segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Saudade


Domingo à noite, depois de um vestibular mal sucedido à tarde, fui ver o filme “Senna”. Cabeça relaxada, sem hora pra nada. Apenas disposto a ver o que o filme tinha a me oferecer. Não me decepcionei.

Obviamente, como aficionado em corridas desde bem cedo, já sabia a história do início ao fim, de trás pra frente, de cima pra baixo e poderia até mesmo dublá-la na hora se o áudio do filme fosse em sérvio.

O que quero dizer com isso? Que esse não é um filme para aficionados.

É um filme para quem vê Senna como mito, herói, grande brasileiro que foi. Não um esportista, sujeito a dias ruins, como teve também. É um filme pra quem tem a visão de Senna à imagem e semelhança de Deus. E cá entre nós, não é uma coisa errada a se fazer. Senna talvez tenha a história mais incrível e mais cinematográfica da história do automobilismo, quiçá, do esporte mundial. Chegou, arrasou, brigou, ganhou, ensinou e, subitamente, se foi. Dá um belo roteiro de filme, convenhamos.

Temos que respeitar a quem não respira F1 24 horas por dia, e apenas gosta de ligar a TV no domingo de manhã para torcer por um piloto de seu país, enquanto toma o café. Um alguém que vê unidade entre si e o ídolo presente na tela. Um alguém como os milhares de brasileiros que foram às ruas no dia 4 de maio de 1994 se despedir e chorar pelo ídolo falecido. Um alguém que, a partir de 1995, não viu mais tanta graça na F1. Se você é assim, o filme é pra você.

Mas falando agora como chato admirador de F1, o filme deixa um pouco a desejar sim. Ignora vários pontos chave da carreira de Senna. Pontos excitantes, como as façanhas de Toleman e Lotus (mostra-se apenas “a façanha” nos casos), as disputas dentro e fora da pista com Piquet e Mansell e os atos heróicos quando a McLaren não era mais o melhor carro, como em Mônaco 1992 (essa ausência, a única que acho imperdoável). Fora também não haver uma mençãozinha a Gerhard Berger. Não custaria nada, e seria muito justo, já que o austríaco foi grande amigo pessoal de Ayrton Senna.

Enfim, o que quero dizer com isso? Que esse não é um filme para aficionados.

É um filme pra quem quer se divertir e aproveitar. Um filme para levantar discussões em botequins sobre o duelo Senna x Prost, e como Senna era o maioral à prova de falha. Mas é mais do que isso, é um filme pra quem tem saudade.

Como já disse, não me decepcionei.

3 comentários:

Marcos Antônio disse...

concordo em genero numero e degrau com vc. Um filme que é bom no que se propõe. Falta lógico monaco 92(uma das atuações epicas do Senna),mas pelo menos mostra o Fw14 com sua maravilhosa suspensão ativa! valeu o filme! kkkk

Ron Groo disse...

Achei o filme meio previsível... No que tange a comoção e sentimentos. Mas não por isto menos bom.

Sabe, deu saudades do Senna também... Que coisa.

Leandrus disse...

Perfeito, rapaz. Também fiquei com essa sensação de que é um filme perfeito para quem apenas se propõe a admirar Ayrton como piloto - e o filme, ao meu ver, as vezes aumenta ainda mais a sensação de que ele era um deus -, mas com um gosto de "quero mais" para quem é fã de F1. Acrescentaria mais duas coisas na lista de fatos que faltaram: uma cobertura maior de Donnington 93 (porra, aquela corrida e principalmente a sua primeira volta merecem muito mais do que uns 15 segundos de exibição!) e a aproximação de Senna e Prost no final da vida do brasileiro. Tenho certeza que tal omissão fez com que a esmagadora maioria das pessoas que viram o filme achasse que o francês não passava de um grande fdp.

Porém, eu achei que teve algo muito bom para nós, fãs mais assíduos da F1. As duas cenas dos briefings são sensacionais, por exemplo. A cobertura do GP de San Marino tb foi muito boa (SPOILER!): Senna falando da Williams que tinha piorado, box da Jordan no momento da batida de Barrichello, falas de Ratzenberger antes de ir para a pista...acho que essas cenas (a maioria delas inédita para mim) valeram muito.

Ateh!