sexta-feira, 1 de maio de 2009

Lembranças


Para quem não sabe: meu nome é Gabriel, tenho 18 anos e atualmente estou no último ano do colégio. Quando Ayrton Senna morreu, há exatos 15 anos eu era apenas um pirralho de 4 anos não completos, porém me lembro muito bem daquela cena, eu na cama dos meus pais tomando café da manhã empolgadíssimo em estar vendo meu ídolo correndo. Porém logo após o diretor de TV cortar da câmera da Benetton de Michael Schumacher, que vinha em 2º, a imagem que viamos era inacreditável, o Williams-Renault número 2 de Ayrton Senna destruído logo depois um contato a 270Km/h no muro da Tamburello e ainda após isso se esfaselado na grama da beirada da pista.

Naquele momento eu mal sabia o que estava acontecendo. Depois da confirmação da notícia minha mãe diz que fiquei aquele domingo muito chateado mas obviamente não lembro de mais detalhes daquele dia.

Mas me lembro muito bem dos anos que se passaram, quando lamentei e ainda lamento de não ter visto Senna correndo. Ayrton para mim, até mais ou menos uns 11 anos, era um Deus. Não sabia de seus podres, achava que era uma pessoa que não errava, feito um... Deus, culpa da Globo, de seu legado e de eu ser uma criança que, como qualquer outra, precisava de heróis, claro.


Enquanto as demais crianças, passavam os dias assistindo cavaleiros do zodíaco, eu vivia com um carrinho na mão fingindo que esse era guiado por Ayrton Senna, meu único super-herói. Mas hoje mesmo sabendo de seus erros ainda é, e sempre será, um ídolo para mim, um exemplo de conquista e determinação, que o tempo nunca vai apagar na minha vida. Como pegava almofadas no sofá e fingia ser ele, como assistia suas corridas gravadas em VHS por varias vezes sem cansar e como ele foi e ainda é um marco na minha existência e na de muita gente.

Pelo 15º ano, adeus campeão. Não existem palavras para dizer o que você foi na minha vida. E como a vida é feita de sonhos, que nos encontremos um dia!

3 comentários:

Bruno Santos disse...

Belo depoimento Gabriel, eu lembro nitidamente daquele dia. Fiquei congelado na frente da TV, ficava até a abraçar. Talvez tenha sido a primeira prova de que heróis podem ser derrotados pelo destino. Toda a angústia que senti naquele dia foi se transformando em consideração com o piloto e a pessoa Ayrton Senna. A paixão continuo mas não na mesmo proporção por um longo tempo...
Abraços.

Ron Groo disse...

É curioso saber como os outros se sentiram no dia.
E mais impressionante é ver que todos lembram do fato com cores vivas.
É isto ai Gabriel, um texto muito bom e um desabafo bem vindo.
Quanto a Globo ter feito dele um semi deus. Esqueça... Cada qual que guarde para si a memória que lhe convém.
Os inteligentes e os não cegos saberão separar o joio do trigo.

Leandrus disse...

Gostei da parte em que falou da Globo. Sou fã de Senna, ele é meu piloto favorito, mesmo tendo apenas 6 anos quando ele morreu, mas reconheço que a parcialidade com que Galvão Bueno e cia trataram Senna foi demais. O Flávio Gomes falou sobre isso nessa semana no programa "Limite", da ESPN, e concordei com ele. Ao mesmo tempo, acredito que muita gente ficou com vontade de quebrar a tv depois disso.

Senna como herói na infância, fitas de VHS com suas corridas, fingia que tinha carrinho do Senna...sua infância foi só um pouquinho parecida com a minha, hein!? rs

Ateh!