segunda-feira, 16 de março de 2009

Iron Maiden - 15/3/2009


E exatamente um ano e duas semanas depois de seu último show em São Paulo, no qual prometeram que voltariam no ano seguinte trazendo seu show completo com fogos, explosões e efeitos especiais diversos, eis que os mesmos cumprem sua promessa e voltam ao Brasil para uma longa estadia em terras tupiniquins, fazendo nada menos que 6 shows. Sabendo da gradiosidade do show varios fãs vindos de todos os lugares de São Paulo fretaram ônibus, vieram de carro, enfim queriam estar presentes naquilo que foi um show histórico para o Iron Maiden e para todos nós.

Antes de entrar no autódromo de Interlagos já era possível criar a dimensão da apresentação, filas quilométricas (não, não é uma força de expressão) chegavam a ser mais longas que o próprio quarteirão do autódromo de Interlagos, sendo assim segundo relatos, o fim da fila chegou a ser no começo.

Porém, nem tudo é festa, eis que para adentrar o autódromo era preciso andar em um zique-zaque infernal para enfim ser revistado. Até ai tudo bem, porém quando se adentrava contatava-se que a organização não havia colocado tablado na grama para que as pessoas da pista não ficassem sobre a grama, o que em caso de chuva extremamente forte ajudaria o lugar não virar um chiqueiro, o que aconteceu. Partes da pista que estavam na grama após a descida do lago foram absolutamentes tomadas pelo barro, que mais parecia em alguns casos uma areia movediça, ou um pantano onde só de pisar seu tênis ia definitivamente para o brejo.
Fora ainda as proteções de metal colocadas em volta da pista que não seguraram o impeto de alguns fãs que não tinha lugares bons na pista e resolveram quebra-las para subir o morro e ficar sentados no muro da curva do Pinheirinho. Normal, o problema é que aparentemente não havia nenhum segurança para tira-los de lá e controlar a multidão. Se alguém passou mal lá ontem se deu bem mal. Pior que a falta de estrutura antes e durante o show foi depois dele, na saída. Para quem estava mais perto da grade foi em média de 1h a uma 1h 30min para sair do autódromo já que sua saída ao invés de ser aberta era um funil, e detalhe essa era a saída de emergência (que segurança...oh!).

Problemas a parte, vamos ao que interessa.... O SHOW!

Ás 19:00 em ponto eis que a filha de Steve Harris, Lauren, entra no palco. A exemplo do ano passado seu show mais uma vez teve repercussão horrorosa perante aos fãs do Maiden, já na primeira parada entre as músicas os fãs já começaram coro pedindo a presença do Iron Maiden. Muita gente prestou mais atenção em um gordinho que cismava em pular na lama do que em sua apresentação. O destaque do show da mini-Harris com certeza foi seu guitarrista Richie Faulkner, aspirante a Zakk Wylde, que toca guitarra tão bem quanto o próprio, realmente um excelênte músico de presença de palco e técnica irretocáveis.

Mas eis que com uma hora de atraso exatamente ás 21:01 Doctor, Doctor do UFO começa a tocar. Logo após as luzes se apagam e um vídeo da turnê começa a passar nos telões com Transylvania, música instrumental do primeiro disco da banda como trilha sonora. Logo após a intro Churchill's Speech imortalizada pela banda no Live After Death de 1985. Enfim logo após isso Aces High e a banda adentra o palco sob uma chuva de fógos de artifícios e pirotécnia que havia ficado de fora do show do ano passado, todos pulavam e o refrão era cantado em uníssono. O Maiden tem grandes músicas para começar um show, mas nenhuma tão perfeita quanto Aces High.

Depois como segunda música da noite Wrathchild, extasiante do início ao fim. Depois, coladinha, 2 Minutes to Midnight com direito a praticamente todos pulando diante de seu riff inicial. Bruce como de praxe agitou, correu e botou fogo realmente em todos, principalmente durante a extensa e belíssima parte instrumental do som, das melhores da noite. Intervalinho e Bruce pede desculpas pelo atraso, parabeniza os invasores do Pinheirinho e diz que aquele era o maior show da história do Iron Maiden (sem contar festivais como Rock in Rio, Monsters of Rock...) com segundo ele "a fucking thousand people!".

Depois, uma surpresa das mais gratas, Children of the Damned segunda faixa do disco The Number of the Beast, que a banda não devia tocar há mais ou menos uns 23 anos em turnês mundiais. Devo dizer que fui pego completamente desprevinido com a música, nem nos meus sonhos mais fantasiosos de shows do Maiden via eles tocando essa música, baladinha que é caiu super bem e foi muito bem aceita por todos.

Depois outra surpresa, Phantom of the Opera que quando anúnciada gerou rebuliço total em nos presentes em Interlagos, uma música também sempre muito requisitada que é pouco tocada, seu maravilhoso instrumental foi uma das coisas que fizeram os fãs paulistas esquecerem de toda falta de organização do evento.

Após, a manjadíssima porém insubstítuivel The Trooper. Destaque do som vai para o solo dobrado de Adrian Smith por Janick Gers, bom nas gravações e melhor ao vivo, e claro Bruce agitando a bandeira da Inglaterra. Depois para mim um dos divisores de água da noite, Wasted Years. A melhor versão da música que eu já tive o prazer de ouvir sem exageiro algum, com certeza a mais emocionante da noite. Eis que após Bruce começa a falar de poemas e poesias, mas não era preciso saber inglês para entender que música eles tocariam quando ouve-se o nome de Samuel Taylor Coleridge. Sim, Rime of the Ancient Mariner a mais longa música do Maiden estava para ser tocada. Realmente um show de efeitos, pano de fundo e cenários excelêntes. Fora ainda a parte instrumental que assim como no video Live After Death contou com gelo seco no palco para dar o clima de mar calmo em meio a escuridão, mas a parte mais emocionante foi na hora em que a música chega perto de seu solo com uma explosão de fumaça acima do palco, realmente a parte do show que mais me arrepiei.

Depois invertendo a ordem do Powerslave temos a própria Powerslave, na qual Bruce adentra o palco de forma primorosa saindo de trás de labaredas com uma máscara egípcia para cantar o som, que apesar de não ser hit foi cantado em uníssono por todos. Seguindo após a música o palco escurece, escuridão que fica até que a bateria comece. Sim, Run to the Hills é a próxima a ser executada pelos ingleses, com a galera toda batendo palmas, uma das melhores da noite também com seu refrão cantado a plenos pulmões por todos ali presentes.

Depois a exceção do set list de época feita pela banda(1988 pra baixo), Fear of the Dark. Uma música que não pode faltar em um show que se preze do Iron Maiden. Não sei se seria a mesma coisa voltar pra casa sem cantar os "oooO oooO" feitos tradicionalmente pelos fãs seguindo o solo de introdução da primeira estrofe. Depois Hallowed Be Thy Name outra que embora eu não concorde muito com sua inclusão nos set lists a tempos é um grande show principalmente em seu final com Bruce colocando a platéia para cima. Depois Iron Maiden, com direito a Eddie saindo de trás da esfinge do Powerslave no interlúdio do som, e também como de praxe Gers jogando sua guitarra para cima e a girando como se fosse um brinquedinho. Logo após a banda deixa o palco... e ficamos na espera do bis... algumas luzes vermelhas começam a se ascender no palco...

E ai ouvimos o trecho do livro de Apocalipse presente na bíblia, The Number of the Beast estava para começar, uma música que a banda não havia tocado nem em Manaus tão quanto no Rio de Janeiro, mas que sem ela o show não seria o mesmo. A música contou com a presença de um "diabinho" no lado esquerdo do palco, fazendo gestos com a cabeça durante principalmente o refrão.

Depois The Evil That Men Do, música do Seventh Son of a Seventh Son, que contou ai sim com a presença de Eddie no palco na hora do solo de Adrian Smith. Eddie do Somewhere in Time que se dirigiu a Gers no palco e os dois brincam como se não se notasse a diferença de tamanho entre os dois, um quase o dobro do outro.

Logo após Sanctuary para fechar o show. Em seu interlúdio Bruce para completamente a música e diz as intenções de lançar um álbum de inéditas em 2010 pra voltar ao Brasil em 2011, claro que logo falando isso foi ovacionado por todos, e logo após continuou cantando a música que enfim encerrou a apresentação.

Acho que depois de um show desse caimos numa crise existêncial, poucos show (se houverem...) daqui até o final de nossos dias serão tão bons quanto esse foi, muitos reclamam de set list, claro, isso nunca agrada a todos e não dá para fazer o gosto de 100.000 pessoas em 16 ou 17 músicas, que sejam. Mas acho que se fosse para escolher um set list creio que esse apresentado seria o melhor para todos, se fosse para dar uma nota para o Iron Maiden ontem não poderia ser outra a não ser o 10,0 ou 1000. Épico é apelido!!!! \m/!!!!!

Set List:
-Churchill's Speech (intro)
-Aces High
-Wrathchild
-2 Minutes to Midnight
-Children of the Damned
-Phantom of the Opera
-The Trooper
-Wasted Years
-Rime of the Ancient Mariner
-Powerslave
-Run to the Hills
-Fear of the Dark
-Hallowed Be Thy Name
-Iron Maiden
***********bis************
-The Number of the Beast
-The Evil That Men Do
-Sanctuary

P.S.: Desculpe ser extenso demais pessoal, não consegui ser mais breve diante de um espetáculo dessa grandiosidade.

3 comentários:

Ron Groo disse...

Texto ótimo, deu a impressão de ter sido escrito no calor da hora.
O set list foi perfeito e até Hallowed caiu bem.
Pena não ter rolado "The Clansman" ou "Sign of the cross", mas quem se importa, os classicos estavam lá para deixar os fãs felizes, apesar dos pesares.
Up the irons!
Run to the hills, run for your lifes!

Marcos Antônio Filho disse...

que set list! Realmente deve te rsido um show inesquecível, vc pod eocntar pros seu snetos que viu a maior banda de Heavy Metal da História!

Leandrus disse...

Rapaz, show excelente mesmo! Vou a shows desde 2004, vi o Iron 3 vezes e essa foi a melhor apresentação que vi deles (como já tinha ido a SP ano passado, resolvi vê-los só no Rio mesmo, se não não conseguiria ver o Kiss e o Heaven and Hell, rs)

Pelo menos para mim e tendo em base o que vi no Rio, os pontos altos foram Transylvania (tá, num tá no set list, mas me arrepiei vendo aquilo no telão!), Aces High, Wrathchild, Wasted Years e The Number of the Beast. Children of the Danmed foi sonho pra mim, acho que poderia ter ido embora depois de ouvi-la (aliás cara, o Maiden não a tocava desde 87, exceto num show para arrecadar fundos a Clive Burr em 2002, se não me engano). E Rime of the Ancient Mariner foi especial pq passei mal nela ano passado e não acompanhei a música toda kkkk

Reclamações, só pelo fato de Run to the Hills estar no meio do set (prefiro como a última) e Hallowed Be Thy Name ficar muito corrida, rápida (prefiro o jeito agoniado como em estudio). E a outra reclamação é contigo: tá doido tirar Hallowed Be Thy Name? Mesmo rápida demais não pode sair do set!

Por último, li muitas reclamações sobre a lama e as filas para entrar e sair. Mas se tinha tanta lama, como vcs conseguiram pular em Wrathchild sem atolar o pé?

Escrevi demais, então chega rs. Ateh!