terça-feira, 26 de abril de 2011

Too Close


Setenta corridas. Foi isso que separou a Rio 400k de 1997 do GP de Nazareth de 1992. O que essas corridas têm em comum? Bobby Rahal.

O americano havia sido campeão da Indy no ano de 1992 pela última das três vezes em sua carreira, Nazareth havia sido seu último triunfo. Desde aquela prova num longínquo 4 de Outubro, Bobby jamais havia se encontrado perto de outra vitória na Indy. Muito tempo havia se passado, seu time já não tinha mais o mesmo gás para brigar por corridas e um campeonato era algo inimaginável.

Mas eis que cinco anos depois, Rahal tinha sua melhor chance de fazer as pazes com o sucesso, no Rio de Janeiro. Havia tomado a ponta do pole, Maurício Gugelmin, na 14ª passagem, liderando, a partir daí, a primeira das 102 voltas que lideraria ao todo na corrida. Porém a falta de bandeiras amarelas (ou a má distribuição delas) seria determinante para o resultado final das 133 voltas da prova. Na volta 84 Bobby foi aos pits pela segunda vez na prova. Duas bandeiras amarelas, das oito do dia, viriam ainda a acontecer depois da última parada do patrão do Team Rahal.

Porém após a última, na volta 98 - que durara apenas quatro voltas, graças a uma rodada de Michel Jourdain Jr. - os computadores da equipe Rahal acusavam algo preocupante para os engenheiros de Bobby. O metanol em seu Reynard-Ford não duraria até o fim da prova caso fosse por inteira disputada em bandeira verde. Precisaria ao menos de mais uma ou duas voltas sob bandeira amarela. Algo que quase ocorreu na volta 125, quando PJ Jones parou seu carro com o motor Toyota estourado... fora da pista.

A partir dali seriam mais oito agonizantes voltas para engenheiros e pilotos. Paul Tracy, Greg Moore e Gil de Ferran haviam parado uma volta depois de Bobby, na 85; e tinham os mesmos problemas de consumo. Era tudo ou nada para os quatro.

Duas voltas para o fim, e o primeiro deles caí. Gil de Ferran, que não resistira ao ritmo fortíssimo imposto pelos primeiros colocados e se rendia a um splash and go.

Poucos segundos depois disso seria a vez de Bobby Rahal ficar sem combustível na curva 4 de Jacarepaguá. Tracy o passaria por fora para receber a bandeira branca e uma volta depois a quadriculada em seu lugar. Rahal, depois do Splash and go, teria que se contentar com um inexpressivo 10º lugar, a uma volta do canadense da Penske número 3. Uma volta (84-85)... que fez toda a diferença.

Após a bandeirada, mesmo frustrado, Rahal ainda brincou*: "Tenho que ensinar PJ a parar no meio da pista". Uma frustração que deve tê-lo tomado até o fim de sua carreira, já que não mais conseguiria subir ao degrau mais alto do pódio até o fim de 1998, quando deu fim a seus dias de piloto passando a ser apenas chefe de sua equipe.

Veja o vídeo dramático do fim da prova...
...
...no Youtube, já que algum infeliz desabilitou o "incorporar".

*Anuário AutoCourse 1997-98

2 comentários:

Ron Groo disse...

Belo texto. Parabéns.

Marcos Antônio disse...

Jacarepaguá.saudades. RIP.