Great Southern Trendkill, mas é verdade.

Esta acima pertence ao Power Metal - último disco da fase e primeiro da banda com Phil Anselmo nos vocais. O disco me lembra um pouco o Judas Priest no início da década de 80, muitos agudos e instrumental não tão invocado comparando com os discos que o procederam. Enfim, Rock The World. Bom som sim.

Se quiserem saber como foi a era Terry Glaze, recomendo ouvir isso. Como o nome é "Para gostar de..." e eu não acho que vem a calhar pelo tema, não postei. (Não, não é ruim - se você gosta de Glam. Só não tem nada a ver com o estilo consolidado pelos rapazes)

domingo, 25 de setembro de 2011

Vazio


E tem o que dizer hoje? Vettel venceu, só. Ah, sim: Saindo da pole, de ponta a ponta. A única disputa na pista por algo que valia alguma glória aconteceu nas últimas voltas. Button – em segundo – fez de tudo para tirar do alemão da Red Bull a volta mais rápida da prova. E conseguiu. Mesmo depois de Sebastian por vezes cravá-la muito abaixo do tempo que o resto virava. Assim, Jenson saiu vitorioso desta batalha.

Mas olhe só, gastei a abertura do texto narrando a brilhante disputa nas últimas voltas... pela volta mais rápida da prova. Isso diz muito sobre a corrida. Da pouca movimentação que se teve nos primeiros lugares. E até mesmo pelos intermediários - poucas ultrapassagens daquelas que vimos valiam algo mesmo. A grande maioria se deveu a diferenças nas estratégias de paradas de box; o cara que está com "mais pneu", passando aquele que ainda não fez a parada.

Quem foi bem mesmo e chegou dando até um calor em Vettel no fim da prova foi Button. O inglês se apresenta como grande força para conseguir o vice-campeonato no momento ao lado de Mark Webber (Button pelo braço, Webber pelo carro, claro). O australiano da Red Bull sequer ameaçou Jenson a prova toda tendo o carro que tem. Chegou a estrondosos 27,5 segundos da disputa pelo primeiro lugar, depois de largar muito mal de novo. Digo que Webber, pelo que mostra, não merece nem terceiro lugar no campeonato.

Massa teve sua corrida prejudicada por um toque de novo, dessa vez com Hamilton, que largou mal. Furou seu pneu e teve que se contentar com o nono lugar no fim da prova. Hamilton, muito mais agressivo, chegou em quinto mesmo tendo que trocar o bico e pagar um Drive-Through justo pela manobra.

Force India fazendo a primeira chegada dupla nos pontos desde a Austrália. A evolução do time é notória, e têm tudo, pelo andar da disputa, para despachar a Sauber entre os construtores. Hoje, Sutil – que, por sinal, deixou Di Resta passar estranhamente durante a prova – passou o inalcançável (é, já foi) Kobayashi e seus 27 pontos no campeonato. Definitivamente a Sauber perdeu o gás. Di Resta 6º, Sutil 8º.

Não há mais muito o quê dizer sobre a prova. Teve Safety Car? Teve. Batida de Schumacher em Pérez que fez o alemão decolar. Fora isso, mais nada. Vettel está a um 10º lugar do título, o que significa que Button é o único com chances de tirá-lo do alemão. Tem que torcer para Vettel não fazer mais pontos nas cinco últimas provas, vencendo todas elas. Nem milagre.

O templo de Suzuka no Japão conta os dias para ver outro campeão ser coroado por lá. Como tenho dito desde o início do ano, merecido. Quanto ao GP, fica um vazio. Não tem o que se dizer de palpável dessa prova. Triste.

#Na foto, Di Resta. Destaque de hoje.

sábado, 24 de setembro de 2011

Nada a acrescentar


Duas Red Bulls, duas McLarens, duas Ferraris, duas Mercedes, duas Force Indias. Este foi o treino em Marina Bay. Simplesmente não tem o que dizer. Falar o quê? Que Vettel é o maioral, que pode ser campeão amanhã? Todo mundo já disse isso nas duas últimas semanas. Esse treino não valeu quase de nada. O que é, na verdade, um paradoxo interessante. Enquanto as corridas são fantásticas e muito bem disputadas, os treinos são previsíveis e chatos. Tudo em nome de poupar pneus tendo em mente a corrida. Algo se precisa fazer nas regras, de fato.

Nesses dez primeiros tudo seguiu a ordem normal, fora Button se classificando a frente de Hamilton, em terceiro; num erro dos mecânicos de Lewis ao reabastecer seu carro no fim do Q3. Perdeu tempo e a tentativa. Destaque para as Force Indias, que, pela primeira vez no ano, colocaram seus dois carros no Q3. Depois de um início de ano decepcionante, Sutil e Di Resta vêm fazendo suas honras.

Bruno Senna vai ganhando mais e mais destaque na F1. Hoje, com um carro pouco competitivo, colocou (sob muita pressão) pouco menos de um segundo no companheiro Vitaly Petrov no Q1, fazendo o russo sequer passar pro Q2. Essa era a oportunidade que Bruno precisava. Está fazendo um excelente trabalho, e, se conseguir se manter na pista sem cometer erros pelo extenso GP de Cingapura amanhã, poderá chegar aos pontos de novo. 15º, enquanto Petrov apenas foi o 18º.

De negativo Kobayashi, que errou na famosa chicane da curva 8 e chapou seu Sauber na parede. Criou-se muita expectativa sobre Kamui, agora ele nem de perto lembra suas grandes atuações do inicio desta temporada e fim da passada. O que aconteceu? Não sei. Só sei que o japonês pode bem mais.

Com possíveis acidentes, devemos ter uma corrida agitada em Marina Bay amanhã. A prova é longa e das mais cansativas do ano; além disso, os pneus super softs em Cingapura não têm aguentado bem. Vettel pode estar muito rápido, mas nunca se sabe – uma largada ruim pode fazer tudo ruir. Do mesmo modo como uma largada boa de Alonso e um bom consumo de borracha podem fazê-lo chegar ao pódio e adiar por uma prova o bi-campeonato de Sebastian. Vettel vai ser campeão, mas amanhã ainda não depende só de si.

Em suma: tudo na prova é imprevisível. E isso, nesse ano, tem sido sinônimo de corrida boa. A ver.

Em tempo, leiam o que Mario Andretti escreveu no Twitter: "In my opinion in order do give #F1 drivers extra incentive in qualifying, award 1 point for pole and 2 if fastest in all 3 sessions." - Escutem a lenda.

P.S.: Não esse da foto não é o Vettel.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Para gostar de Pantera (Vol.6)


Me admirei por não ter colocado nada ainda do Vulgar Display of Power. Vou começar por uma não tão famosa que é uma das minhas favoritas - faixa sete, No Good (Attack the Radical). Uma música cujo tema é o racismo. Sendo texanos, presumo que os rapazes tenham convivido bastante com isso. A letra - como não poderia ser diferente - prega o abandono e execração da prática. Muito se diz sobre uma declaração racista feita por Phil Anselmo em um show em 1996. O que houve ali foi que o vocalista estava sob efeito de heroína - que era usada por ele, acredite ou não, com fins medicinais, graças a um problema nas costas.

É, pelo sim, pelo não... o som é bão. (não resisti)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Para gostar de Pantera (Vol.5)


Do último CD dos caras, trago Yesterday Don't Mean Shit. Pra quem curte peso "gratuito", os três últimos discos do Pantera são pratos cheios. O último diferencia-se um pouco dos demais. Reinventing the Steel é mais bruto, sólido e técnico em relação aos anteriores, na minha opinião. Yesterday Don't Mean Shit é um bom termômetro. Uma pena que as músicas deste disco - fora Revolution is My Name - sejam tão menosprezadas.

domingo, 18 de setembro de 2011

A vida que não acabou


Há dez anos o mundo do automobilismo vivia um drama. A Indy pisava pela primeira vez em terras européias, para aquela que seria uma incursão das mais corajosas no velho continente. Seriam duas corridas - uma em Lausitz, Alemanha, outra em Rockingham, Inglaterra.

A que era primeiramente chamada de "German 500", foi, na semana da prova, renomeada de “American Memorial 500”. Tudo graças aos atentados de 11 de Setembro. A imaginar, o astral da prova já não era dos melhores.

A temporada de 2001 não estava sendo fácil para Alessandro Zanardi. Vindo de um fracasso na F1, o italiano havia ficado o ano de 2000 parado, e voltava às "origens" (em termos de sucesso) americanas tentando reviver seus dias de glória. A equipe escolhida para sua volta foi a Mo Nunn – equipe de seu velho engenheiro e amigo dos tempos de Chip Ganassi, Morris Nunn. A temporada estava sendo difícil. Um quarto lugar em Toronto foi o melhor que o italiano do carro 66 havia conseguido.

Mas na Alemanha tudo parecia mudar. Zanardi e seu companheiro - o brasileiro Tony Kanaan - vinham conseguindo tirar de seus motores Honda e chassis Reynard bons tempos, os melhores do fim de semana nos treinos livres. Porém, para a infelicidade dos dois, a tomada de tempo oficial fora cancelada devido às chuvas na sexta-feira. Sendo assim, o grid foi definido pela classificação do campeonato; Gil de Ferran seria o pole.

Na prova, os dois pilotos da Mo Nunn demorariam um pouco, mas fariam seu bom rendimento valer, quando pela sua metade apareceram disputando a liderança da prova com Kenny Brack, Max Papis, Michael Andretti e Patrick Carpentier. A performance de Zanardi principalmente era fantástica – havia saído de 22º e vinha imprimindo um ritmo formidável. O campeão havia voltado?

Eis que Kanaan e Zanardi desgarrariam do resto e teriam a chance de uma disputa caseira pela liderança durante cerca de 10 voltas. Os pilotos da Mo Nunn, uma equipe bem modesta que só tinha uma temporada de vida, estrelavam uma corrida com ritmos e velocidades até superiores aos do Team Rahal, grande “bicho papão” dos ovais naquele ano.

Na volta 141, depois de ser ultrapassado por Zanardi, Kanaan pararia para seu último pit stop. Uma volta depois seria a vez do italiano. Alex (como era chamado pelos americanos) fazia uma apresentação exímia; e para coroar isso com o mérito merecido, o melhor que ele poderia fazer seria lutar com todas as forças para dar aquela que poderia ser a primeira vitória da equipe de Morris Nunn na CART. E mais do que isso, decretar a volta por cima dele depois de uma passagem amarga pela Williams na F1 em 1999.

Talvez nesse ímpeto, e de pneus frios, Zanardi tenha perdido sua concentração e o controle de seu carro na saída do Pit Lane. Rodou, saiu pela grama e foi parar no traçado da curva 1 com o carro de lado. Logo a seguir vinham dois carros na pista, os dois da equipe Forsythe. Carpentier conseguiu se livrar de Alex, mas Tagliani o pegou em cheio pelo meio a mais de 320 Km/h. Alex fraturou a pélvis, teve uma concussão e depois de três horas de cirurgia teve o que restou de suas pernas amputadas do joelho pra baixo, além do coma induzido que ficou por três dias.

Dia 30 de Outubro do mesmo ano, o italiano sairia sorrindo do hospital alemão onde renasceu. Um mês e meio depois de quase ter perdido a vida, Zanardi tinha o vigor mental na expressão facial de alguém que apenas tivesse tido, por ventura, um dia ruim (foto).

Um ano e meio depois o italiano protagonizou este momento abaixo – que até me mareja os olhos, as 13 voltas que faltavam para que ele concluísse sua prova em 2001.

Zanardi, com próteses, voltou a correr. De 2003 a 2009 andou no WTCC e ultimamente está se preparando para outro grande desafio; a participação nas para-olimpíadas de 2012 em provas de corrida para cadeirantes.

Não preciso dizer por que Zanardi é uma das pessoas que mais admiro. Um dos meus heróis. Nunca desistiu, e nunca perdeu as esperanças. Nos dias de hoje, está aí uma das melhores lições de vida da história da humanidade.