domingo, 29 de maio de 2011

O santo imponderável


Indy 500. Há quem diga que só é preciso ver as últimas voltas. A grosso modo, até concordo, porque, por mais que a corrida tenha sido muito boa, as últimas voltas sempre são históricas. Sempre marcadas por dramas de consumo de combustível e por bandeiras amarelas que podem decidir direta ou indiretamente o vencedor. Hoje, rotineiramente, tudo isso... e um plus.

J.R. Hildebrand foi campeão da Indy Lights em 2010. Vinha nesse ano lutando com seu carro nos circuitos mistos. Nenhuma performance de brilho; melhor resultado: 10º no Brasil. Um mero coadjuvante ao olharmos sua posição de largada, um 12º lugar.

Tudo andando pela equipe Panther. Time que, para contratá-lo, deu um pé nos fundilhos do inglês Dan Wheldon, que demonstrava desde sua saída da equipe Chip Ganassi, em 2008, que vivia a parte decrescente da carreira - em que já havia somado uma Indy 500 e um título de temporada, ambos em 2005.

Dan, sem equipe para 2011, ficou a esmo no mercado de pilotos. Reconhecidamente um bom piloto de ovais, por um lado. Mas pelo outro, uma decepção nos circuitos mistos. Sua chance era tentar voltar nas 500 milhas de Indianápolis como “wildcard”, ganhar um dinheirinho e tentar fazer uma boa corrida para quem sabe arranjar um patrocínio que lhe permitisse participar de outras corridas nesse ano. Foi o que aconteceu, Dan, desvalorizado no mercado, encontrou na equipe de seu ex-colega de equipe na Andretti, Bryan Herta, o carro para tentar a sorte na Indy 500. Classificou em quarto, um ótimo posto, dado fato de ser uma equipe de Indy Lights que fora especialmente montada para a ocasião.

Na largada ninguém poderia apostar que esses dois, Wheldon e Hildebrand, poderiam protagonizar o fim de prova mais inacreditável da história da corrida. A três voltas do fim o belga Bertrand Baguette, líder, adentrou o Pit Lane de Indianápolis com falta de etanol. Dario Franchitti, virtual vencedor da prova, teve sua tática derrubada graças à falta de bandeiras amarelas nas 40 últimas voltas. Sendo assim, o escocês se arrastava no circuito economizando combustível e não era páreo para Hildebrand, nem Wheldon (e nem ninguém, já que foi o último dentre os que chegaram na volta do líder). Ambos não precisavam economizar combustível... davam o máximo.

Hildebrand assumia a liderança. Um estreante venceria em Indy pela primeira vez desde o biênio 2000-2001, quando Montoya e Hélio Castroneves conquistaram a prova no primeiro ano de participação. Faltava uma curva para a glória. Nela, lentamente, o carro de outro rookie. Um retardatário, Charlie Kimball, 13º. Talvez confiante demais, Hildebrand tentou superá-lo por fora; lado que em circuitos ovais, depois da metade da prova, normalmente encontra-se cheio de poeira e pedaços de borracha dos pneus desgastados pelos carros. Batata. De maneira inacreditável o líder batia no muro da última curva da corrida que marcava o centésimo ano do autódromo americano.

Wheldon, esquecido e menosprezado por todos, e que salvo engano não havia liderado uma volta a corrida inteira, tirou o último gás de seu carro e passou a linha de tijolos para conquistar sua segunda Indy 500 na carreira. Dois segundos antes de Hildebrand, em destroços, mas ainda assim em segundo lugar. Um ”wildcard“ com estrutura de uma equipe de Indy Lights, que fez papel de figurante durante toda a prova e que havia sido demitido pela equipe de Hildebrand meses antes, venceu uma prova de enredo fantástico. Sem mais... da série "Porque amo automobilismo".

29 de Maio de 2011, um dia épico para o automobilismo mundial.

2 comentários:

Marcos Antônio disse...

ontem foi um día histórico pro automobilismo, essa corrida da Indy foi espetacular, hildebrand nem deve ter dormido pensando que deixou de entrar pra história, ou melhor, entrou pra história do jeito mais insólito...

OBS: A verificação de palavras deu "Whelden" o.O

Ron Groo disse...

O fim de prova que Hollywood nunca sonharia.
É por isto que amamos este esporte.