segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A pratos limpos


Justiça. É uma palavra que resume bem o primeiro título do alemão Sebastian Vettel, de 23 anos de idade. Justiça ética de sua equipe, que mesmo ante a uma pontuação maior de Mark Webber, jamais tratou os dois de modo diferente, (tenho minhas dúvidas se o contrário também seria assim, mas...) em contraste à Ferrari e seu vexame em Hockenheim. Justiça “performática” (ou de performance), já que Vettel foi o piloto mais rápido do ano em classificação, tão quanto dominou corridas das quais a vitória escapou de seus dedos por problemas mecânicos (Bahrein, Austrália, Coréia). A verdade é a que já dizia aqui há cerca de semanas quando falava que era pra estarmos apenas cumprindo tabela nessas últimas provas, na iminência de um título de Sebastian. Mas não, quis o destino que ele viesse de modo mais emocionante.

O fiel da balança pra tamanha reviravolta no mundial foi o acidente de seu ídolo Schumacher (não vi toque, alguém viu?) no início da prova com Vitantonio Liuzzi. Ali vimos, entre nanicos, Rosberg, Alguersuari e Petrov indo trocar os pneus para não mais voltar aos pits. Pensava-se que haviam arriscado demais, mas os outros, e nós mesmos, havíamos esquecido que Abu Dhabi não dá mais de 5 ultrapassagens por corrida.

Para ilustrar isso basta eu dizer que Webber só passou Alguersuari por prováveis pedidos da “voz na consciência” do espanhol. Sabem, ouvi dizer que eles têm o mesmo patrão. Mas enfim, Felipe Massa não tinha o mesmo patrão de Alguersuari e por isso foi fadado a passar a prova atrás do espanhol da Toro Rosso e chegar em 10º, fechando assim seu magnífico(?) e eficiente(?!) 2010.

Mas o drama do dia teve dois protagonistas de lados opostos da linha do “bem” e do “mal”. Um, o herói da Ferrari, que havia levado o carro vermelho a 5 vitórias no ano e a liderança entre pilotos antes da “última ronda” em Abu Dhabi. O outro, o vilão da Renault, Petrov. Russo que levou 15 milhões de dólares para o time francês e fê-lo torrá-los com seus diversos acidentes durante a temporada. E ainda por cima, tido como peso morto, já que havia em 18 provas marcado 19 pontos, contra 126 de seu companheiro de equipe Robert Kubica.

Pois bem, o ano dos dois havia sido diferente em gênero, número e grau. Mas bastou Alonso voltar de seu pit na volta 15 para que ambos fossem "iguais perante a lei". Ali estava Fernando atrás de Vitaly, sem passar e sequer conseguir aproximar-se. Culpa do circuito de Yas Marina? Muito provavelmente, já que a prova foi uma procissão do início ao fim. Mas Petrov, que achava eu, não resistiria a pressão de Don Fernando, manteve-se 40 voltas à frente do espanhol sem errar. Certamente a melhor de suas exibições em 2010. Tão boa que fez Alonso risivelmente sair do sério após a bandeirada, gesticulando dentro de seu F10. Que fosse chorar à mãe ou a Briatore. Como dizem por aí: Perdeu play boy. Sorry Fernando (hihihi).

Webber, ninguém sabe ninguém viu. Hamilton e Button, outros fiéis da balança, no fim das contas, fizeram um grande trabalho.

Feliz estou por Vettel, pela lição dada na Ferrari e em Alonso. Eu sei que a palavra “justiça” no esporte é muito difícil de ser empregada sem parecer algum tipo de bairrismo. Mas acho que o dia 14 de novembro de 2010 mostrou a Ferrari, ao mundo e, principalmente a Alonso, que podemos sim, ser honestos, justos... e vitoriosos no fim das contas por meio de nossas próprias qualidades, sem ajudas suspeitas. Fica a lição aprendida.

No mais... resta-nos esperar e esperar. F1 agora sóóóóó em março de 2011. Tchau 2010, vamos sempre lembrar de você com carinho.

sábado, 13 de novembro de 2010

Tudo definido?


Vettel crava uma pole position. Até aí não existe nada de muito excepcional, já que nesse ano ele cravou mais da metade das possíveis. O atenuante fica por conta da mudança de postos internamente na Red Bull. Webber saindo do 5º lugar acaba de perder o posto (que nunca teve de fato, é verdade. Mais algo meio psicológico) de piloto nº 1 do time austríaco. Ou seja, arrisco a dizer que Mark psicologicamente, hierarquicamente e fisicamente, tratando do grid de largada, tem suas chances de ser campeão amanhã diminuídas sensivelmente, se não, totalmente.

É mais provável que Webber tenha que trabalhar para Vettel do que vice-versa. Cruel com o australiano... muito cruel na verdade. Fez um excelente campeonato para sucumbir antes da prova decisiva começar pra valer. Só será campeão se achar por amanhã uma corrida como a que fez na Hungria esse ano. Vai ter que andar muito, e vai precisar de sorte. Ficou difícil.

Enfim, Vettel pra ser campeão vai precisar de Webber e de Button, e ainda de um azar de Alonso que o faça terminar a prova longe de onde tem o costume de terminar. Algo difícil de imaginar. É mais provável o alemão conquistar o bi-vice-campeonato com sua, digamos por ora, virtual segunda vitória em Abu Dhabi, do que ser campeão.

Alonso só precisa terminar a prova no pódio para ser campeão. Não vai precisar da ajuda de ninguém, como aliás nunca precisou pra ser quem é, e ganhar os títulos que já ganhou. Sua corrida é facílima pra alguém de sua capacidade.

Hamilton precisa que aconteça uma tragédia com tudo e todos. Como não tem nada a perder, pode encher um pouco o saco de Vettel na largada. Passar, se Seb largar bem, acho difícil. Na verdade, não tem muito o que falar de Hamilton, amanhã só vai tirar pontos dos outros postulantes. Título esquece.

Quanto à prova, eu realmente espero um espetáculo, não um desfile. A última coisa que gostaria de ver amanhã ao ligar a TV seria a “pasteurização da emoção” de uma decisão de título. Algo sem gosto. Uma emoção cheia de cifrões, modelos, sheiks, luzes, pôr-do-sol, lua cheia, prédios bonitos. Longe de ser uma emoção de decisão de título a altura do que foi esse mundial e do que é e foi a F1 ao longo dos anos. Algo sem conteúdo. Seria muito decepcionante realmente... mas é o que tende a ser, infelizmente.

Mesmo assim, espero fazer outro post amanhã falando dos prazeres de se errar algumas previsões as vezes.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.10)


In The End última faixa do disco Fly By Night de 1975. Faltava um exemplo da época "Hard" do Rush e poderia ter escolhido umas 5 ou 6 músicas mais conhecidas que essa. Por quê escolhi essa então? Por não querer ser óbvio e pra quem nunca ouviu esse som tomar contato, já que é na minha opinião a melhor música desse disco. Confesso que não vejo tanto valor nos primeiros discos do Rush como vejo do 2112 pra frente, mas é algo bem pessoal. Se você curte um Rock n Roll dos anos 70 certamente vai gostar.

E esse foi o fim da coletânia do blog clique aqui para ver todas as 9 músicas antes selecionadas por mim.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.9)


Do disco Test for Echo, digamos o mais "alternativo" da carreira do trio canadense vem esse som. Virtuality, 8ª. Boa música, na verdade, uma música que segue muito bem a linha do Rush dos anos 90. Algo não mais tão progressivo (argh!), mas, em contrapartida, muito velho pra ser considerado alternativo, ou grunge, ou seja lá o que for. Contextualizando o momento, foi à essa época que banda deu sua parada de 5 anos graças as mortes da esposa e filha de Neil Peart. Esse foi o último CD gravado antes de tais acontecimentos.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O piloto e os carros


Atrasado, claro. Não pude ver à corrida, estava naquele momento fazendo a maldita prova do órgão INEP(to). Sendo assim vi resumos e reprises.

Corrida chata. Esperava-se muito mais depois de um treino como o de sábado. Um treino de estratégia, um treino de riscos, mas sobretudo um treino de pilotos. Em que pilotos, apenas eles, poderiam fazer a diferença, e aconteceu. Primeira pole de Nico Hulkenberg(!!) na F1. Piloto que achava, até sair de casa para o Enem no sábado, bem fraquinho. Um daqueles de passagem opaca ao olhar público-geral no futuro. Necessárias foram 3 voltas perfeitas para mudar radicalmente minha opinião. Digno do mais efusivo aplauso da minha pessoa, mesmo não vendo ao vivo.

Lembrou muito a pole de seu atual companheiro Barrichello na Bélgica em 1994, sua primeira na ocasião. Chuva, pista secando, trilho, riscos e voltas perfeitas desbancando os peixes grandes da categoria. Com a diferença apenas de que Hulk não acabou a corrida na proteção de pneus, foi realmente muito parecida a ocasião dos feitos. Ponto para o alemão, que chegou em 8º e levou de Interlagos a moral quadruplicada, por além da pole position, 4 pontinhos no mundial.

No treino tivemos um show de piloto, na corrida o contrário a rigor. Uma corrida de carros, não pilotos. Uma corrida de máquinas, não seres humanos. Fato que se observa no resultado. 1-2 facílimo da Red Bull, 3º lugar facílimo de Alonso, 4º e 5º naturais a McLaren, tão quanto os 6º e 7º da Mercedes. Além do título de construtores, que apenas o apocalipse tiraria da Red Bull.

Simplesmente não há o que dizer da corrida. Corrida sem conteúdo que foi. As disputas ficaram guardadas ao pelotão dos menos afortunados, e nele os brasileirinhos contra esse mundão. Na verdade essa corrida representa muito bem o nível da decepção do automobilismo brasileiro na F1 em 2010, talvez o maior de todos os tempos. Dos 4 pilotos brasileiros pode-se dizer que apenas Barrichello esteja fazendo um ano dentro da expectativa. Os 3 outros decepcionam. 2 porque andam de jegue (talvez a massa nem soubesse da existência de Lucas Di Grassi até o “GP Brasil”) e 1 por motivos “misteriosos”.

No geral, não vou mentir, o GP do Brasil me decepcionou um pouco. Porém em uma semana (menos agora) veremos um campeonato ser decidido pela primeira vez com 4 pilotos na disputa na última corrida. Talvez não seja a melhor pista, Abu Dhabi, para se decidir um título, ou para se ter uma corrida de F1 decente. Mas o que se espera em Yas Marina é uma corrida, sobretudo de pilotos, não de carros. Um desfecho perfeito para um mundial que beirou a isso.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Um GP especial


Mais um GP do Brasil. Já são 39. Duas pistas com três traçados diferentes. 5 decisões de títulos, 9 vitórias brasileiras, muitas histórias.

Talvez o GP do Brasil não seja o mais glamoroso, não seja o de melhor estrutura, não tenha o melhor asfalto, não tenha melhor drenagem, mas é um local emblemático para a F1, um local que fez e faz história seja como for. É um local que recupera a verdadeira essência do automobilismo, o quê do desafio, (em um traçado que diga-se foi dos poucos poupados das mãos de Hermann Tilke) o quê da informalidade, o quê da simplicidade. Coisas que a F1 do século XXI vem mais e mais perdendo/ querendo apagar, tornando-se um evento exclusivamente comercial.

O GP do Brasil rema contra a maré. Basta olhar uma foto de Interlagos nos anos 70 e uma dos anos 90. Constata um crescimento alto e desordenado da cidade ao entorno da pista, típico de um país subdesenvolvido, típico de governantes incompetentes e típico de países que não conseguiriam administrar e manter um evento do tamanho da F1.

Então o que mantém o GP do Brasil no calendário por tanto tempo já que “nossa paixão”, nossa atenção, é, e sempre foi, única exclusivamente o futebol? É o que sempre me pergunto. Repare que países de tradição como França, Holanda e Portugal não têm mais corridas no calendário, não conseguem mais lançar um piloto que faça as atenções do pais se voltarem ao automobilismo, mesmo sendo europeus, e no caso da França tendo montadoras e fábricas importantes.

Não há explicação racional. O que há é uma força sobrenatural, uma força conspiratória.

Besteira de um aficcionado em corridas que ama ver a F1 anualmente indo a seu pais? Provavelmente. Mas ele em defesa a si próprio tem dizer que: 1. Desde que Interlagos foi para fim da temporada em 2004 decidiu 5 mundiais em 6 corridas disputadas. 2. Sediou a única corrida “sem começo e fim” da história da F1 em 2003. 3. Teve seu principal herói ganhando de maneira inacreditável duas corridas em condições adversas. 4. Foi palco da decisão de título mais dramática da história na última freada. 5. Em 1983 tornou-se o único na história que não possui 2º colocado. 6. Já vimos por aqui um inglês vencer e desfilar com a bandeira do Brasil. 7. Viu em 2009 o mais longo e dramático treino de classificação da história. 8. Teve em suas 4 primeiras edições 3 vitórias de brasileiros. 9. Tem como maior vencedor um francês que por muito tempo foi odiado por essas bandas... e por aí vai.

E deve ter mais um monte de motivos pra argumentar que o que acontece no Brasil foge do normal de uma simples corrida de F1, esses que citei apenas vieram de cabeça no momento em que digito esse post. A verdade é que o GP do Brasil sempre terá um lugar de destaque na memória recente e antiga da F1, sempre será um clássico.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

OFF: Dilma eleita

Eis que o 34º presidente da Republica Federativa do Brasil foi eleito, ou melhor, eleita. Não, não votei na Dilma. Não acho que ela esteja preparada para assumir um cargo de suma importância tal qual esse para qual se candidatou e venceu. Não acho também que Dilma, por mais linha-dura que seja, consiga ter sozinha o peito que tiveram Lula e FHC perante as respectivas oposições na hora de implementar projetos de campanha.

Outro motivo pelo qual não votei em Dilma tem a ver com a escolha de seu vice, Michel Temer. Homem qual não se precisa ir muito longe para constatar o quão podre é ele e seu partido, PMDB, sempre metido em escândalos. No passado foi grande defensor de FHC, nomeado que foi para presidência da câmara dos deputados duas vezes, e ontem tornou-se vice-presidente ao lado de Dilma Rousseff, enquanto o partido do qual é PRESIDENTE esteve do lado dos tucanos. Dá pra sentir cheiro de interesse aí?

No 1º turno votei em Marina Silva, ontem votei em Serra, muito por falta de opção. Achei muito melhor do que anular, ou votar em branco. Muito embora também ache Serra um incompetente, já que sequer teve poder de reação nas pesquisas durante a campanha em que começou na frente, o acho mais preparado. Um cara com uma extensa carreira política, além de já ter sido ministro, prefeito e governador.

Porém ele não soube usar-se disso em debates e propagandas eleitorais, além do mais, também não soube usar o fato de Dilma construir sua campanha quase que por completo em cima de Lula e o que isso poderá trazer de problemas para o país se futuramente houver uma ou outra divergência, e por ventura, uma separação entre os dois. Dilma perderia o apoio político, que muito se deve a Lula, e o Brasil poderia viver uma crise de autoridades, nada bom pra quem tem copa do mundo e olimpíada pra sediar.

Não sei se o Brasil está em boas mãos, mas há de se enaltecer a conquista de Dilma sendo a 1ª mulher eleita presidente da republica, um marco para nossa história. Apesar de achar uma bobagem esse papo de movimento feminista e tempestades em copos d’água feitos por esse nicho “militante”, vimos ontem uma notável conquista.

Por fim gostaria que parassem de satanizar hipocritamente (acho que essa palavra não existe, mas dane-se) a prática do aborto no Brasil. Existem clínicas com ginecologistas especializados neste tipo de operação há muito tempo por aqui. E inclusive muitas das pessoas riquinhas/religiozinhas que demonizam essa prática não pensariam/pensam duas vezes ao ver a filhinha de 16 anos fecundada para mandá-la abortar imediatamente numa clínica zilionária.

Enfim... é isso, graças ao céus terminou. Que sejam 4 anos de grande crescimento e paz para o Brasil. Sorte e competência aos eleitos.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.8)


The Enemy Within, 4ª do disco Grace Under Pressure de 1984. "O timbre chega a beirar o The Police" diria alguém, o mais puro Reggae n' Roll do trio canadense. Grande exibição de um grande álbum, o qual recomendo a audição, na verdade, recomendaria à quem não conhece a banda, esse, o Moving Pictures e o Permanent Waves, são o que o Rush tem de melhor, e não são extensos, (8, 7 e 6 músicas respectivamente) não cansando o ouvinte.

Ah, claro. @leandrusfla ficaria feliz se eu mandasse um alô pra ele... tava pedindo algo do Grace Under Pressure. Taí, pronto.

domingo, 24 de outubro de 2010

Korean Drama


E foi com ótimos traços de um filme de drama/suspense que foi realizado o primeiro GP de F1 em domínios sul-coreanos. Dessa vez o amigo roteirista do além desafiou nosso sono e paciência quando adiou a largada em 10 minutos, fez os carros darem 3 voltas atrás do Safety Car e colocou uma bandeira vermelha de 48 minutos madrugada a dentro no Brasil. E Mais, depois disso outras 14 voltas intermináveis atrás do SC. Mas lhes digo... foi um esforço que valeu a pena.

Alonso ressurge das cinzas. A Ferrari que lá por junho e julho procurava um lugar para enterrar o quase perdido ano de 2010, agora, tem Fernando como o piloto que mais ganhou corridas nesse ano, e liderando o mundial de pilotos. Uma virada e tanto, e tomando por base os campeonatos ganhos por Alonso em 2005 e 2006, quando a consistência e constância foram os grandes trunfos do espanhol, não existiria um momento do campeonato mais inoportuno do que esse para um abandono duplo da Red Bull.

Webber e Vettel não podiam ter tido um dia pior. O primeiro errou grosseiramente (no sentido de a prova ter acabado de começar) e rodou, ainda levando o inocente, e eficiente até aquela altura da corrida, Nico Rosberg. O segundo vinha com amplo domínio da prova e de seus desenrolares. Ganharia e faria Webber engolir seco tendo que trabalhar, provavelmente, para ajudá-lo nas últimas 2 provas. Porém Sebastian foi traído pelo ultra confiável motor Renault, que durante o ano jamais havia quebrado. Quebrou na hora errada. Péssima prova da Red Bull que pela primeira vez no ano passou uma corrida zerada.

Hamilton deve ter alimentado um pouquinho suas chances de campeonato em sua cabeça, poderia ter ganho não fosse ao pote com muita sede numa das relargadas, mesmo assim, um bom segundo posto. Mas continuo duvidando que a McLaren tenha performance parecida ou superior à Red Bulls e Alonso nas provas finais a ponto de disputar algo. Anyways, Hamilton tem chance.

No mais, múltiplos acidentes, Massa em 3, Liuzzi fazendo sua corrida do ano, Sutil dirigindo como um caminhoneiro bêbado, demente, míope, na chuva e fora do prazo de entrega da carga e a Sauber e a Williams nos pontos. Além, claro, do fim de corrida fotogênico, ao crepúsculo, quase totalmente noturno, em Yeongam com 2 horas e 48 minutos de vida complicada para pilotos e equipes.

Porém, como todo bom filme de suspense, deixou pontas a serem coladas pelo desenrolar da história futuramente. Mais precisamente, nesse caso, em 3 semanas.

sábado, 23 de outubro de 2010

Touros Santos


Santo Vettel. 9 pole positions em 17 qualifyings disputados até a presente data. Como já disse no comentário sobre o GP do Japão, se o alemão fosse um pouco menos impetuoso nos atos dentro da pista a F1 estaria apenas cumprindo tabela na Coréia do Sul. Não foi, melhor pra nós.

Webber em 2º mostra mais do que um domínio, como previsto, da Red Bull. Mostra que pode “marcar” Sebastian Vettel amanhã sem problemas, o que para o australiano já é muito bom em termos de campeonato. Aliás, ele e Vettel mostram principalmente no 3º setor, o mais curto da pista, o quanto o carro da Red Bull é perfeito em termos de chassis. Enquanto que no longo 1º setor ambos levam cerca de 0.2s da concorrência, no último, menos da metade em distancia em relação ao 1º, ambos RB6 enfiam 0.3s no resto. É um carro fenomenal pra dizer o mínimo. Santo Adrian Newey.

Alonso em 3º, como todos na fila ímpar do grid, sai em posição estratégica de largada. O cálculo feito pela Ferrari segundo Marc Gené é de que os carros da fila par percam cerca de 20m em relação aos ímpares na partida (fonte: F1 Fanatic) por conta do lado de dentro do circuito não ser utilizado como traçado, assim carenciando de emborrachamento e sobrando em sujeira. Que, aliás, poderá ser outro problema se chover antes da prova, deixando a pista mais escorregadia. Mas de qualquer forma nada que um eficaz serviço dos fiscais, com suas vassourinhas, não resolva.

Massa vai tentar ajudar Alonso, dessa vez com pneus duros no primeiro stint. A tradução dessa estratégia na minha cabeça é: Já que Felipe não consegue andar rápido pra ajudar Fernando vão fazer andar lento para tentar fazê-lo. Vamos ver no que dá.

Não há nada sobre a McLaren para comentar, na minha opinião. Serão coadjuvantes mesmo e apenas tirarão pontos dos 3 postulantes ao caneco, campeonato mesmo, já era. Apenas faço um destaque negativo a Force Índia que vai voltando de onde saiu no começo desse ano. Liuzzi não merece ter seu contrato renovado e Sutil se não pular fora do barco rapidinho pode ser que afunde à rabeira do grid com ele... de novo.

Não sei se a corrida será boa, mas inegavelmente o circuito de Yeongam (ou da futura faraônica Yeongam do ano 3000) é muito desafiador, difícil pelos bumps nas freadas depois dos retões e que exigirá um grande preparo físico no que diz respeito ao pescoço, principalmente no trecho da curva 7 a 11. Dirigir lá deve ser divertido, acredita esse humilde blogueiro.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.7)


2112. Dispensa qualquer apresentação. Som fala por si só. A música tem 20 minutos, divida foi em 3 partes. Essa é a 1, a 2 é essa, e a 3 procurem vocês (se não tiverem saco, ouçam só a 1. É a que o Rush tem costume de tocar em shows). Pra polemizar, o Grand Finale é minha parte favorita. Som obrigatório na coletânia do blog... sem mais.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

One Comment

Surrupiei o título do Flavio Gomes... essa foto merece.
Essa a entrada dos pits hoje à tarde na Coréia do Sul. Ai, ai... (foto: @adamcooperf1)

Para gostar de Rush (Vol.6)


Time Stand Still, 2ª faixa do disco Hold Your Fire de 1987. Quem nunca quis parar o tempo em algum momento muito feliz da vida? Eu já... várias vezes. Diria que é meio inexplicável a magia desse som, é suave sem deixar de ser impactante e tem uma aura límpida como um dia de céu azul sem nuvens. Não é exagero, passa um sentimento de liberdade interessante, por mais complexo que seja o delírio que eu esteja a descrever. Tão complexo quanto as emoções humanas.

A única ressalva faço ao video clipe, meio ridículo. Mas a música é demais.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Darwinismo motociclístico


15 motos. E estamos falando do ápice do motociclismo on-road. 15 motos. E estamos falando da categoria almejada de 11 em 10 pilotos no mundo das duas rodas. 15 motos. E falamos de uma categoria que mesmo com 15 motos ainda dá água na boca em qualquer piloto de qualquer uma das 22 motos da Superbike. Tão é verdade isso que vemos vários jovens como James Toseland, Ben Spies, Colin Edwards, Chris Vermeulen e Troy Bayliss abrirem mão de uma carreira já bem sucedida por lá para chegar à MotoGP.

Porém se nada for feito para aumentar esse grid minusculamente ridículo pode ser que ela perca força, e porque não, deixe de existir. É dita uma categoria mais cara pelo fato de suas motos serem obrigatoriamente protótipos, e é aí que reside o grande problema. A viabilidade, pesquisa e paciência de desenvolver uma moto diferente cada ano para as montadoras é algo que parece hoje desencorajá-las a entrar na MotoGP. Mais do que isso é também a falta de testes, que mesmo reduzindo custos em termos de logística, a longo prazo apenas faz aumentar a diferença entre quem está na ponta e quem luta para por pontos e pódios.

Algo tem que ser feito para diminuir o “darwinismo” na categoria, senão veremos mais e mais cenas como as estreladas pela Kawasaki em 2008 e pela Suzuki nesse ano, que não sabe o que faz.

É hora de uma política de crescimento, a lá “Big Stick” ou o nosso “50 anos em 5” (de modo ordenado, claro). Porque ver uma corrida como foi a da Austrália nesse último domingo dá dó. Ao invés de 15 poderiam ser até 14 motos largando se Kallio tivesse queixado-se de suas dores no ombro antes da prova., ou seja, além de todos que chegassem pontuassem teríamos a 15ª posição de valor 1 ponto vaga.

Chegou o tempo da FIM e da Dorna colocarem um pouco do talento que têm para fazer transmissões maravilhosas em uma medida que privilegie a entrada e a manutenção de equipes de médio porte, pois uma categoria não se faz só de grandes nomes, por mais tosco que isso possa soar.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.5)


Witch Hunt, do disco Moving Pictures de 1981. Disco tido como melhor do Rush e executado por completo na turnê atual, Time Machine. Decidi não ser óbvio na minha escolha de uma faixa desse CD. Digo a vocês, nesse álbum há Tom Sawyer, YYZ e Limelight, dentre as conhecidas e aclamadas (com razão, diga-se) pela massa.

Mas são poucas coisas que me tocam nessa vida da forma como faz o arranjo dessa música, que embora simples dissecado tecnicamente, carrega uma infinidade de sentimentos. Um som de teclado que chega a beirar o angelical em contraponto com um clima denso de uma caça à “bruxas” na idade média. Experimente!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cara de filme antigo


10 anos irão separar no ano que vem. Muito tempo. Nesse intervalo a Sauber perdeu o patrocínio fortíssimo da Red Bull, deixou de existir e voltou se não das cinzas sabe-se lá de onde, já que colocar um carro sem patrocínios para correr quebra as barreiras do sobrenatural e começa a parecer loucura dado mundo capitalista que se encontra a F1 atualmente.

Em 2001, 10 anos antes, a Sauber se reformulava totalmente. Contratava o campeão da F3000 em 1999, e piloto de uma das cadeiras elétricas azuis da Prost em 2000, Nick Heidfeld. Contratava também um jovem finlandês de 21 anos vindo da Fórmula Renault inglesa, Kimi Raikkonen. Contratação, essa última, que fora criticada exaustivamente pela imprensa, por técnicos, pilotos e até pelo presidente da FIA, Max Mosley, na pré temporada, já que Raikkonen havia feito apenas 23 corridas de monoposto na vida até ali. Mas para Peter Sauber, tudo valia para não repetir o desastre de 2000, quando o time viveu uma temporada horrível com apenas 6 pontos no ano, todos conquistados por Mika Salo.

E foi também com um forte patrocínio novo, o banco Credit Suisse, que o time suíço chegou a Melbourne com a missão de provar a todos que seu investimento (ou a falta dele) numa dupla de pilotos a ser lapidada durante o ano a fora seria uma boa idéia.

O resultado de imediato foi sensível. Já na Austrália, Heidfeld e Raikkonen pontuariam em 4º e 6º respectivamente. No Brasil, 3ª prova, Heidfeld conseguiria seu primeiro pódio da carreira, 3º, com o time que não subia ao pódio desde o GP da Bélgica em 1998. Raikkonen também silenciou seus críticos com os notáveis 4º lugares na Áustria e no Canadá.

Dessa forma o time de Hinwill cravou sua melhor temporada, desde sua entrada na F1 em 1993, com 21 pontos. Escrita que só seria quebrada em 2004, porém com o sistema de pontos vigente em 2001, (apenas 6, e não 8 pontuando) os 34 pontos feitos no ano teriam sido apenas 12. Ou seja, 2001 é a melhor temporada da Sauber até hoje.

Em 2011, 10 anos depois, os carros da Sauber serão dirigidos pelo japonês Kamui Kobayashi, com praticamente um ano de F1 na bagagem, a lá Nick Heidfeld, e o mexicano Sergio Pérez, vice da GP2 nesse ano, que terá completado 21 anos cerca de um mês e meio antes da estréia, jovem como Kimi Raikkonen. Além claro do patrocínio forte, a mexicana telecomunicadora Telmex, como a Credit Suisse em 2001.

As semelhanças são visíveis, valendo a pena mencionar o nome de James Key, ex-engenheiro da Force India, que chegou à Sauber em abril. Desde lá, o que se viu a olho nu foram os carros suíços progredindo e o mesmo não podendo ser dito da parte dos indianos.

Poderia ser a história se repetindo? Difícil dizer. Mas da astúcia de Peter Sauber não devemos duvidar.

E se você leu esse texto até o fim e é do tipo que curte fazer bolões de F1, acredito que eu já tenha preenchido pra você a lacuna antecedida por “Revelação do ano” no ano que vem.

domingo, 10 de outubro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.4)



Natural Science. Sexta e última faixa do disco Permanent Waves de 1980. Confesso que via Rush com maus olhos até ouvir esse som, culpa do rótulo progressivo. De fato, são 9 minutos de música. Mas uma música com temas distintos, interessantes, e sugestivos, me referindo à letra, por fim. Arrisco dizer que em CDs de estúdio essa é a melhor performance do trio na carreira. Obra prima.

Esperança (re)nascente


Talvez Vettel tenha aprendido, talvez não vá cometer mais erros ridículos e talvez enfim sua cabeça tenha conquistado um pouco da sensatez necessária para erguer um troféu de campeão do mundo. Talvez. A certeza é que se Sebastian tivesse um pouquinho mais de noção em seus atos dentro da pista durante o ano, esse campeonato já teria dono.

O ditado diz que você é tão bom quanto sua última corrida, sendo dessa forma Vettel com seus 3 últimos resultados à frente de Webber e a vice liderança dividida com Fernando Alonso passou a ganhar um status sólido na luta pelo título. Mas é esperar para ver. Das 3 provas a serem cumpridas a Red Bull ganhou duas ano passado, exceção a Coréia, obviamente. Ou seja, são mais favoritos do que já eram, e Seb parece inspirado.

Mas se por um lado Vettel cresce, por outro Webber se acomoda, não sendo ainda tempo de começar a administrar sua vantagem no campeonato. Como ele mesmo disse, precisa ganhar outra corrida. Até mesmo para consolidar sua imagem de possível campeão do mundo, porque já vimos na história da F1 que pilotos precisam fazer boas corridas sob grande pressão se quiserem títulos, sendo isso uma verdade quase (acho que totalmente...) universal para todos campeonatos já disputados.

De resto, a McLaren e Hamilton (Porque pra mim Button jaz em paz há tempos) vêem um campeonato indo inteiro pela janela, graças a erros, azares e problemas mecânicos. Na verdade, esse fim de semana no Japão teve de tudo isso para Lewis. E na minha mente não imagino mais o time de Woking com chances de ser campeão. Quem lê meu blog sabe que era minha oposta, perdi, me estrepei... admito.

Menção, claro, a Kamui Kobayashi. Que piloto é esse? Como um ateu, ante aos vários problemas de turbulência, não de hoje, em Suzuka, simplesmente fez 5 ultrapassagens no hairpin do circuito de sua terra natal, ignorando todo e qualquer problema de estabilidade causado por turbulência. Foi o nome da prova. Destoou do resto, algo que tem feito com freqüência, e destoar é algo que os grandes sempre fazem em carros limitados, ou seja...

No mais, prova com várias vítimas e acidentes plásticos na primeira volta. Ratifiquei o quanto amo ver vários “Out’s” na classificação das corridas. Rodas estranhamente saindo em Kubica e Rosberg, e Felipe Massa mais uma vez decepcionando numa batida da qual dispõe de 100% de culpa.

Enfim, achei uma corrida divertida... acho que fui o único.

O que há?

Dia 2 de novembro de 2008. Massa saia de Interlagos vice campeão do mundo tendo colocado metaforicamente uma mão e quatro dedos na taça. A decepção era lógica. Um título perdido na última das setenta e UMA voltas é algo muito cruel para um esportista, tão quanto para seus fãs que viam ali naquelas 3 voltas a possibilidade de ver um piloto brasileiro campeão no Brasil.

Veio o ano de 2009, e com ele uma decepção. O Kers não era a carta na manga que todos pensavam ser. A Ferrari sofreu, não foi a única, mas dramaticamente passou 3 corridas sem fazer um ponto sequer. Massa passou 4, porém isso não o impediu de chegar a Hungaroring à frente de Hamilton e Raikkonen no campeonato de pilotos, em 5º, apenas atrás das Brawn’s e Red Bull’s. Vinha em alta, vinha de ser 4º saindo de 11º na Inglaterra e do primeiro pódio do ano uma corrida antes, na Alemanha. O brasileiro estava em grande fase dadas as proporções de momento.

Foi quando a mola do Brawn de Barrichello caprichosamente inerte dada a velocidade dos corpos foi abalroada pelo capacete de Massa, deixando-o de fora do restante da temporada.

Chegou 2010, e com ele Fernando Alonso à Maranello. Massa começou o ano bem. Chegou a liderar o campeonato, mas foi a partir da China que tudo começou a desandar. Falta de desempenho, regada à cobranças das mídias e da torcida. Varias teorias elaboradas, mas nada tido como verdade incontestável.

Afinal de contas... O que Aconteceu com Massa?

Onde está aquele piloto aguerrido que foi até 2009? Tenho 2 hipóteses para tentar explicar: 1. Felipe perdeu espaço na Ferrari e agora se sente pressionado tendo a figura (no sentido da personalidade) de Alonso ao lado no time, alguém muito mais presente e político do que Kimi Raikkonen. 2. Felipe não consegue se adaptar ao F10, que até onde se sabe, é um carro que possui dificuldade no aquecimento dos pneus, e por ter um estilo de pilotagem mais limpo, Massa sofre mais que Alonso.

São hipóteses muito na conta do meu achismo, confesso. Pode não ser nenhuma delas, como também podem ser ambas ao mesmo tempo. Pode ser sequela, embora não acredite nisso, há possibilidade, não seria o primeiro caso na F1. A verdade é que o Felipe Massa de 2010 está longe de ser o Felipe Massa que conhecíamos anteriormente, e pouco reflete isso tão bem como essa 12ª posição no grid em Suzuka hoje. Curioso é que Massa foi o único piloto que completou todas as corridas em 2010, mas é talvez o que mais esteja deixando a desejar. Coisas da F1...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Para gostar de Rush (Vol.3)



Armor and Sword, 2ª faixa do disco Snakes and Arrows de 2007. Parodiando o título do álbum, a música traz a velha máxima daquele famoso dito popular "panela velha é que faz comida boa". De fato, mais de 30 anos de carreira não pesaram nas costas dos canadenses, apenas serviram de bagagem para aprimorar cada vez mais o grande trabalho que fazem. Esse disco (dos mais técnicos da carreira do power-trio) é prova viva.