terça-feira, 4 de outubro de 2011

O gesto do ano


O japonês Shinichi Ito (ou Itoh, com H) fez parte e viu da pista a melhor geração das 500cc no início da penúltima década. Itoh simplesmente dividiu o Box da HRC com os campeões mundiais Mick Doohan e Alex Crivillé, além de seu compatriota Tadayuki Okada, entre 1993 e 1996. O maior de seus recordes enquanto piloto no campeonato mundial veio em 1993, durante o GP da Alemanha, quando se tornou o primeiro piloto da história a ultrapassar as 200 milhas horárias. Além disso, naquele fim de semana, Shinichi conquistaria o primeiro de seus seis pódios na MotoGP.

O tempo passou, e Itoh participou de forma errante como “wild card” de algumas corridas na década passada, depois de deixar de fazer o campeonato inteiro após 1996. Seus maiores feitos de lá pra cá foram fazer cinco poles e vencer três vezes as 8 horas de Suzuka, prova de grande renome no calendário de endurance no motociclismo mundial. Também foi campeão da Superbike japonesa. Depois de uma passagem pela Ducati, em 2007 Shinichi Itoh abandonou a carreira profissional aos 40 anos de idade.

Neste ano, o piloto japonês foi encorajado a voltar de sua aposentadoria. O forte terremoto que atingiu o Japão no início desse ano deixou sete familiares seus mortos. Ante ao momento difícil, a Honda o convenceu a participar das 8 horas de Suzuka novamante, dessa vez, ao lado de outro ex-MotoGP, Ryuchi Kiyonari. O resultado foi uma bela e inesperada vitória.

E foi representando esta volta por cima de Shinichi ilustrada por este triunfo, que a Honda lhe concedeu uma moto especial, lembrando a antiga pintura da HRC, para disputar o GP do Japão neste último domingo. Sua participação seria dedicada ao povo japonês, como um símbolo de vitória após a tragédia. Itoh foi o último no grid de largada, e o último dos que completaram a prova agitada e desgastante em Motegi – chegou em 13º e somou três pontos no campeonato. Tudo isso aos 44 anos de idade.

Independente do desempenho, essa é uma daquelas atitudes bacanas que nos fazem ainda ter esperança no coração humano. Uma empresa mundial como a Honda Racing Corporation tirou da aposentadoria um ex-piloto afetado por um desastre natural para que representasse a volta por cima de um povo frente ao mundo.

Definitivamente essa foi a melhor ação do ano.

Um comentário:

Marcos Antônio disse...

não sabia dessa história, muito legal a iniciativa da Honda.