domingo, 12 de junho de 2011

Assim, nunca mais

Faltam palavras pra descrever o que foi esse Grande Prêmio do Canadá de 2011. Falta a certeza de que isso aconteceu mesmo, de que não era um filme ou um sonho; dado o nível de imponderabilidade do que assistimos hoje em Montreal. Button havia sido atirado ao 21º lugar na volta 37, quando colidiu com a Ferrari de Alonso e voltou para os pits com o pneu dianteiro esquerdo furado. Naquele ritmo vagaroso, naquele fim de volta... Quem poderia imaginar tamanha volta por cima em menos de meio GP? E de um cara como Button, reconhecidamente um piloto menos ousado do que a média?

Button foi magnífico. Soube a hora certa de atacar e poupar pneus no fim. E, heroicamente, passou todos os carros que se encontravam à sua frente, para vencer uma das melhores corridas da história - já recheada de bons momentos - da F1 (A mais eclética, pelo menos, ela foi).

As lembranças do toque com Hamilton no início são apenas memórias distantes, mas a corrida de “nosso herói” poderia ter parado lá, bisonhamente, naquele “fogo amigo”. Não parou. Era pra ser assim. Era para Jenson bater em Alonso. Era para voltar em 21º. Era para chegar ao quarto lugar, na pista e com maestria. Era para correr um grande risco durante as voltas finais na disputa com Webber e Schumacher. Era pra ter guardado bem os pneus e virar dois segundos mais rápido do que Vettel nas quatro últimas voltas. Era pra pressionar... ver errar. Era pra vencer. Destino; por mais irritantemente poético que isso possa soar (sim, me irritou pensar assim... vejo automobilismo de outra maneira).

O resto seria resto, não fosse uma corrida de F1. Schumacher lembrou seus melhores momentos na carreira, com uma pilotagem digna do monstro sagrado que foi um dia. Na chuva, hora de mostrar habilidade, um dos mais rápidos. Quando secou, virou abóbora; e seria presa fácil para Webber, não fosse sua pilotagem defensiva brilhante. Michael foi bravo como de costume, mas teve que se contentar no fim das contas com o quarto lugar. Pouco para quem fez tanto (se uma ultrapassagem dupla servir pra você). Merecia um troféu hoje.

Kobayashi, outro gigante - era segundo no momento em que foi dada a bandeira vermelha -, acabou sucumbindo ao piso que secava aos poucos. Ficou com um - porque não - bom sétimo lugar, em uma chegada no “photo chart” com Felipe Massa, que poderia ter ido ao pódio se soubesse andar no molhado.

E a chuva! Sempre ela a dar graça às provas, hoje veio forte demais. Uma parada de mais de duas horas para esfriar os ânimos, mas que culminou numa corrida memorável da qual falaremos por muito tempo.

Faço minhas as palavras de Eddie Jordan no fim da transmissão britânica da corrida (Pois é, com uma partida de futebol SUUUPER importante, fui obrigado a procurar um stream). “Quem mais ganhou com essa corrida não foi Vettel, que viu sua diferença no campeonato aumentar de 48 para 60 pontos; foi a Fórmula 1.” E, por tabela, nós também, que sempre assistimos e acreditamos em um bom espetáculo; ganhamos, sim! Hoje, mesmo com todos os problemas e transtornos, tivemos uma corrida absolutamente perfeita e sem precedentes na história da F1... algo único.

E quer saber... igual ou parecido com isso, acho que nunca mais. Quatro horas, quatro minutos, trinta e nove segundos e quinhentos e trinta e sete milésimos inesquecíveis.

3 comentários:

Marcos Antônio disse...

realmente Button foi magistral, que corrida incrível! ficou na história!

Leandrus disse...

Texto belíssimo, assim com a atuação de Button. Pena que eu não pude ver a segunda parte da corrida direito, vou ver agora no VT da Sportv.

Ah, e quanto ao Button: incrível como um piloto para quem muitos não davam mais nada em 2008 se tornou um dos melhores da categoria pouco tempo depois, e depois de passar tanto tempo na F1.

Pedro disse...

Estou eufórico até agora!!!! Pior que só consegui ver o final pelos contratempos da vida, mas valeu. MUITO FELIZ pela McLaren e pelo Button. Até esqueci da cagada que o Hamilton fez.